Resenha: SZA – Ctrl

Lançamento: 09/06/2017
Gênero: R&B, Neo Soul, Indie Rock
Gravadora: Top Dawg Entertainment / RCA Records
Produtores: Anthony “Top Dawg” Tiffith, Terrence “Punch” Henderson, Dave “Miyatola” Free, Bēkon, Craig Balmoris, Hector Castro, Cam O’bi, The Donuts, Frank Dukes, Carter Lang, Josef Leimberg, Scum e ThankGod4Cody.

Solana Imani Rowe, mais conhecida pelo nome artístico SZA, é uma cantora e compositora americana de St. Louis, Missouri. Sua carreira começou a deslanchar depois que assinou um contrato com a Top Dawg Entertainment (a mesma gravadora de artistas como Kendrick Lamar e ScHoolboy Q). SZA explora gêneros como o neo-soul e R&B alternativo, sempre incorporando elementos de soul, hip-hop, rap e R&B minimalista em suas músicas. Suas letras giram em torno, principalmente, de nostalgia, relacionamentos, abandono e sexualidade. Entre as suas principais influências, SZA cita a cantora Meelah e a banda Jamiroquai. Em 09 de junho de 2017, ela lançou o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “Ctrl”. Ele contém quatorze faixas e participação de Travi$ Scott, Kendrick Lamar, James Fauntleroy e Isaiah Rashad. Solana Rowe é uma artista realmente inovadora e talentosa. Neste registro, ela forneceu um som focado e uma série de lindas performances vocais. A fusão de conceitos e letras íntimas com instrumentos melodicamente refinados, criaram uma emocional e requintada viagem musical. Ela explora temas como relacionamentos, sexo e lutas pessoais de uma maneira autêntica e bastante honesta.

SZA brilha quando canta sem remorso sobre a sua vida, sempre evitando clichês cansativos. A sua abordagem audaciosa e sem remorso faz ela conectar-se facilmente com o ouvinte. Vocalmente, SZA também brilha ao longo do álbum, sem perder uma única batida ou nota. Ela consegue explorar toda a gama de sua voz sobre uma produção descontraída, que inclui uma variedade de texturas e instrumentação ao vivo. Liricamente, as canções parecem uma coleção de memórias românticas profundamente pessoais, que incluem contos de infidelidade e questões de auto-estima. Dito isto, suas letras são alimentadas por uma natureza confiante, crua, íntima e erótica. Desde o início até o final do álbum, você ficará impressionado com os elementos artísticos e entrega vocal de SZA. A faixa de abertura, “Supermodel”, detalha um relacionamento do passado revestido com segredos e vingança. Suave e de ritmo lento, essa canção define o tom para o resto do álbum. Mais da metade da música não contém bateria, apenas a infusão de uma guitarra elétrica e um baixo. “Por que você me incomoda / Quando você sabe que não me quer?”, SZA protesta em “Love Galore”, sua colaboração com Travi$ Scott.

Claramente, a música aborda um relacionamento com alguém que não pode se comprometer com ela. Scott termina o segundo verso dando a sua perspectiva masculina da questão. É uma música de R&B alternativo poderosa, onde as letras exalam uma natureza emocional e um lado sexual exuberante. Em “Doves in the Wind”, com Kendrick Lamar, temos outra lição de vida sobre como há mais para oferecer em um relacionamento do que apenas sexo. É uma canção inteiramente dedicada às mulheres. A maior parte do canto de SZA têm um bom fluxo, batidas contundentes, interessantes melodias e instrumentação maravilhosa. Em seguida, a cantora aborda a insegurança que pode vir em qualquer relacionamento, na faixa “Drew Barrymore”. “Eu fico tão sozinha / Nós ficamos tão solitários”, ela canta aqui. Com uma guitarra semelhante à da primeira faixa e uma vibração sombria e relaxada, SZA canta sobre auto-estima. É um verdadeiro hino de R&B para o auto-consciente. Outras canções do álbum também valem muito a pena ouvir, como “The Weekend”, devido à abertura de sintetizador e natureza sedutora, “Prom” e sua mistura sonhadora que transmite o medo do envelhecimento, e “Wavy (Interlude)”, graças aos vocais angelicais e sonoridade minimalista.

Nesta última, além do ritmo suave e atraente, temos a presença do talentoso James Fauntleroy. “The Weekend” é um número de R&B com sintetizadores de piano que nos levam à acordes apoiados por chimbais e tambores rítmicos. Do começo ao fim, a voz de SZA cria uma imagem vívida de uma situação complexa e perturbadora. Enquanto “Pretty Little Birds” convida o seu companheiro de etiqueta, Isaiah Rashad, para uma diversão jazzística, “Anything” faz um uso interessante de distorção e novas técnicas sonoras. “Ctrl” é concluído com a reflexiva “20 Something”, uma canção delicada sobre a juventude e idade adulta. Ela canta sobre seções de guitarras acústicas reprimidas que, de certo modo, nos lembram a abertura do álbum. “Ctrl” é tudo sobre estar consciente, mas também não ter controle. É uma obra lírica que realmente vale a pena ouvir por completo. À medida que chega ao fim, “Ctrl” pode ser visto como um álbum que percorre o espaço entre a juventude fugaz e a incerteza da vida adulta, a confusão entre o amor e sexo, e o tumulto causado pela falta de confiança. Em suma, “Ctrl” é certamente um dos melhores álbuns de R&B do ano.

Favorite Tracks: “Love Galore (feat. Travi$ Scott)”, “Drew Barrymore” e “The Weekend”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.