Resenha: Taylor Swift – Red

Lançamento: 22/10/2012
Gênero: Pop, Country, Rock
Gravadora: Big Machine Records
Produtores: Scott Borchetta, Taylor Swift, Nathan Chapman, Jeff Bhasker, Dann Huff, Jacknife Lee, Max Martin, Shellback, Butch Walker e Dan Wilson.

Lançado em 22 de outubro de 2012, “Red” é o quarto álbum de estúdio de Taylor Swift. O título foi inspirado pelas relações tóxicas que a cantora experimentou durante o processo de gravação. Ela descreveu as emoções que sentiu como “emoções vermelhas” devido à sua condição intensa e tumultuada. Esse disco explora temas exclusivos da cantora sobre o amor e desgosto, porém, sobre uma perspectiva mais madura. Ademais, o conteúdo lírico também fala sobre a fama e a pressão que sofre por estar no centro das atenções. “Red” é o primeiro disco experimental de Swift, uma vez que apresenta novos gêneros musicais. É também o seu primeiro trabalho com produções dos hitmakers Max Martin e Shellback. Além deles, o álbum conta com produções de colaboradores de longa data da cantora, como Scott Borchetta e Nathan Chapman. “Red” estreou no número #1 da Billboard 200 com incríveis vendas de 1,2 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos. No final, o disco acabou vendendo mais de 4,1 milhões de cópias em território americano. Ou seja, em termos comerciais, o álbum foi muito bem-sucedido. Pode-se dizer que o “Red” é a oferta mais eclética de Taylor Swift até à data. Embora apresente bandolim, banjo e violão em sua estrutura é, em muitos aspectos, o primeiro álbum pop da cantora.

Além disso, possui acordes mais fortes, percussões pré-programadas e batidas de dubstep. Foi a primeira indicação de que Swift iria definitivamente para a música pop, algo concretizado com o “1989” (2014). “Red” é um disco muito coeso, apresentado como uma narrativa cronológica que traça a ascensão e o término de um relacionamento. Juntamente com isso, temos arrependimentos, recuperação subsequente e um amor redescoberto nas letras. Os principais personagens, pelo que tudo indica, são Jake Gyllenhaal, Conor Kennedy e, possivelmente, Harry Styles. Tal como acontece com os seus álbuns anteriores, “Red” apresenta algumas melodias e letras complicadas, intercaladas com números mais otimistas, como “We Are Never Ever Getting Back Together”. E isso é o que Taylor Swift faz de melhor. Ela consegue mesclar músicas cativantes, como “You Belong with Me” e “Mean”, com faixas extremamente emocionais, tais como “Fifteen” e “Dear John”. Com vários Grammy Awards e singles de sucesso em seu currículo, Swift sempre sabe o que está fazendo. Quem gosta dos seus primeiros três álbuns devem ter notado alguns diferenças e novidades no “Red”. Mas, certamente, terão a mesma facilidade para gostar do seu repertório.

“State of Grace” é uma boa abertura para o álbum, pois mostra a maturidade de Swift e contém letras honestas sobre as alegrias de um relacionamento. Musicalmente, é uma canção country com inesperadas influências de rock-alternativo. O seu som mais amplo é aplicado sobre gigantes tambores e uma guitarra rítmica. Aparentemente, a julgar pela letra, fala sobre o seu namoro com o ator Jake Gyllenhaal. “O amor é um jogo cruel / A não ser que você o jogue direito”, ela canta. Lançada como single promocional, “Red” é uma faixa country que resume a dor e paixão de Swift. Embora o tema aqui torne-se um pouco repetitivo à medida que o álbum progride, é um ótima música up-tempo. É uma canção que usa cores e metáforas para descrever um relacionamento complicado. O refrão depende muito de uma pontuação eletrônica (“R-r-red”), um detalhe muito ousado e cativante. “Treacherous”, co-escrito e produzido por Dan Wilson, que trabalhou no clássico “21” de Adele, é outra boa música country sobre se apaixonar, mesmo quando você sabe dos riscos disso. “E eu vou fazer qualquer que você dizer / Se você dizer isso com suas mãos”, Swift canta. O lick de guitarra e a percussão são consistentes, enquanto os vocais, dessa vez, estão mais suaves e sensuais. “I Knew You Were Trouble”, um dos grandes hits do álbum, é particularmente a melhor faixa encontrada por aqui.

