Resenha: SoMo – SoMo

Lançamento: 08/04/2014
Gênero: R&B
Gravadora: Republic Records
Produtores: Mick Schultz e Cody Tarpley.

Joseph Anthony Somers-Morales, 27 anos, conhecido pelo seu nome artístico SoMo, é um cantor americano de R&B do Texas. Ele começou sua carreira profissional em 2011, ganhando notoriedade no YouTube com lançamento de músicas originais e covers populares de artistas como Chris Brown, The Weeknd e Drake. Em 2013, ele assinou um contrato com a gravadora Republic Records e lançou versões remasterizadas da sua mixtape “My Life” de 2012 e o primeiro single “Ride”. Seu auto-intitulado álbum de estreia foi lançado em 08 de abril de 2014. Foi produzido por Mick Schultz e Cody Tarpley, e estreou em #6 na Billboard 200 com vendas de 25 mil cópias nos Estados Unidos.

Desde cedo, SoMo cantava em clubes populares em Austin (Texas) com seu pai, que atuava em uma banda de jazz. Durante todo o colegial, ele distanciou-se da música, no entanto, em 2008, recebeu um piano de sua mãe e aprendeu a tocar sozinho. Seu nome artístico, para efeito de curiosidade, é um jogo de palavras do seu sobrenome (Somers-Morales). Em 2009, SoMo começou a gravar covers até que foi muito bem sucedido no YouTube com um mashup de “Take Care” do rapper Drake, que têm mais de 6 milhões de acessos. Seus pais se divorciaram quando ele tinha 13 anos, passando a morar apenas com sua mãe em Denison, Texas. SoMo também chegou a jogar futebol no colegial e brevemente imaginou nessa profissão o seu estrelato.

“Eu pensei que ia ser o maior momento da minha vida. Obviamente, depois você percebe que há outras coisas maiores”, diz ele. “Eu acho que minha vida deu certo. A música é algo que despertou em mim”. Seu álbum de estreia é um esforço de R&B e pop que apresenta sua boa voz e algumas composições dinâmicas para o público. O álbum é adequado à ele e contém várias músicas feitas com o seu amigo e colaborador Cody Tarpley, enquanto o restante foi produzido com Mick Schultz, que já trabalhou com Jeremih. Aqui, ele canta sobre amor, sexo, relacionamentos, não necessariamente nessa ordem, e consegue fazer isso bem. No seu melhor, o disco é suave e afável, com algumas canções amorosas, sinceras e de destaque. Os cenários das canções são funcionais, adequadamente furtivas, mas não são particularmente estimulantes ou memoráveis. Porque, assim como vários outros novos cantores, SoMo também peca pela falta de identidade.

SoMo

Abrindo o registro temos uma faixa intitulada “TMWYKAL”, que significa “Tell Me What You Know About Love” (em português “Diga-me o Que Você Sabe Sobre o Amor”). É uma faixa introdutória, com pouco mais de 1 minuto, que poderia ter sido realmente um canção de destaque se fosse maior. Ela precede “I Do It All for You”, que por sua vez, é uma música que deixa a desejar no quesito produção. Seu vocal até consegue soar bem, com inclusão de alguns falsetes, enquanto na letra tenta fazer de tudo para agradar sua garota. Em “Show Off” SoMo entrega muito clichês líricos sem nenhuma borda artística, mas não é uma faixa necessariamente ruim, porque consegue agradar por outros meios. Seus arranjos, por exemplo, são bastante atraentes. Já “We Can Make Love”, faixa três, opta por uma abordagem lírica extremamente aberta.

“Assim, podemos fazer amor ou podemos simplesmente foder”, ele canta durante o chato refrão, soando extremamente desesperado. “Cabeça primeiro, peito dói, nunca pensei que ia piorar”, abre a faixa “Crash” abraçando um R&B moderno. Aqui temos um sintetizador oportuno, que lembra algumas das produções de The Weeknd, além de um vocal que soa mais maduro. A frieza dessa canção é bacana, mas ainda não transmite exatamente alguma emoção que a torne em um grande destaque. Algumas letras distintas como, “Seus dedos frios em minha pele / O que é esse buraco onde eu estou? / Tirar a roupa novamente / Sentindo seu calor, mas não é quente”, surge durante a faixa “Blind”. Essa é outro interlúdio de 1 minuto de duração, que prepara o ouvinte para a segunda metade do repertório.

SoMo

A faixa seguinte é “Back to the Start”, uma música lenta, rítmica, com foco em letras sobre sexo. No geral, sua batida e os vocais de SoMo conseguem ser agradáveis e funcionam bem, mesmo não sendo nada surpreendente. “Fire”, oitava faixa, consegue dar uma boa agitada e por uma faísca no álbum, fornecendo versos rápidos e boas batidas. A interpretação vocal de SoMo casou muito bem com a letra, onde ele informa o ouvinte que sua garota “tem aquele fogo, fogo, fogo, fogo, fogo, fogo, fogo, fogo”. A próxima faixa, “Hush”, com ajuda do piano entrega um soul salpicado de disco que conseguiu ser eficaz. É uma canção inteligente e com um ritmo muito cativante, que dá SoMo a chance de entregar vocais mais convincentes.

A penúltima faixa, “Ride”, foi o primeiro single do disco e chegou a atingir a posição #76 da Billboard Hot 100, único single que chegou a entrar na parada norte-americana. Mas não é por menos, “Ride” é a canção mais atraente de todo o álbum. Ela tem um dos melhores ganchos do repertório e é uma pista mais lenta e soulful que estabelece um ar de qualidade para o disco. “Ride foi, literalmente, uma das três primeiras músicas que já escrevi”, diz SoMo. “O dia em que a coloquei no papel, a reação foi tão forte, que eu disse: essa música vai ser platina”. É uma canção realmente gostosa de ouvir, ela exerce um papel sensual, possui bons vocais e ainda tem um refrão grudento. Para encerrá-la SoMo e sua equipe optou por algo diferente, dando foco apenas para o piano. “Red Lighter” fecha o álbum, com um som mais desenvolvido e sólido que as faixas anteriores.

É uma música com uma certa profundidade e teria um maior potencial, se não fosse o vocal meio desajeitado de SoMo. No geral, o álbum é divertido, porém, semelhante a trabalhos de outros músicos do mesmo ramo musical. Como mencionado, SoMo usou a internet para promover o seu nome no mundo da música e rapidamente conseguiu um contrato com uma grande gravadora. Sonoramente, sua música parece ter sido influenciada, em grande parte, por Drake, embora não traga tanta qualidade como o material do rapper. Isso porque SoMo carece de uma ligação emocional, porque mesmo cantando sobre temas relacionáveis, como amor e sexo, em alguns momentos o registro deixa o ouvinte com uma sensação de vazio. SoMo é um bom vocalista, sua voz é diferenciada e inegavelmente o álbum possui muitas melodias viciantes. Porém, para destacar-se em uma indústria tão competitiva, ele terá que se arriscar mais no seu próximo trabalho.

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Favorite Tracks: “Show Off”, “Back to the Start”, “Fire”, “Hush” e “Ride”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.