Resenha: Snoop Dogg – Coolaid

Lançamento: 01/07/2016
Gênero: Hip-Hop, Rap
Gravadora: Doggystyle Records / Entertainment One Music
Produtores: Snoop Dogg, Avenue Beatz, Bongo, Cardo, Cubeatz, Daz Dillinger, Dazmin, J Dilla, Jazze Pha, Just Blaze, KJ Conteh, Los, L-Finguz, Musicman Ty, Nottz, Powered By Raw B, Rockwilder, Snagz, Soopafly, Swizz Beatz e Timbaland.

“Coolaid” é o décimo quarto álbum de estúdio do veterano rapper de Long Beach, Califórnia, Snoop Dogg. Ele já vendeu milhões de discos ao longo dos anos, desde que começou sua carreira em 1993. Depois de largar sua experiência peculiar e de inspiração reggae como Snoop Lion, ele retornou ao básico com “BUSH” no ano passado. Agora, Snoop Dogg está de volta com um disco muito mais autêntico. “Coolaid” é um retorno ao som West Coast G-Funk pelo qual o rapper tornou-se famoso. A ilustração da capa é uma homenagem a dois dos seus discos anteriores, “Doggystyle” e “The Last Meal”. Entre os artistas presentes no álbum, temos Too $hort, Swizz Beatz, Jeremih, Wiz Khalifa e E-40. “Coolaid” é como a maioria dos álbuns de hip-hop da Costa Oeste, ou seja, há momentos notáveis e um tempo irrelevante a partir de certas faixas.

Correndo por cerca de 77 minutos de duração, o registro contém uma grande quantidade de destaques e recursos. Apesar de alguns números óbvios sobre mulheres, carros e drogas, este álbum é sobre a forma como Snoop Dogg vê a cultura rap atual. A produção está a par de algo que você esperaria de alguém do calibre de Snoop. Cerca de metade do repertório possui algum convidado, com Wiz Khalifa sendo destaque em duas faixas. Embora seja um bom álbum, ele não é tão coeso. Isso acontece justamente por causa de sua longa duração. A produção está no ponto e transmite uma boa sensação do clássico hip-hop da Costa Oeste. Porém, há uma abundância de faixas que soam muito similares entre si. Uma tracklist mais curta, provavelmente, teria ajudado a tornar este disco em algo mais orgânico, fluído e coeso.

O lirismo é clássico, com um bom jogo de palavras e fluxo, no entanto, também carece de alguma substância. Ao longo de 20 faixas, o álbum teria se beneficiado excluindo uma série de canções inúteis que prejudicam a coesão. Felizmente, com batidas produzidas por Swizz Beatz, Cardo, Cubeatz, Just Blaze, Timbaland e Jazze Pha, Snoop Dogg consegue prender a atenção do ouvinte na maior parte do tempo. A primeira faixa, “Legend”, é um começo surpreendentemente agressivo para o álbum. É uma canção cheia de fanfarrices e uma clara indicação da confiança de Snoop. A produção trap e vibração dancehall é inflexível, à medida que o baixo estabelece as bases para alguns palmas e tambores bem colocados. O rapper soa um pouco diferente, por conta do tom levemente distorcido e tema obscuro. “Ten Toes Down”, em seguida, abre com uma esquete dramática e cinematográfica.

Snoop Dogg

É um número funky que mostra que ele não deixou seu som de assinatura para trás. Essa música segue a mesma fórmula por trás de seus maiores hits do passado, ou seja, possui teclados funk, versos nostálgicos, vocais suaves e letras cruas que desafiam o rap gangstar. “Don’t Stop”, com Too $hort, também tem a mesma vibe, mas o ritmo possui um maior senso de urgência e rapidez. “Super Crip” segue por uma tendência atual de batidas sintéticas, enquanto o arranjo tem vários elementos. O teclado é áspero e ameaçador, mas a bateria sem dúvida é o instrumento mais pegajoso. Liricamente, Snoop mostra que é afiliado aos Crips, famosa gangue da Costa Oeste. Seu tom moderado faz a letra parecer ainda mais agressiva. “Coolaid Man”, por sua vez, mostra a frustração de Snoop Dogg perante os rappers atuais.