Uma canção eletropop e dubstep viciante e poderosa produzida por Max Martin e Shellback. Taylor Swift nunca tinha ficado tão longe do country como nas batidas eletrônicas e cantos filtrados de “I Knew You Were Trouble”. Liricamente, é outra faixa que aborda a vida amorosa da cantora, entretanto, sua letra é ofuscada pelo pisoteado eletrizante da canção. Comercialmente, é uma de suas músicas mais vendidas digitalmente nos Estados Unidos, com cerca de 5 milhões de downloads pagos. Inicialmente, “I Knew You Were Trouble” começa como uma típica música pop-rock, com sons de guitarra e letras que descrevem um romance. À medida que progride, ela muda de direção e oferece uma instrumentação formada por baixo, teclado, guitarra elétrica e potentes batidas dubstep. Em seguida, “All Too Well” retorna para um território familiar de Taylor Swift. Uma canção country que olha para os pontos altos e momentos delicados de um namoro, depois que ele terminou. É a primeira balada tradicional do repertório, com vocais que adicionam uma sensação agridoce à música. “Então você me liga de novo / Só para me quebrar, como uma promessa / Tão casualmente cruel, sob o pretexto de ser honesto”, ela canta de forma deprimente.

“22” é a segunda colaboração de Taylor Swift com Max Martin e, como esperado, é outra canção pop com um refrão apaixonante e radio-friendly. Debaixo de um grande positividade e produção brilhante, Swift fala sobre como se sentia aos 22 anos de idade. Ao contrário de grande parte do álbum, “22” possui uma letra muito simples, demasiadamente leve e divertida. Consequentemente, não se encaixa tão bem no “Red”, um álbum que mostrou um grande crescimento e maturidade de Taylor Swift. De volta ao território country temos a faixa “I Almost Do”, canção acústica guiada por violões e letras dolorosas. É um bom acompanhamento para “All Too Well”, em termos de estilo e conteúdo lírico. Aqui, a cantora canta sobre a tentação de voltar com um ex-namorado. O primeiro single do álbum, “We Are Never Ever Getting Back Together”, também foi a primeira canção de Swift a atingir o topo da Billboard Hot 100. Em sua primeira semana, vendeu 623 mil cópias nos Estados Unidos, um recorde que viria a ser quebrado em 2015 por “Hello” (Adele). “We Are Never Ever Getting Back Together” é uma canção dance-pop que combina o apelo inocente de Taylor Swift com a produção cativante de Max Martin.

Nessa canção ela está extremamente confiante, principalmente em termos de humor e linguagem. Sonoramente, a faixa possui uma produção eletrônica pesada, guitarra acústica, sintetizadores e bateria eletrônica. Na letra ouvimos Swift cantar sobre o término de um relacionamento e como o ex-namorado quer voltar com ela. A nona faixa, “Stay Stay Stay”, é uma canção alegre, doce e animada, apesar das letras mostrarem Taylor Swift desesperada para salvar o seu namoro. Assim como “22” é outro momento de positividade no meio do álbum. Instrumentalmente, a canção oferece sons de bandolim, baixo e muitos handlclaps. Entretanto, não é uma faixa memorável ou de grande destaque. “The Last Time” é uma das duas colaborações do álbum, canção que apresenta Gary Lightbody da Snow Patrol. É uma música de rock-alternativo e folk-rock tipicamente deprimente. É um dueto bem pesado e temperamental, uma vez que a voz de Lightbody arrasta para baixo a energia jovem da Taylor Swift. A canção foi produzida por Jacknife Lee, que é mais conhecido por trabalhar com o U2 e Snow Patrol. É uma música muito poderosa, com um forte refrão e um dramático arranjo de cordas.

