Resenha: Tech N9ne – The Storm

Lançamento: 09/12/2016
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: Strange Music / INgrooves
Produtores: Travis O’Guin, Beatnick Burna, DJ Rek, Gianni Ca$h, JMac Tracks, Jordan Omley, K-Salaam, Major Seven, Makzilla, Michael Mani, Mr. Porter, N4, The Pushers e Seven.

Tech N9ne pode ser considerado uma espécie de meme da indústria do hip-hop, uma vez que é tão subestimado. Mesmo com uma carreira de 20 anos e 17 álbuns de estúdio já lançados, ele ainda não é levado tão a sério. “The Storm”, seu mais recente registro, parece ser uma sequela para o seu álbum de estreia, “The Calm Before the Storm”, ou pelo menos essa foi a intenção por trás do conceito do álbum. “The Storm” apresenta participações de uma variedade de artistas, entre eles Jonathan Davis, da banda Korn, Boyz II Men, Gary Clark Jr e Marsha Ambrosious. Não é um disco tão sólido, mas possui alguns momentos promissores. As 20 músicas da versão deluxe pode não funcionar como um disco completo, porém, individualmente, existem algumas boas músicas em seu interior.

A prodição é grande e energética, com cada batida tornando-se proeminente. Além disso, algumas letras chamam atenção e proporcionam bons jogos de palavras. O fluxo de Tech N9ne pode ser um pouco rápido demais, mas consegue proporcionar momentos divertidos. Há um bom equilíbrio de rap e canto no decorrer do projeto, mas pouco são os convidados que dão alguma profundidade. O início do disco é forte, pois “Godspeed” fornece algumas boas ideias. O primeiro verso é muito engraçado, o que não ajuda a solidificar a posição do rapper. Mas isso é apenas uma pequena falha na música. “Need Jesus”, com Stevie Stone e JL, tenta trazer o melhor de Tech N9ne. O seu refrão é escuro e melódico, mas o fluxo emite uma pequena vibração reggae.

Enquanto isso, a esfera mais escura e pesada do rapper é referenciada na faixa “The Needle”, com Krizz Kaliko. Por outro lado, a maior parte do álbum é bastante esquecível. Não há uma música totalmente terrível no repertório, mas também não há um grande destaque. Entre as faixas mais sólidas, como “Erbody But Me”, que possui uma poderosa linha de baixo, temos muitos enchimentos sem qualquer marca memorável. “Starting to Turn”, com Jonathan Davis, traz todas as vibrações do Korn para o jogo. Mais uma vez, Tech N9ne é guiado por um instrumental mais pesado e assustador. A música percorre um bom caminho, mas depois do primeiro refrão tudo desmorona e acaba num final decepcionante. O instrumental de “I Get It Now” também poderia ser muito melhor do que realmente é. Além dos instrumentos de metais, não há nada de bom por trás da música.

Entre as 17 faixas da versão padrão, o que mais temos são músicas sem inspiração. As inúmeras participações também não cooperaram para tornar o álbum em algo melhor aproveitado. Tech N9ne tem uma longa carreira que já ultrapassou os 20 anos. Entretanto, o seu mais novo álbum não é tão coeso quanto seu álbuns anteriores. Enquanto o rapper esforçou-se para fazer um grande trabalho, um pouco mais de direção artística teria transformado “The Storm” num álbum melhor. Esse disco tem um repertório muito cheio, o que gera um cansaço depois de escuta-lo por completo. Como não contém canções memoráveis ou algum grande destaque, torna tudo ainda mais difícil de digerir. Se quiser dar alguma chance para Tech N9ne comece ouvindo os singles, pois o álbum completo é um tanto quanto decepcionante.

Favorite Tracks: “Godspeed”, “Need Jesus (feat. Stevie Stone & J.L.)” e “Erbody But Me (feat. Bizzy & Krizz Kaliko)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.