Resenha: Tech N9ne – Dominion

Lançamento: 07/04/2017
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: Strange Music
Produtores: Seven e Joshua S. Barber.

Tech N9ne é um dos rappers independentes de maior sucesso na indústria do hip-hop. O fundador da Strange Music conquistou uma série de fãs graças à sua extensa discografia. O seu rótulo, certamente, deveria ser mais reconhecido por sua independência. O mais recente trabalho de Tech N9ne, intitulado “Dominion”, é a sétima edição de uma série chamada “Collabos”. Ele é um rapper que sempre usou uma mesma fórmula ao longo de sua carreira. Muitos de seus discos possuem muitas faixas e contém a participação de diversos convidados. No entanto, uma falta de foco deixou esse disco bem cansativo. Algumas faixas empregam rimas impressionantes, porém, Tech N9ne não sai de sua zona de conforto. Em vez disso, o repertório não oferece qualquer variação em relação ao seu estilo. Fracas sequências e o enorme comprimento também não ajudam. Num repertório composto por 21 canções há um grande conteúdo filler e boring. Músicas como “Take You Down” é completamente desnecessária, ao passo que a estranha “Jesus and a Pill” fica ainda mais desinteressante próximo do final do álbum.

Um disco como “Dominion” teria sido melhor aproveitado se fosse mais curto e tivesse uma abordagem mais estruturada. O fato dele trabalhar com as mesmas pessoas fez o registro soar muito parecido com os seus antecessores. Em “Casket Music” temos um lirismo adequado sobre uma produção sedutora. Entretanto, Tech N9ne cospe e rima de uma forma pouco atraente. Há momentos que o LP fornece temas que se encaixam, “Salute” em particular. Uma música cheia de vida, com boas rimas e trompas energéticas. Em contraste, a emocionante “Angels in the Playground” é um misterioso tributo para a mãe do rapper. A colaboração com Darrein Safron e Stevie Stone em “Put Em On” destaca-se principalmente pelas teclas luxuosas e sintetizadores. Outra faixa cativante é “Nevermind Me”, pois contém boas pancadas de bateria, ótimas melodias e um forte sintetizador. Essa canção, em particular, destaca-se pelo bom contraste das performances vocais de Stevie Stone, Tech N9ne, Krizz Kaliko e Mackenzie Nicole. “Reloaded”, por sua vez, é interessante por conta da inspiração trap e estilo intrigante dos convidados.

Enquanto o álbum é preenchido por alguns bangers absolutos e vê Tech N9ne explodindo com toques da Strange Music, existem outras faixas fillers que sequer apresentam o próprio Tech. Com 18 discos completos em seu currículo, “Dominion” está longe de ser classificado como o melhor deles. Algumas músicas são fortes, mas a maioria não oferece um som sólido. Em muitos casos, Tech N9ne torna-se um espectador em seu próprio show e isso soa muito estranho. Além disso, “Dominion” mostra muitas de suas fraquezas como rapper. Um álbum que deveria reafirmar a sua experiência como artista, mas é atormentado por uma falta de foco e direção. Consequentemente, uma coisa que precisa ser dita, é que este registro não parece um material de Tech N9ne. É praticamente uma compilação feita com a tentativa de parecer superior. Embora as contribuições vocais de Tech N9ne sejam, muitas vezes, agradáveis e bem-sucedidas, esse álbum realmente não ajuda na progressão e sucesso da Strange Music como um rótulo destinado aos iniciantes do hip-hop. “Dominion” é, em outras palavras, um álbum bastante inconsistente e incoeso, que não faz jus a sua própria ambição.

Favorite Tracks: “Put Em On”, “Nevermind Me” e “Reloaded”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.