Resenha: Tarja – The Shadow Self

Lançamento: 05/08/2016
Gênero: Rock Sinfônico, Metal Sinfônico
Gravadora: earMUSIC
Produtor: Tarja Turunen.

Tarja Turunen é uma soprano com alcance vocal de três oitavas, conhecida como a Rainha do Metal. Ela é uma cantora clássica profissional, mais conhecida como ex-vocalista da banda Nightwish, que fundou ao lado de Tuomas Holopainen e Emppu Vuorinen em 1996. Depois de lançar o EP “The Brightest Void” em junho desse ano, a cantora finlandesa divulgou o seu sexto álbum de estúdio em agosto. Intitulado “The Shadow Self”, é um disco que mostra mais do seus intermináveis talentos vocais. A sua fluída composição prova que a ex-Nightwish está andando com seus próprios pés, em meio a uma liberdade criativa imponente. Ao longo dos anos, Tarja criou um nome para si no Nightwish, por isso muitas a consideram a Rainha do Metal Sinfônico.

Desde a sua saída da banda, ela conseguiu criar sua própria música que traz elementos desde o clássico metal. O registro tem diferentes temas sobre a natureza e suas próprias situações pessoais. Além disso, Tarja escreveu letras que tentam captar a escuridão e emoção pessoal dentro de si. “The Shadow Self” abre com “Innocence”, uma faixa clássica com um piano que flui maravilhosamente bem. Após a introdução, ela move-se em direção a um estilo de metal sinfônico. A voz de Tarja abre com letras emotivas sobre tristezas pessoais. Musicalmente, ela percorre um som mais pesado do rock com uma clássica e familiar melodia. É uma canção tão forte e intrigante que fica presa na sua cabeça.

O estilo muda com “Demons in You”, canção que apresenta vocais de Alissa White-Gluz. Ela começa com um rock progressivo, enquanto lentamente molda-se para algo mais escuro e pesado. A mistura dos vocais de Tarja e Alissa são muito bem colocados juntos. É uma faixa com um riff de guitarra interessante sobre os vocais de Tarja, algo que nos lembra os seus tempos de Nightwish. A próxima música, “No Bitter End”, foi destaque no EP “The Brightest Void”, sendo colocada aqui apropriadamente como terceira faixa. É uma canção que, mais uma vez, começa com solitários vocais de Tarja, antes de ser acompanhada por guitarra e bateria. É uma versão mais completa, embora possua uma introdução diferente.

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A quarta faixa, “Love to Hate”, apresenta um grande contraste de pesados riffs de guitarra, violoncelo e vocais. É uma canção muito bem construída e diferente de qualquer coisa que Tarja fez antes, conforme ela canta sobre dor, tristeza e perda de esperança. A próxima faixa é um cover de “Supremacy” da banda Muse. Enquanto não é algo que eu esperaria de Tarja, é uma canção que funcionou surpreendentemente bem. Seus vocais de soprano substituíram com facilidade os vocais em falsete de Matt Bellamy. Isto nos leva para “The Living End”, que oferece uma mudança de ritmo ao ser uma faixa acústica. Temas deprimentes permanecem aqui, desde a sua introdução mórbida e calmante.

Em seguida, Tarja mostra mais do seu lado teatral durante a faixa “Diva”. É uma canção muito diferente e demasiada estranha para o repertório. Os vocais são bons, mas, no geral, é uma música equivocada e pouco atraente. “Eagle Eye” acrescenta uma profundidade vocal refrescante ao disco, uma vez que conta com a participação de Toni Turunen, seu irmão mais novo. Em seguida, a escuridão continua nas faixas “Undertaker” e “Calling From the Wild”. Ambas faixas apresentam tons agressivos e depressivos que, neste ponto do álbum, tornam-se os momentos mais pesados do LP. “Too Many” conclui o álbum com camadas detalhadas e um canto assustador.

Essa canção beira a marca dos 13 minutos de duração e usa seus segundos finais para deixar os vocais de Tarja isolados no centro do palco. É uma faixa interessante, embora cause um pouco de confusão devido a transição dos pesados riffs para uma parte eletrônica completamente aleatória. “The Shadow Self” mostra com segurança o valor que Tarja Turunen tem para o gênero metal sinfônico. É outro ótimo álbum e um destaque dentro de sua discografia solo. É um registro variado, com um par de torções musicais, que provam que a cantora amadureceu ao longo dos anos. Outro álbum altamente polido, pensativo e agradável.

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Favorite Tracks: “Innocence”, “Demon’s In You (with Arch Enemy’s Alissa White-Gluz)”, “No Bitter End”, “Supremacy (Muse Cover)” e “Eagle Eye (feat. Toni Turunen)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.