Resenha: Sum 41 – 13 Voices

Lançamento: 07/10/2016
Gênero: Metal Alternativo, Rock Alternativo, Punk Rock, Pop Punk
Gravadora: Hopeless Records
Produtor: Deryck Whibley.

Lançado quase cinco anos depois de seu álbum anterior, “Screaming Bloody Murder”, o disco “13 Voices” não só serve como um retorno para o Sum 41, como também marca a recuperação do vocalista Deryck Whibley. Depois de sofrer insuficiência hepática e renal devido ao consumo excessivo de álcool, Whibley passou um ano em recuperação. Uma vez totalmente recuperado, Whibley quis reviver a banda, descrevendo alguns dos tempos escuros que suportou antes do lançamento do “13 Voices”. É ótimo ver e ouvir Deryck Whibley saudável e recuperado. Na mesma veia de álbuns como “Does This Look Infected?” (2002) e “Chuck” (2004), o mais recente álbum do Sum 41 explora um som punk-rock mais escuro, com fortes influências do metal jogadas na mistura. “13 Voices” é pesado e obscuro. Eu sempre achei muito inteligente a forma como Sum 41 mistura suas influências punk com metal e, nesse mais novo disco, não foi diferente.

A afinidade da banda pelo hard-rock é retratada na arte do álbum e nos nomes das faixas. Gravado e produzido inteiramente na casa do frontman Deryck Whibley, “13 Voices” é uma representação assombrosa e um trabalho muito robusto. Após ouvir seus lançamentos anteriores e esta nova versão, você percebe que eles realmente amadureceram e criaram algo muito sólido. O som cru e poderoso do disco é ajudado pelo retorno do ex-guitarrista Dave Baksh, que deixou a banda em 2006. Com a adição de Baksh junto do outro guitarrista, Tom Thacker, Sum 41 está mais forte do que nunca. O álbum é também a primeira vez que a banda apresenta o novo baterista Frank Zummo. “13 Voices” é comparável ao “Chuck” porque, igualmente a ele, vê a banda tomar uma nova direção. O ato de achar novas medidas de produção, que atualizam o seu repertório enquanto refletem sobre seu som do passado, é muito admirável.

Isso não quer dizer que Sum 41 esqueceu suas raízes pop-punk, pois músicas como “Breaking the Chain” e “War” não soariam fora de lugar se estivessem presentes no álbum “Underclass Hero” (2007). As letras de Whibley, anteriormente cheias de metáforas políticas, agora contam histórias de recuperação. Mórbido e edificante em igual medida, é difícil não simpatizar com a sua recente luta. O álbum está repleto de energéticos riffs de guitarra e intensas pausas de bateria. A partir da faixa de abertura, “A Murder of Crows”, o ouvinte é guiado através de uma verdadeira viagem emocional. Ostentando uma progressão natural de fragmentos orquestrais e elementos eletrônicos, a introdução estabelece um cenário perfeito para a alta energia que surge posteriormente. Em seguida, crocantes riffs de guitarra introduzem a ótima “Goddamn I’m Dead Again”. Uma canção brutalmente honesta, pegajosa e rápida, que termina com um dos melhores solos do disco.

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Tanto o solo quanto os riffs de guitarra são fenomenais, à medida que eles surgem do nada e surpreendem o ouvinte. Além disso, a bateria é outro ponto que excede às expectativas. Os fãs com certeza encontrarão familiaridade em faixas como “Fake My Own Death”, que mostra o som de assinatura do Sum 41. Essa canção é um crossover thrash nervoso e um excelente exemplo da agressão que poderíamos esperar da banda. Os vocais de Whibley transmitem uma dor convincente, e estão centrados embaixo de poderosas guitarras. Esta ferocidade é, sem dúvida, apresentada na maioria das faixas desse registro. Uma das minha faixas favoritas, “Breaking the Chain”, faz um trabalho híbrido e revive alguns dos seus sons do passado. É uma pista pesado em sua estrutura, mas que consegue divertir o ouvinte facilmente, com seu som inspirado no início dos anos 2000. Ela possui uma vibe que lembra a banda Linkin Park e é uma das faixas mais acessíveis do disco.

Como já mencionado, há um par de canções que nos remetem aos seus dias de “Underclass Hero”. Outro bom exemplo disso é “There Will Be Blood”, quinta faixa do repertório. Essa canção faz uma mistura misteriosa de sons, vocais corais e sinistro “la-la-las” fornecidos por Whibley. A faixa-título, “13 Voices”, possui uma introdução discreta na guitarra. Essa sutileza é enganosa, pois logo ela se transforma num rápido número punk-rock. O rock alternativo “War” é uma canção melancólica com letras emocionais, fornecidas pelo vocalista Deryck Whibley, que equilibram perfeitamente a luz e escuridão. É uma faixa que oferece uma pitada de nostalgia para o ouvinte, uma vez que também lembra o disco “Underclass Hero”. “War” é onde o álbum realmente brilha, pois serve como um grito de batalha para qualquer um que está passando por momentos difíceis. Outras músicas oferecem experiências auditivas bem distintas, como o punk-rock de “God Save Us All (Death to POP)”.

Ela soa como uma reminiscência de algo que o Linkin Park faria, com vocais comprimidos, notas de piano ao fundo e amostras de sintetizadores. “The Fall and the Rise” sugere uma nova direção sonora ao explorar o metal alternativo, da qual a banda se orgulha corajosamente, antes de pisar dentro do rock melódico de “Twisted by Design”. “13 Voices” é definitivamente um álbum de retorno sólido para o Sum 41, isso ninguém pode negar. A banda uniu sua experiência de vida com uma abordagem musical afiada, e conseguiu um resultado muito positivo. O talento de todos os integrantes estão em plena exibição aqui. Mesmo com dois anos batalhando para ter de volta sua saúde, a entrega de Deryck Whibley continua tão crua e emocional como sempre foi. “13 Voices” atinge os ouvintes com suas experiências dramáticas e, por isso, a banda conseguiu criar seu álbum mais sincero e honesto até à data.

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Favorite Tracks: “Goddamn I’m Dead Again”, “Breaking the Chain” e “War”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.