Resenha: Switchfoot – Where the Light Shines Through

Lançamento: 08/07/2016
Gênero: Rock Alternativo, Pop Rock
Gravadora: Vanguard Records
Produtores: Switchfoot e John Fields.

Switchfoot é uma banda de rock alternativo composta pelos membros Jon Foreman, Tim Foreman, Chad Butler, Jerome Fontamillas e Drew Shirley. Após o sucesso inicial no cenário rock cristão, Switchfoot ganhou reconhecimento mainstream com a inclusão de algumas canções no filme “Um Amor para Recordar” (2002). Este reconhecimento os ajudou a assinar com uma grande gravadora e lançar o álbum “The Beautiful Letdown”. Lançado em 08 de julho de 2016, “Where the Light Shines Through” é o décimo álbum de estúdio da banda. Ele é o primeiro disco do grupo lançado pela Vanguard Records, um selo independente. Gravado em San Diego, Califórnia, o álbum foi produzido pelos próprios músicos da banda e John Fields. É um disco exuberante, que mostra a banda equilibrando vários sons dos quais eles experimentaram ao longo da carreira.

Desde os seus dias de pop punk e new wave, em meados dos anos 2000, Switchfoot sempre encontrou alguma nova maneira de se apresentar. “Where the Light Shines Through” é um registro robusto, ambicioso e estilisticamente de longo alcance. Ele se sente como um sucessor natural para a sensibilidade apresentada no disco “Fading West”. Embora apresente um novo sentido sonoro, o álbum não mostra qualquer mudança drástica. Ele é apenas diferente dos últimos lançamentos da banda, visto que é mais refrescante. Tematicamente, é um registro que desvia-se do romance para algo mais pessoal. Com quase 20 anos de carreira, percebemos que Switchfoot amadureceu bastante. E esse novo álbum pode ser considerado o mais diversificado da banda, até a presente data. O repertório abre com “Holy Water”, uma canção intensa que, provavelmente, possui o trabalho mais sujo na guitarra.

Enquanto a instrumentação é reminiscente do “Hello Hurricane”, a música em si é organizada na clássica estrutura da banda. Em seguida, temos “Float”, uma das melhores faixas de todo o álbum. Um número peculiar e com uma divertida percussão, que faz o começo do álbum ser fresco e convidativo. “Float” adiciona um toque reminiscente do funky dos anos 70 através de um bassline energético. A força desta canção, sem dúvida, reside no seu groove extremamente cativante. A faixa-título, “Where the Light Shines Through”, apresenta um toque country e gospel muito familiar para o grupo. É uma canção que examina a dor e o sofrimento de uma forma muito esperançosa. “I Won’t Let You Go” é uma bela e simples balada, muito marcante na forma como exala diferentes emoções.

Switchfoot

Ela começa de forma lenta e consegue uma progressão bem natural. O seu ritmo é delicado e a composição apresenta guitarras, violinos e algumas das letras mais fortes do álbum. É a música mais comovente, íntima e dinâmica encontrado por aqui. A potente “If the House Burns Down Tonight”, em homenagem à esposa de Jon Foreman, e a triunfante “The Day That I Found God”, não são musicalmente memoráveis, entretanto, possuem ótimas composições. Não deixe o lento início de “If the House Burns Down Tonight” enganá-lo, pois o seu ritmo muda rapidamente, à medida que lembra alguns trabalhos de Billy Joel. “The Day That I Found God” é mais espiritual e emocional, e onde muitos ouvintes poderão se relacionar de forma positiva. É o pronunciamento mais sábio a respeito da fé cristã da banda.

“Shake This Feeling”, “Bull in a China Shop” e “Live It Well” possuem estruturas semelhantes e oferecem alguma pausa agradável para o álbum. “Shake This Feeling” possui harmonias bem sólidas e poderia até ser promovida como single. “Live It Well” é completamente reminiscente de antigos trabalhos da banda, apesar de ser muito simplista. “Bull in a China Shop”, por sua vez, é uma faixa animada que gira em torno da bateria de Chad Butler. Suas guitarras mais ásperas e riffs matadores também chamam atenção. Entretanto, apesar dos pontos fortes, não demonstra ter qualquer potencial a longo prazo. “Looking for America”, com Lecrae, é um rock alternativo vigoroso com uma batida muito hipnótica. Sua letra é politicamente inclinada, visto que questiona a liberdade, violência e as guerras. Lecrae é uma adição oportuna, pois é um rapper cristão que, muitas vezes, fala sobre injustiça social através de sua música.

“Healer of Souls” é uma pista sólida que traz a diversão de volta, sob um ritmo pop-rock cativante. Sua impetuosa guitarra e percussão me fez lembrar, mesmo que vagamente, do duo Black Keys. A última faixa, “Hope Is the Anthem”, é outra canção que abraça o tradicional som do Switchfoot. Essa canção mostra tudo que a banda costuma ter: energia, cordas, força na guitarra e vocais edificantes. Algumas das melhores canções foram resultados das lutas pessoais de Foreman. Por isso, também é o álbum mais pessoal da banda até à data. “Where the Light Shines Through” é um registro forte em sua própria maneira. Através de sons alto e eufóricos, ele é um lembrete de que, mesmo em meio as dificuldades, a esperança é o que pode nos reerguer. Quase vinte anos depois de “The Legend of Chin”, Switchfoot mostra que só cresceu como banda.

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Favorite Tracks: “Holy Water”, “Float”, “Where the Light Shines Through”, “I Won’t Let You Go” e “Shake This Feeling”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Priscila Erlich

    Muito bem analisado. Parabéns.

    • Leo

      Obrigado Priscila! 😀