Resenha: Syd – Fin

Lançamento: 03/02/2017
Gênero: R&B Alternativo, Neo Soul, Hip-Hop
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Anthony Kilhoffer, Flip, Hit-Boy, HazeBanga, Isiah Salazar, J Gramm, Melo-X, Nick Green, Rahki, Steve Lacy e Syd.

Sydney “Syd” Bennett já é uma artista relativamente conhecida na indústria, seja pelo seu trabalho como DJ ou integrante do grupo de hip-hop Odd Future. Talvez você a conheça como voz da banda de neo-soul The Internet ou, muito possivelmente, você a ouviu na faixa “You’re the One” do aclamado álbum “99.9%” (2016) de Kaytranada. “Fin” marca o primeiro trabalho solo de Syd, com uma produção dividida entre ela e alguns nomes conhecidos, como Hit-Boy, Melo-X e Rahki. Esse álbum é uma apresentação bem-sucedida de Syd, com letras que giram em torno de sua sexualidade, inseguranças e aspirações. O ouvinte não deve ser enganado pela doce voz de Syd. Seu vocal é equilibrado, confiante e aberto à vulnerabilidades. E tudo aqui funciona porque é muito despretensioso. O repertório é impressionante em sua capacidade de construir um espaço coeso entre a suavidade de Syd e a escuridão das letras. Musicalmente, “Fin” é um álbum com batidas sedosas de R&B e elementos trap. O álbum começa com “Shake Em Off”, um número lento e potente produzido por Hit-Boy. Liricamente, essa faixa estabelece temas como ascensão, sexo e decisões. As letras de Syd são cheias de arrogância e entregues com uma confiança iminente.

É uma canção introdutória ideal para o álbum, por causa da mensagem que Syd tenta transmitir. O som geral de “Shake Em Off” é suave e permite você conectar-se com as letras e vocais. De um modo geral, a voz de Syd não atinge grandes alturas em comparação com artistas como Kelela e SZA. Mas é exatamente por isso que as coisas funcionam tão bem aqui. Dito isto, podemos encontrar vislumbres ocasionais de sua proeza vocal, principalmente em “Know” e “Smile More”. “Know”, em particular, vê Syd soando impressionantemente delicada, com seu falsete arejado contrastando muito bem com a edição vocal. Em “Nothin to Somethin” ela fala sobre seu relacionamento com as mulheres, e deixa claro que está focada em sua felicidade. A batida é muito descontraída e sua voz está extremamente cativante. O primeiro single, “All About Me”, não é excessivamente original em sua instrumentação, mas a obstinação de Syd mantêm as coisas muito interessantes. “Got Her Own”, por sua vez, aborda a curiosidade em torno da mulher moderna e independente. É incrível que até faixas com pouco mais de 1 de duração, como “No Complaints”“Drown in It”, conseguem ser memoráveis.

Faixas como “Drown in It” e “Body” são relativamente diretas e conduzidas de forma sedutora. Syd não teve medo de ficar sexual enquanto explora o corpo de alguém em “Body”. Aqui, ela descreve não apenas um encontro sexual com uma mulher, mas os elementos sexuais do corpo de uma mulher. Algumas sensibilidades dos seus antigos grupo percorrem pelo repertório do “Fin”, especialmente na faixa “Insecurities”. Essa faixa consegue finalizar o registro de forma esperançosa e sonhadora. Há alguns pontos onde o álbum como um todo arrasta-se e as coisas ficam um pouco sonolentas. Mas, no geral, “Fin” realmente estabelece uma história ampla, algo que você vai querer ouvir do início ao fim. É um álbum curto e doce. Ao longo de seus 37 minutos, “Fin” apresenta uma variedade de arranjos e batidas que fluem muito bem. Nesse álbum, Syd explora sua paixão pelas mulheres, vulnerabilidade no amor, recusa em internalizar sua identidade e auto-crenças. Todo o álbum parece ser muito profundo, mesmo que não seja algo intencional. O talento de Syd foi definitivamente um mérito para o trabalho como um todo. Com este projeto, a cantora provou que pode facilmente seguir em carreira solo.

Favorite Tracks: “Nothin to Somethin”, “All About Me” e “Body”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.