Resenha: Steve Aoki – Neon Future I

Lançamento: 30/09/2014
Gênero: EDM
Gravadora: Ultra Records
Produtores: Steve Aoki, Chris Lake, Tujamo e Afrojack.

O DJ americano Steve Aoki lançou em 2014 o seu segundo álbum de estúdio, intitulado “Neon Future I”. A segunda parte desse projeto está programada para ser lançada em maio de 2015. Conhecido por seus shows energéticos, ele é considerado um dos melhores produtores do atual mercado EDM. Aoki já trabalhou com diversos artistas, entre eles will.i.am, Afrojack, LMFAO, Iggy Azalea, Lil Jon, Diplo e Laidback Luke. Seu primeiro álbum, “Wonderland” de 2012, chegou a ser indicado na categoria “Best Dance/Electronica Album” no Grammy Awards de 2013, O “Neon Future I” foi precedido pelo lançamento de quatro singles, dos quais dois fizeram parte da trilha sonora do filme Step Up: All In. O repertório contém 10 faixas e diversos convidados especiais, tais como Fall Out Boy, will.i.am, Bonnie McKee, Flux Pavilion e os rappers Waka Flocka Flame, Kid Ink e MGK.

Não há como negar que o cenário EDM invadiu diferentes gêneros musicais ao longo dos últimos anos. Tanto, que tornou-se extremamente acessível a diversos artistas e produtores. Muitos já estão familiarizados com Steve Aoki, um dos DJs mais conhecidos nos circuitos de música eletrônica, que toca em todos os principais festivais e viaja incansavelmente pelo mundo. Sendo o seu segundo disco, esse projeto transmite a sensação de que ele está tentando criar um conceito sobre o futuro, como sugere o título. Não podemos negar que a maioria das canções aqui são bem úteis e poderiam, facilmente, fazer sucesso nas paradas musicais, caso tivessem a oportunidade. A primeira faixa, “Transcendence (Intro)”, é na verdade um discurso de Ray Kurzwell que resume com precisão o estilo excêntrico e futurista do álbum.

Em seguida, temos a faixa “Neon Future” com Luke Steel, vocalista do Empire of the Sun. A música nos atinge com uma batida pulsante de imediato e vocais distorcidos misturando-se bem com sintetizadores. Entretanto, peca pela duração, pois seria melhor se fosse uma pista mais curta. Definitivamente, tem uma grande semelhança com algumas das faixas anteriores de Aoki. Certamente, a maior surpresa do álbum foi a colaboração com a banda Fall Out Boy em “Back to Earth”. Não é um dos destaques, mas os vocais de Patrick Stump transmitem uma boa energia e combinaram bem com a batida eletro-house de Aoki. “Born to Get Wild” traz o auxílio de will.i.am nos vocais, uma música divertida e otimista que oferece uma grande dose de ideais futuristas. Embora possua algumas rimas bem fracas e uma letra um pouco redundante, “Rage the Night Away” com o rapper Waka Flocka Flame, é uma das minhas faixas favoritas de todo o repertório.

Steve Aoki

Essa pista acabou por se tornar uma colaboração espetacular, com Aoki construindo uma música que se sente bem estruturada, ainda que livre. O baixo pisoteando, os sintetizadores enlouquecedores e o refrão cativante, formaram uma combinação certeira. “Delirious (Boneless)”, anteriormente lançada apenas com Chris Lake e Tujamo, aparece aqui com versos adicionais do rapper Kid Ink. É de fato o melhor número do álbum, uma canção otimista e extremamente delirante. É provavelmente a música mais cativante da carreira de Steve Aoki, sua viciante batida é realmente excelente. “Free the Madness” é outra pista agradável, caracterizada pela participação de Machine Gun Kelly, também conhecido simplesmente por MGK. É uma canção divertida e com uma melodia saltitante, que demonstra a aparente capacidade de Aoki em flertar com outros estilos. O rap de MGK, surpreendentemente, complementou as batidas de Aoki de uma forma bem significativa.

Em colaboração com o DJ holandês Afrojack, “Afroki”, é com certeza a faixa mais esquecível e sem graça do álbum. Além disso, possui um terrível trocadilho no título, uma fusão de Afrojack com Steve Aoki. É um house insípido com vocais de Bonnie McKee. Eu gosto da voz da Bonnie, porém, essa música é tão genérica que fez seus vocais ficarem bem irritantes. Por outro lado, a diversificada produção na faixa “Get Me Outta Here”, em colaboração com Flux Pavilion, está entre as melhores. Parece que Flux Pavilion influenciou bastante esta canção, visto que é muito orientada para o dubstep. Inicia com uma introdução delicada, mas que logo se transforma em uma enorme e cativante batida. Os vocais sutis quebraram o fluxo robótico de algumas faixas do repertório e acrescentou uma variação bem necessária. A assinatura de Flux Pavilion e seus bons vocais, misturaram-se bem ao estilo trance da produção de Steve Aoki.

O disco chega ao fim com “Beyond Boundaries (Outro)” de 87 segundos que, igualmente a pista de abertura, é com um vocal falado, dessa vez por Aubrey de Grey. Essa última permitiu o disco terminar com uma nota misteriosa e deixar o ouvinte pronto para o “Neon Future II”. Ele está previsto para ser lançado esse ano e já tem a banda Linkin Park cotada como participação especial. Bom, a produção do álbum é ótima, não poderíamos esperar menos de um DJ de grande escala como Steve Aoki. Porém, no geral, não há como negar que Aoki se contenta em apenas fazer um bom EDM. Não há nada de errado com isso, no entanto, também não há nada de inovador no seu som, pois ele esteve o tempo todo dentro de um território familiar da música eletrônica. Ele é talentoso e o “Neon Future I” é um material que mostra um certo potencial. O DJ pareceu disposto a tocar em outros gêneros e adaptar-se ao som do momento, embora não tenha sido eficaz nessa proposta. De qualquer forma, os maiores destaques do álbum são os energéticos vocais e a boa produção.

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Favorite Tracks: “Neon Future (feat. Luke Steele of Empire of the Sun)”, “Born to Get Wild (feat. will.i.am)”, “Rage the Night Away (feat. Waka Flocka Flame)”, “Delirious (Boneless) [with Chris Lake & Tujamo feat. Kid Ink]” e “Get Me Outta Here (feat. Flux Pavilion)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.