Resenha: Take That – Wonderland

Lançamento: 24/03/2017
Gênero: Pop
Gravadora: Polydor Records
Produtores: Mike Crossey, Tony Hoffer, Stuart Price, Mark Ralph, Charlie Russel e Sigma.

Take That, atualmente formado por Gary Barlow, Howard Donald e Mark Owen, lançou em março de 2017 o seu oitavo álbum de estúdio. Intitulado “Wonderland”, esse disco está longe de ser o mais coeso do grupo. Entretanto, o que falta em conjunto e técnica, é compensado pelo entusiasmo do trio. Eles são muito apaixonados por sua profissão e, aparentemente, só querem se divertir enquanto distraem os fãs. É quase impossível o “Wonderland” reproduzir o auge do sucesso que esse grupo já teve um dia. Depois da saída de Jason Orange, o trio restante tenta manter algum equilíbrio. Como todo mundo sabe, Take That já esteve entre as boybands mais populares e queridas da década de 90. Eles formavam um tríade poderosa ao lado dos Backstreet Boys e ‘N Sync.

Apesar de eu preferir os outros dois grupos, eu ainda gosto dos primeiros trabalhos do Take That. Eles sempre tiveram uma certa energia e vivacidade que destacava o seu som. No entanto, essa energia parece ter sumido em seus últimos lançamentos, como “The Circus” (2008) e “III” (2014). Nos últimos anos, inclusive, eles foram bastante ignorados pelos críticos e público em geral. “Wonderland” segue por um caminho parecido do seu antecessor, entregando músicas superficiais e muitas vezes genéricas. Em determinados momentos, parece que estamos escutando uma mistura estranha de bandas como Train e Maroon 5. Não há como negar que Gary Barlow possui boas habilidades de composição. Porém, a maioria do repertório carece de momentos brilhantes e que causem alguma faísca.

A maioria das músicas são principalmente mid-tempos e extremamente leves. Mas não se sentem tão organizadas ou direcionadas como deveriam ser. A faixa-título, “Wonderland”, abre o disco com um tom misterioso e hipnótico. É provavelmente a melhor faixa do álbum. Ela começa com uma vaga sensação oriental, antes de se tornar uma interessante música pop. O refrão é o destaque da música, pois contém uma batida atraente e boas letras. “Wonderland” é uma música sólida para começar o álbum, uma vez que dá uma pequena visão do estilo musical que podermos esperar do registro. Entretanto, são poucos os momentos do álbum que realmente prendem a atenção. Lançado como primeiro single, “Giants” combina elementos do novo som do Take That com às suas raízes. Sintetizadores e cordas são muito usados nessa música, além de refrões que se elevam grandemente.

A terceira faixa, “New Day”, começa com um ukelele, porém, não passa de uma simples música pop. Suas letras são muito básicas, mesmo que sejam cheias de otimismo. “Lucky Stars” é um número eletrônico e funky, aparentemente inspirado pelo Daft Punk. Uma canção muito sintética, com linhas de baixo e vibrações dos anos 80. Depois de “And the Band Plays”, temos uma música que consegue se destacar. Intitulada “Superstar”, ela foi produzida por Stuart Price e é comandada vocalmente por Owen. O primeiro verso é muito despojado, antes de uma batida viciante surgir. À medida que o segundo refrão se aproxima, uma vibração familiar é adicionada. Isso continua em direção ao final da música, onde uma guitarra poderosa surge.

“Superstar” é a única que tira vantagem do som alegre do Take That, além de exibir uma ponte muito boa. “Hope” é uma balada sincera meio reminiscente de “Flaws”, faixa do álbum “III”. Ela permite os vocais de Gary brilhar, porém, em vez de manter um bom nível, ela decai à medida que progride. Para uma canção chamada “Hope”, ela exibe pouco otimismo e, consequentemente, não condiz com o título. Um contraste ruim é sentido entre “Hope” e a próxima faixa, “River”. Uma música up-tempo que dá uma perspectiva desordenada e incoesa para o álbum. O uso ocasional de tambores e a melodia nos fazem lembrar de algumas músicas da banda DNCE. As suaves harmonias e simplicidade das letras de “The Last Poet” são pontos muito interessantes. Porém, sua melodia é quase uma esquete do Coldplay.

Apesar da falta de identidade, é uma música bastante agradável. Em “Every Revolution”, Donald finalmente assume os vocais principais. Essa faixa me lembrou um pouco de “Affirmation” do álbum “Progress”, embora ela seja mais relaxada. Dessa vez, os vocais aparecem sobre uma batida mais eletrônica. Por último, a balada “It’s All for You” encerra a versão padrão do álbum. Infelizmente, é uma canção muito comum e superficial, que fornece um final melancólico e desinteressante. É muito fácil para um grupo ou artista produzir o mesmo tipo de música. Por este motivo, vemos que Gary, Mark e Howard preferiram não empurrar seus limites musicais. Há alguns elementos e refrões interessantes ao longo do registro. Porém, na maior parte, “Wonderland” é um material comum, demasiadamente simples e pouco atrativo.

Favorite Tracks: “Wonderland”, “Lucky Stars” e “The Last Poet”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.