Resenha: Skrillex – Recess

Lançamento: 14/03/2014
Gênero: EDM
Gravadora: Asylum Records / Atlantic Records
Produtores: Skrillex, Kill the Noise, KillaGraham, Alvin Risk, Chance the Rapper, The Social Experiment e Diplo.

Sonny John Moore, mais conhecido pelo nome artístico Skrillex, é um produtor de música eletrônica, DJ, cantor e compositor, vencedor de seis prêmios Grammy. Depois de lançar “Scary Monsters and Nice Sprites EP”, no final de 2010 e, posteriormente, “More Monsters and Sprites EP” em meados de 2011, que tornaram sucessos comerciais moderados, ele finalmente lançou, em 2014, o seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “Recess”. Foi gravado enquanto estava em turnê pelo mundo e estreou em #4 lugar na Billboard 200, com vendas na primeira semana de 48 mil cópias nos Estados Unidos. Skrillex é atualmente um dos maiores nomes da música eletrônica e as 12 faixas do “Reccess” mostra que ele progrediu desde que estourou há quatro anos.

Ele ficou famoso por inclinar-se de forma imprudente no dubstep e abrir portas para um lado mais agressivo da música dance. Muitos dos elementos que impulsionaram o seu sucesso inicial estão presentes no “Recess”, como os vocais distorcidos que parecem transmissões alienígenas. “Recess”, como um primeiro álbum oficial, mostra um passo adiante do astro do EDM. O disco passa por faixas gratificantes, grandes sonoridades, mudanças rítmicas inesperadas, melodias surpreendentes e brincalhonas, fórmulas já utilizadas e desvios experimentais. É um registro merecedor de atenção, mas dificilmente vai mudar a mente daqueles que acham que Skrillex não faz um bom som ou que estraga o cenário da música eletrônica.

Depois de estourar em 2010, Moore, junto de Avicii e Swedish House Mafia, influenciaram muitos outros produtores, mais notadamente no dubstep, como o DJ Snake e Martin Garrix. Skrillex explodiu publicamente com um dubstep poderoso e estridente, que utiliza elementos mais abrasivos do gênero para fazer uma sonoridade global mais acessível. O “Recess” possui faixas vislumbrantes de um DJ talentoso e algumas tentativas para sair de sua zona de conforto. Dito isto, afirmo que Skrillex nos forneceu algumas faixas formidáveis, mas também algumas músicas que são tão familiares que pouco fazem para distinguir-se desse gênero já lotado. “Recess” abre com “All Is Fair In Love and Brostep”, um dubstep acompanhado por vozes que falam sobre naves espaciais.

Skrillex

Um banger assumidamente agressivo que incorpora o termo referente ao título e conta com a colaboração dos irmãos Ragga Twins. A faixa título, “Recess”, é a melhor do álbum e ainda conta com as colaborações de Fatman Scoop e do vocalista da Passion Pit, Michael Angelakos. O vocal de Sam Dew em “Stranger” está bem modelado, porém, Skrillex usou um sintetizador tão agudo que chega a ser irritante. De acordo com Moore, houve pelo menos oito misturas diferentes de músicas em “Try It Out”. Uma faixa dubstep com hip-hop, feita na medida para agitar o seu público durante apresentações em grandes festivais. A quinta faixa, “Coast Is Clear”, é a última coisa que você esperaria ouvir em qualquer material de Skrillex, pois é uma faixa bem pop. De qualquer maneira, é boa e utiliza como colaboração o talento peculiar e a flexibilidade de Change the Rapper.

Skrillex tornou-se uma grande influência para artistas K-Pop, ele retorna esse favor convidando os rappers sul-coreanos G-Dragon do grupo Big Bang e CL do grupo 2NE1, para colaborarem em “Dirty Vibe”. E ainda tem a mão de Diplo na produção, que ajudou a fazer dela uma das melhores canções do álbum. “Ragga Bomb” é explicitamente um dancehall, dinâmica e impulsionada novamente pelos vocais dos britânicos da Ragga Twins. A desnecessária “Doompy Poomp” não agrega em nada no repertório e o mesmo acontece com a faixa seguinte, “Fuck That”. Ambas contribuíram com a queda de qualidade do álbum. A penúltima faixa, “Ease My Mind”, devolve um pouco dessa qualidade por causa da memorável participação da vocalista do duo Niki & the Dove, a sueca Malin Dalsthröm. Entretanto, a última canção, “Fire Away”, não é só a pior faixa do registro, como também uma das produções mais fracas da carreira de Skrillex.

“Recess” não é repleto de adrenalina como os seus extended plays, sua reputação sugere até mais do que realmente é, porém, ele conseguiu fazer uma coleção bem ambiciosa e variada. Os seus elementos introduzidos de forma impactante, como de costume, ainda estão bem presentes no disco. A produção é sofisticada e temos grandes destaques aqui, como as faixas “All Is Fair In Love and Brostep”, “Recess”, “Try It Out”, “Dirty Vibe” e “Ragga Bomb”. No conjunto, porém, “Recess” também possui muitas coisas descaradamente derivadas. A primeira metade do álbum é muito boa e se não fosse pela brusca queda de qualidade das últimas faixas, merecia até uma nota maior. O talento de Skrillex é movido por uma impressionante ambição, portanto, podemos ter certeza que ele tem potencial para fazer algo muito maior. Porque se formos julgar apenas pelo “Recess”, podemos dizer que o DJ ainda tem um longo caminho a percorrer.

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Favorite Tracks: “All Is Fair In Love and Brostep”, “Recess”, “Try It Out”, “Dirty Vibe” e “Ragga Bomb”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.