Resenha: Skank – Velocia

Lançamento: 16/06/2014
Gênero: Pop Rock, Reggae
Gravadora: Sony Music
Produtores: Dudu Marote.

“Velocia” é o título do nono álbum de estúdio da banda Skank, ele foi lançado em 2014 e é formado por um total de 11 faixas inéditas. Com músicas voltadas para o folk e marcadas por uma bateria eletrônica, o disco conta com participações especiais do carioca Bernardo Santos, o BNegão, o cantor e compositor Nando Reis, o rapper Emicida e a cantora paulista Lia Paris. Foi produzido por Dudu Marote, que também foi responsável pela produção do “Estandarte” (2008) e hits dos anos 1990 da banda. Com mais de 23 anos de carreira, a banda Skank conseguiu lançar mais um registro bem produzido. Nesse novo trabalho, eles retornaram ao reggae que usavam no início da carreira e, mais uma vez, conseguiram conquistar. Depois de seis anos sem um material inédito, o Skank trouxe um álbum reflexivo ao mesmo tempo que passeia por distintas sonoridades.

Eles já são uma banda experiente, com um estilo próprio e diferente de outras do mercado nacional. É inegável que os caras sabem como fazer música boa, com um lado festivo, positivo e, muitas vezes, tratando de assuntos sérios. No “Velocia”, eles apostaram em estilos como o reggae e riffs marcantes de guitarra voltando, dessa forma, às suas raízes. Diferente dos últimos anos, o caminho escolhido dessa vez foi o mais seguro. Esse trabalho é bem mais a “cara” do Skank e, embora seja pouco inovador, conseguiu impressionar nesse sentido. Além disso, as parcerias foram escolhas certeiras, pois contribuíram positivamente e fizeram diferença em algumas músicas. O Skank é uma das maiores bandas brasileiras dos últimos 20 anos, seja agitando estádios, tocando nas rádios ou fazendo parte de trilha sonora de telenovelas.

Eles possuem uma discografia respeitável e diversos hits nacionais, ao passo que o “Velocia” é, comprovadamente, mais um bom projeto. Segundo Samuel Rosa, o hiato de seis anos sem um material inédito foi necessário para a banda reavaliar a sua carreira. Tanto em relação a um possível desgaste na rotina, como também no questionamento da própria inspiração da banda. E, conforme divulgado nas redes sociais, o Skank realmente voltou ás suas origens. O “Velocia” é muito parecido com discos como “Calango” e “O Samba Paconé”, álbuns estes que foram um sucesso e, provavelmente, os mais marcantes da carreira da banda. Como resultado, o “Velocia” é praticamente um resumo de tudo que eles já passaram, na questão de influências e sonoridade musical.

Skank

Para começar, abrindo o álbum temos a faixa “Alexia”, canção da qual o Skank volta a falar sobre futebol e presta uma homenagem à jogadora espanhola Alexia Putellas. Nando Reis marca presença aqui e, posteriormente, em mais outras duas faixas.  “Multidão”, faixa em que Samuel Rosa divide os vocais com B. Negão, fala sobre as manifestações que ocorreram em junho de 2013 no Brasil. Essa faixa é um grande destaque, porque possui uma boa letra e consegue transmitir sua mensagem com propriedade. A terceira faixa, “Do Mesmo Jeito”, é bem dançante, possui uma melodia ajustada e foi escrita junto de Lucas Silveira, vocalista da banda Fresno. Outra novidade no registro é a parceria da banda com a cantora paulista Lia Paris, ela usa o seu vocal peculiar durante a canção “Aniversário”.

O primeiro single do álbum foi a canção “Ela Me Deixou”, faixa que chama atenção por conta do reggae que, como já mencionado, lembra os antigos hits da banda. Em contrapartida, a faixa “Esquecimento” não convence. Mesmo oferecendo bons arranjos, ela parece ser apenas uma tentativa de fazer uma nova “Sutilmente”, canção do álbum “Estandarte”. A dançante e animada “Périplo” é a melhor entre as três canções que conta com a participação do ex-titã, Nando Reis. “Rio Beautiful”, por sua vez, surpreende por conta de suas boas rimas e da participação do rapper Emicida. Enquanto isso, “Galápagos” é outra faixa que Nando Reis coopera com Samuel Rosa nos vocais. A letra apresenta uma homenagem as ilhas do Equador e nos faz lembrarmos de antigas menções que a banda costumava fazer à América Latina.

“A Noite”, penúltima faixa, teve composição de Chico Amaral, responsável por vários sucessos da banda como “Jack Tequila”, “Vou Deixar”, “Mil Acasos” e “Garota Nacional”. Finalizando o registro temos a também dançante “Tudo Isso”, outra letra do rapper Emicida, que ainda apresenta um refrão muito grudento. Depois de ouvir quatro ou cinco vezes, é possível afirmar que o “Velocia” é realmente um bom disco. Possui pop, rock, reggae, é dançante e tem boas melodias. Pode não estar entre os melhores discos do Skank, mas é um álbum carismático que traz letras inteligentes e consegue passar boas mensagens. As rimas e os refrões são pontos altos aqui, pois são cativantes e cantaroláveis. Portanto, vale a pena reservar um tempo para ouvir o novo trabalho deles.

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Favorite Tracks: “Multidão (feat. B. Negão)”, “Do Mesmo Jeito”, “Ela Me Deixou” e “Périplo (feat. Nando Reis)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.