Resenha: Spoon – Hot Thoughts

Lançamento: 17/03/2017
Gênero: Indie Pop, Art Pop
Gravadora: Matador Records
Produtores: Dave Fridmann e Spoon.

“Hot Thoughts”, o nono álbum da Spoon, mostra a banda americana num estado maximalista e auto-consciente. Gravado com Dave Fridman, ele emprega uma abordagem carregada de efeitos sintetizados e incríveis grooves. Desta vez, a banda parece estar mais focada, elaborada e caleidoscópica. Embora o grupo não tenha perdido sua essência, a produção parece mais rica e exuberante. “Hot Thoughts” é um disco bem pensado, com alguns novos ingredientes e o primeiro lançado pela Matador Records em 21 anos. Uma joia musical surpreendente, repleta de ondas de sintetizador, tambores e alguns toques extras. Classicamente Spoon, “Hot Thoughts” oferece uma produção intricada e atmosfera fortemente divertida. Ele segue o aclamado “They Want My Soul” (2014), disco da qual foi lançado após um hiato de quatro anos. Mas, enquanto o seu último álbum era conhecido por refrões discretamente atraentes, “Hot Thoughts” continua a narrativa em uma inesperada pista de dança. Comprovando sua relevância e consistência, este novo álbum certamente não decepciona. Ainda enraizado nas composições de Britt Daniel e nos fundamentos sólidos da banda, “Hot Thoughts” é agradavelmente familiar, embora mergulhe no experimental.

Uma coisa surpreendente no registro é a ausência da guitarra acústica, o primeiro da Spoon que não contém tal instrumento. A faixa-título, “Hot Thoughts”, começa o repertório com riffs de guitarra assassinos e vocais sensuais, ao mesmo tempo que mantém uma repetição semelhante. Inicialmente, ela começa com um sintetizador solitário, mas, em seguida, a bateria entra juntamente com os vocais harmonizados de Daniels. Um som rock e experimental continua na faixa seguinte, estranhamente intitulada “WhisperI’lllistentohearit”. Mais uma vez, começa com um sintetizador, enquanto uma base eletrônica modulada cria o ritmo constante. Quando chega na metade, a música percorre a toda velocidade, ao passo que uma batida de tambor cresce junto com os sons eletrônicos. Outro ótimo número é “Do I Have to Talk You Into It”, canção apoiada por uma combinação de teclados, linha de bateria e melodia audaciosa. Entretanto, em “Pink Up”, o álbum muda para um momento mais temperamental e meditativo. Nesta canção, a banda mergulha mais profundamente no seu lado experimental. Com uma introdução longa, silenciosa e uma série de vocais invertidos, é uma música que não soa Spoon em sua composição.

Em contrapartida, “Can I Sit Next to You” possui um ritmo particularmente apertado, melodia simples e som inegavelmente atrativo. Na melancólica balada “I Ain’t the One”, Britt Daniel canta: “Eu não sou o único, então agora estou deixando todos vocês atrás de mim”. Aqui, sua dinâmica voz é emparelhada com golpes de sintetizadores e melodia audaz. Em seguida, o álbum retoma os sons positivos com “Tear It Down”, outro clássico instantâneo da Spoon. No entanto, a faixa mais surpreendente e estanha do registro é “Us”, pois demonstra as habilidades instrumentais da banda. Uma canção fascinante, com teclados flutuantes e um saxofone incrivelmente belo. “Hot Thoughts” apresenta uma consistente coleção musical com experimentações suficientes. Mais uma vez, Spoon provou a sua relevância, balançando sobre sons intimamente expansivos e confortavelmente familiares. “Hot Thoughts” acena para o passado, mas também deixa espaço para possibilidades no futuro. Apesar da banda ficar presa à uma fórmula conhecida e confiável, “Hot Thoughts” é cativante, eclético, equilibrado e muito bem produzido.

Favorite Tracks: “Hot Thoughts”, “Do I Have to Talk You Into It” e “Can I Sit Next to You”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.