Resenha: Sting – 57th & 9th

Lançamento: 11/11/2016
Gênero: Pop Rock
Gravadora: Cherrytree Records / Interscope Records / A&M Records
Produtor: Martin Kierszenbaum.

Gordon Matthew Thomas Sumner CBE, conhecido profissionalmente como Sting, foi o vocalista da banda The Police de 1977 a 1984, antes de lançar-se em carreira solo. Lançado em 11 de novembro de 2016, “57th & 9th” é o seu décimo segundo álbum de estúdio solo. É um registro decente na melhor das hipóteses, embora esteja longe de ser um clássico. A maioria das músicas possuem algo para oferecer, seja um refrão cativante ou um solo bem executado. Sting é, sem dúvida, um artista incrível que esteve por trás de uma das bandas mais bem sucedidas do Reino Unido. Em seu auge, The Police produziu um som revolucionário em uma época onde o rock & roll era um dos gêneros musicais de maior sucesso. Tendo acumulado milhões de vendas para seu nome, Sting ainda continua muito confortável fazendo música, mesmo aos 65 anos de idade.

Nesse novo álbum, o cantor apresenta temas contemporâneos, como a crise dos refugiados, as mortes de superstars e mudanças climáticas. Ele preparou uma seleção pertinente de músicas, com vocais tão marcantes quanto os de “Every Breath You Take”. O álbum começa com o primeiro single “I Can’t Stop Thinking About You”, canção que soa como algo que o The Police teria feito em seu auge. É uma música brilhante, que emana uma energia poderosa e contém melodias que ecoam pelo ska-rock do The Police. “As estrelas do rock nunca morrem”, Sting canta em “50,000”. “Eles só desaparecem”, ele conclui. Essa canção é um tributo para seus companheiros musicais que morreram em 2016. Um ano muito deprimente para a indústria da música.

“50,000” foi escrita na semana em que Prince morreu e, consequentemente, é dirigida em memória de Prince, David Bowie, Lemmy Kilmister e Glenn Frey. É uma das faixas mais lentas do álbum, uma vez que sua abordagem possui um tom emocional. “Down, Down, Down” é outra música que consegue manter a essência do The Police viva. Em sua composição encontramos um riff de guitarra ao fundo e uma bateria cheia de chimbais. O final da música é especialmente agradável, porque o tom muda e os acordes tornam-se mais fervorosos. Em seguida, “One Fine Day” surge como uma declaração política e ecológica de Sting. Nessa canção o britânico coloca seus vocais em exibição, enquanto a guitarra e bateria são atmosféricas.

É uma música divertida e dançante, porém, com um tema muito sério. Sting tenta chamar atenção das pessoas sobre as mudanças climáticas, com letras como: “Três pinguins e ursos se afogaram, o gelo em que viveram desapareceu, parece que as coisas são piores do que alguns temiam”. A próxima faixa, “Pretty Young Soldier”, fala sobre um jovem casal que foi separado durante uma guerra. Suas inclinações mais líricas acrescentam uma complexidades à narrativa dessa música, da mesma forma que em “If You Can’t Love Me”. Essa última começa como uma peça ameaçadora com piano e guitarra. É uma música que soa bastante mórbida, porém, não deixa de ser eficaz. “Petrol Head”, por sua vez, é uma música de condução rítmica, onde Sting quase grita a fim de assumir o controle.

Sua guitarra distorcida é jogado ao extremo e injeta ainda mais adrenalina à música. Sting não esqueceu do seu amor por baladas e, portanto, exibi um adorável número acústico chamado “Heading South on the Great North Road”. Acompanhado apenas por uma guitarra, ele reflete sobre a longa estrada que percorreu durante sua carreira musical. “Inshallah”, palavra árabe para “se Deus quiser”, oferece aos ouvintes uma composição com letras poderosas, excelentes vocais, guitarras e uma percussão exótica. Liricamente, a canção reflete sobre a luta dos refugiados do Oriente Médio, em busca de um lugar seguro. A última faixa do registro, “The Empty Chair”, foi inspirada pelos últimos pensamentos do jornalista americano James Foley. É uma faixa acústica muito emocional, com lentos violões e belos vocais de Sting.

Sting está tentando utilizar “57th & 9th” como uma trampolim para algo mais criativo e maduro no atual momento de sua carreira. Apesar de apresentar temas líricos diversificados, suas letras são inocentes e dramáticas demais. Enquanto alguns de seus contemporâneos inovam e atravessam novas fronteiras musicais, Sting simplesmente exibe seu típico som. Embora contenha algumas falhas e fique excessivamente mais lento na sua segunda metade, “57th & 9th” não deixa de ser um álbum agradável. E isso se deve principalmente ao fato de Sting ser um grande artista. É um registro que agrupa diferentes sentimentos e tenta levar o ouvinte em uma montanha-russa emocional. Ademais, “57th & 9th” é um trabalho robusto e confiável de um artista verdadeiramente talentoso.

Favorite Tracks: “I Can’t Stop Thinking About You”, “50,000” e “One Fine Day”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.