Liricamente, “The Last Time” descreve um namoro como um ciclo vicioso de dor e perdrão. “Você se encontra em minha porta / Igual a todas as outras vezes / Você usa sua melhor desculpa / Mas eu estava lá para ver você partir”, eles cantam. Em seguida, “Holy Ground” tenta levantar o humor sombrio da faixa anterior. Uma canção feita especialmente para o público jovem de Taylor Swift. Uma música que faz referências a um relacionamento perfeito: “E ali foi onde nós ficamos foi nossa terra sagrada / E lá onde estávamos era uma terra sagrada”. É um número catchy que se beneficia do consistente e rítmico tambor fornecido por Jeff Bhasker. A partir de “Holy Ground”, o álbum acena fortemente para os discos anteriores de Taylor Swift. “Sad Beautiful Tragic”, por exemplo, não mostra a mesma inovação da primeira metade do registro. Aqui, temos uma canção de amor triste conduzida por uma lenta guitarra acústica. Não é uma faixa tão articulada, visto que o refrão envolve principalmente as três palavras do título. Sem dúvida, Swift sabe como trabalhar em cima de um minimalismo conteúdo lírico. “The Lucky One”, outra produção de Jeff Bhasker, também se apoia fortemente na percussão.

Dessa vez, a cantora fala sobre os perigos e as dificuldades da fama. As letras não são tão envolventes, porém, eu gosto do tom de sua voz aqui. “Everything Has Changed”, por sua vez, é um dueto com Ed Sheeran, uma balada com violão que combina os gêneros folk e pop. Liricamente, ambos cantam sobre o impacto que um novo romance causa em sua vida: “Só quero conhecer você melhor, conhecer / Você melhor, conhecer você melhor agora”. Presumivelmente, Swift escreveu essa música para Conor Kennedy, o seu namorado na época. Tematicamente, essa canção é Taylor Swift no seu mais familiar e clichê, mas não deixa de ser adorável. A penúltima faixa, “Starlight”, é liricamente uma reminiscência de “Holy Ground”. Uma faixa agradável que fala sobre passar a noite perfeita com o seu namorado. “Não consigo me lembrar que música estava tocando / Quando entramos / Na noite em que entramos escondidos numa festa num iate / Fingindo ser uma duquesa e um príncipe”, ela canta. “Starlight” pode ser classificada como o equivalente a “Love Story” e “Mine”, por causa de sua melodia dançante e letra apaixonada. A última faixa do álbum é certamente uma das melhores canções da carreira da Taylor Swift. Para um álbum tão longo, é interessante saber que ela colocou uma das melhores faixas no final.

Com tantas músicas focadas em relacionamentos ruins e a dor causada por eles, “Begin Again” termina o disco com uma nota otimista. A música fala sobre se apaixonar novamente, depois de um relacionamento que não deu certo. E, mesmo relembrando sobre um namoro que deu errado, a letra mostra Swift pronta para deixar o passado para trás e seguir em frente. “E, pela primeira vez / O que passou passou”, ela canta, conforme um suposto novo amor afasta as más lembranças do passado. “Begin Again” é sobre encontrar esperança depois de dias ruins: “Passei os últimos oito meses / Pensando no fato de que tudo o que o amor faz / É partir, queimar e acabar / Mas, numa quarta-feira, num café / Eu vi isso recomeçar”. Poderia ter sido brega, mas as letras de “Begin Again” incluem observações muito interessantes que se desviam de qualquer clichê. Musicalmente, é uma linda balada country com vocais incrivelmente suaves, que termina o álbum com uma nota excepcionalmente memorável. Eu sou, particularmente, um grande fã desse álbum, apesar de ser muito longo. Algumas faixas levam um certo tempo para crescer em você, mas, quando isso acontece, ficam presas na sua cabeça por muito tempo. Taylor Swift é uma compositora muito talentosa e conseguiu encontrar o equilíbrio perfeito aqui. Portanto, se você nunca ouviu esse disco completo, dê uma chance a ele. Você vai ser surpreendido positivamente!

Favorite Tracks: “I Knew You Were Trouble”, “All Too Well” e “Begin Again”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.