É uma canção que possui um estilo arrogante, conduzida por um piano suave, e uma sábia produção de Cardo e Cubeatz. “Let Me See Em Up” é uma das melhores colaborações do álbum, enquanto “Light It Up” e “Let the Drop Beat (Celebrate)”, também com o rapper Swizz Beatz, são conduzidas por um grave piano, mas são facilmente esquecíveis. “Point Seen Money Gone”, com Jeremih, foi lançada como primeiro single do álbum. É um número up-tempo com um bom refrão que, de alguma forma, faz bem o seu trabalho. Um baixo permeia como pano de fundo, enquanto o auto-tune funciona razoavelmente bem. “Oh Na Na”, por outro lado, caracteriza Wiz Khalifa e utiliza um sintetizador típico dos anos 80. Liricamente, é uma espécie de ode a maconha produzida por Snoop Dogg. A faixa começa com um som old-school refrescante, ao passo que um piano e baixo sintetizado surgem.

Mais tarde, Snoop une forças novamente com Wiz Khalifa na faixa “Kush Ups”. É um número trap e eletro-hop com uma das melhores batidas do repertório. Além disso, a canção faz uso de algumas cordas orientais em segundo plano. Embora a maconha é mencionada em quase todo álbum, nesta faixa ela é o tema central. “Kush Ups” é praticamente uma homenagem a arte de fumar. A faixa “My Carz” contém sample de “Cars” do britânico Gary Numan. É uma peça rítmica interessante, onde a voz rouca de Snoop complementa os sons brilhantes de sintetizador. “Two or More”, por sua vez, faz uso de uma linha de baixo funky e algumas amostras de “Try It Out” do canadense Gino Soccio. Essa canção fornece boas vibrações do disco-funk da década de 80, um refrão grudento e alguns improvisos hilários.

Snoop Dogg

“Affiliated” apresenta Trick Trick, abre com um sermão gangsta e contém sintetizadores típicos do som da Costa Oeste. Mesmo não perdendo o seu estilo, Snoop Dogg permite Trick Trick proporcionar graves de sua autoria. O seu barítono preenche a faixa, enquanto Snoop acalma as coisas. “Feel About Snoop” abre com um diálogo, algo parecido com uma entrevista. Aqui, Snoop fala sobre algumas percepções dele, seja como artista ou grande defensor da maconha. A ótima batida, fornecida por Cardo, é preenchida por um pouco de comédia e versos salteados. Na próxima faixa, “Side Piece”, Snoop conta uma história aparentemente honesta e verídica. É sobre o tipo de atenção que o rapper daria a uma suposta mulher. Aqui temos um grave piano, batidas de tambor, um pouco de soul e vibrações vagamente sensuais.

“Double Tap”, com E-40 e Jazze Pha, mantém as coias leves entre algumas faixas mais pesadas. Jazze definitivamente coloca o seu selo vocal nesta canção, antes de Snoop Dogg murmurar sobre um mix de tambores, palmas e teclados. “Got Those” contém algumas influências dos Neptunes, enquanto tece sobre uma batida e loop agradável. Desta vez, Snoop desperdiça uma ótima batida por conta de algumas rimas desinteressantes. “What If” dispõe de um colaborador de longa data de Snoop Doog, o rapper Suga Free. Esta faixa é uma autêntica pista de West Coast hip-hop. O refrão e os versos exploram algumas questões do mundo, especialmente pra quem fazia parte de gangues de ruas. É uma gratidão por todas as vantagens que você tem na vida. Por fim, a climática “Revolution”, com October London, encerra o registro com uma enxurrada de crescentes teclados.

“Coolaid” agrada principalmente pelo retorno de Snoop Dogg ao West Coast G-Funk e rap old-school, como podemos ouvir em faixas como “Ten Toes Down”, “Oh Na Na”, “Two or More” e “What If”. Mesmo com seus erros, esse LP prova sua versatilidade e longevidade como artista. Aparentemente, o rapper da Costa Oeste está volta ao jogo, fazendo jus ao seu legado nos anos 90 e 00. Quando o álbum perde a sua influência West Coast, ele nunca perde o toque profissional, embora não reflita bem para a coesão geral. Certamente, “Coolaid” tem momentos agitados o suficiente para agradar qualquer fã do rapper. O disco tem uma série de faixas de destaque e é, realmente, um excelente retorno ao West Coast hip-hop, depois de suas aventuras como Snoop Lion.

70

Favorite Tracks: “Ten Toes Down”, “Super Crip”, “Let Me See Em Up” (feat. Swizz Beatz)”, “Oh Na Na” (feat. Wiz Khalifa)”, “Two or More”, “Affiliated” (feat. Trick Trick)”, “Kush Ups” (feat. Wiz Khalifa)”, “What If” (feat. Suga Free)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.