Resenha: Steven Tyler – We’re All Somebody from Somewhere

Lançamento: 15/07/2016
Gênero: Country
Gravadora: Dot Records
Produtores: T Bone Burnett, Marti Frederiksen, Jared Gutstadt, Dann Huff, Jaren Johnston, Jeff Peters, Poo Bear, Luke Silas e Steven Tyler.

No dia 15 de julho de 2016, o ícone e lenda do rock Steven Tyler lançou o seu primeiro álbum solo. Aos 68 anos de idade, ele lançou um disco que evoca alguns clássicos do Aerosmith, porém, infundido por uma forte vibe country. Como o título sugere, “We’re All Somebody from Somewhere” é um caldeirão de gêneros e referências líricas preenchidas por nostalgia. Na essência, o nascimento do rock n roll partiu originalmente da mistura do blues, jazz, gospel e country. Portanto, esse gênero não é algo tão estranho para Steven Tyler. Após ouvir o álbum, você perceberá que não importa o gênero escolhido, Steven sempre vai levá-lo para grandes alturas com seu timbre maravilhosamente rouco. “We’re All Somebody from Somewhere” foi produzido por Tyler, T Bone Burnett, Marti Frederiksen, Dann Huff e Jaren Johnston.

Como podemos ver, durante o processo criativo, Tyler esteve rodeado de produtores experientes. Embora seja um álbum country, aqui existem números alimentados pelo clássico rock n roll, como “Red White And You” e “The Good, the Bad, the Ugly & Me”. É um disco forte, com um bom conteúdo lírico e grandes harmonias, embora não seja direcionado para os fãs do Aerosmith. Em suma, é um álbum sólido e de fácil escuta. Porém, não podemos ignorar suas evidentes falhas. Um bom exemplo disso é o fato de Steven cobrir alguns padrões estereotipadas do country-pop, que você normalmente esperaria escutar nos dias de hoje. Essa crítica é especialmente dirigida para os banjos, violinos e harmonias combinadas do country-rock “Love Is Your Name”.

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Outra canção muito tendenciosa é a faixa-título (“We’re All Somebody from Somewhere”) e suas guitarras bluesy, buzinas e crescentes palmas. Por outro lado, “It Ain’t Easy”, “Gypsy Girl”, “Only Heaven” e “What Am I Doin’ Right?” são baladas na mesma veia de alguns clássicos do Aerosmith. Não dá para negar que Steven Tyler está no seu melhor quando concentra-se no som familiar do Aerosmith. A despojada faixa de abertura, “My Own Worst Enemy”, é talvez o melhor exemplo disso. Aqui ele utiliza um acordeão e uma voz arrastada com forte base na guitarra. Essa canção consegue dar um começo promissor para o registro, embora o restante não corresponda a altura.

Tyler também desencadeia um desempenho estrondoso durante o blues na harpa de “Hold On (Won’t Let Go)”. No álbum ainda há espaço para um cover da clássica “Piece of My Heart” e uma versão atualizada de “Janie’s Got a Gun” do Aerosmith. Em ambas faixas, os vocais de Tyler conseguem atingir um grande pico sentimental. Os seus vocais são atemporais e muitas vezes melodramáticos. O Demon of Screamin’, como é conhecido, possui um alcance vocal de larga escala. Consequentemente, não foi surpreendente vê-lo cantando música country. Em alguns momentos, Steven perde o foco no álbum e desloca-se para um tom nostálgico limitado e genérico. Porém, mesmo com os erros, “We’re All Somebody from Somewhere” não deixa de oferecer alguns momentos interessantes.

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Favorite Tracks: “My Own Worst Enemy”, “Hold On (Won’t Let Go)”, “It Ain’t Easy”, “Janie’s Got a Gun” e “Piece of My Heart”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.