Resenha: Simple Plan – Taking One for the Team

Lançamento: 19/02/2016
Gênero: Pop Punk, Punk Rock, Pop Rock
Gravadora: Atlantic Records
Produtor: Howard Benson.

Cinco anos depois de lançar o disco “Get Your Heart On!”, a banda Simple Plan retorna à cena musical com um novo trabalho. A banda, formada por Pierre Bouvier, Chuck Comeau, Jeff Stinco, Sébastien Lefebvre e David Desrosiers, lançou em 19 de fevereiro de 2016 o álbum “Taking One for the Team”. É um material bem diversificado, que trás de volta a mesma sonoridade explorada pela banda no início de sua carreira. Formado por 14 faixas, o disco é dinâmico, coerente, equilibrado e faz a banda pisar fortemente no território punk. Pode-se dizer que esse registro é um retrocesso verdadeiramente convincente. Aqui, o grupo combina o punk com o pop, rock alternativo e reggae, a fim de resgatar uma sonoridade do passado. Por este motivo, você vai achar esse álbum bem familiar, visto que ele lembra, em vários aspectos, os discos “No Pads, No Helmets…Just Balls” e “Still Not Getting Any…”. Esse álbum é o casamento ideal entre tudo que já ouvimos do antigo Simple Plan e do recente território pop explorado por eles.

Aqui, encontramos um pop-punk liso, polido, com melodias inspiradas e uma quantidade exata de energia adolescente. A faixa de abertura, “Opinion Overload”, tem um início incrivelmente pesado, graças a forte potência dos riffs de guitarra. Mais tarde, a canção fica mais melódica e acomoda-se no som pop-punk de marca registrada da banda. É um retrocesso adequado, pois é uma faixa old-school simples e cativante que dita o tom para o resto do álbum. Liricamente, fala sobre não se preocupar com a opinião das outras pessoas. “Ei, estou fazendo as coisas exatamente como eu quero / Qual a parte disso você ainda não entendeu?”, sua mensagem é semelhante a da canção “Shut Up”, faixa de abertura do álbum “Still Not Getting Any…”. A segunda faixa, “Boom!”, foi lançada como single promocional e é provavelmente uma das mais cativantes do álbum. É uma canção contagiante que aborda um grande e duradouro amor. Fornece um tema bastante relacionável, pois fala sobre a boa sensação de estar apaixonado.

Musicalmente, não há nada de especial, mas não deixa de ser alegre, empolgante e energética. É uma faixa mid-tempo que aventura-se mais pelo pop e fornece um refrão bem catchy. O tema amoroso continua na terceira faixa “Kiss Me Like Nobody’s Watching”, onde Pierre Bouvier canta: “Apenas me beije / No meio das ruas / Para deixar o mundo inteiro ver”. Mais uma vez, liricamente, a banda captura a intensidade de um amor jovial. Embora seja uma canção de amor otimista como “Boom!”, possui uma vibração um pouco diferente. Aqui temos uma maior presença do baixo, além de uma boa bateria e uma leve guitarra ao fundo. “Farewell” é a primeira faixa do álbum que apresenta uma colaboração vocal. Aqui, Simple Plan é acompanhado por Jordan Pundik, vocalista da banda americana New Found Glory. Ele empresta sua voz para a música, funciona bem ao lado de Bouvier e ajuda a tornar esta uma das faixas mais convincentes. O início de cada verso fornece uma melodia que parece ter vindo diretamente do início dos anos 2000.

Simple Plan

É uma canção pop-punk simples e nostálgica, que combina elementos clássicos da banda com alguns aparates modernos. A letra fala sobre um possível fim de relacionamento, porém, expressando-se com a mesma energia e otimismo das faixas anteriores. “Singing in the Rain” aparece para inserir influências de outros gêneros no álbum. É uma colaboração da banda com o duo de hip-hop R. City. É uma canção pop-rock com uma borda reggae, calypso e tropical. Não é algo que você espera ouvir do Simple Plan, mas, por outro lado, lembra a faixa “Summer Paradise” do álbum anterior. Aparentemente, o grupo tentou recriar a magia e ranhura de “Summer Paradise” através de uma sonoridade leve, divertida e complemente otimista. Tanto sonoramente quanto liricamente, “Singing in the Rain” é muito descontraída, positiva e alegre. Sua letra fala sobre ter uma visão otimista da vida, mesmo quando nada está dando certo. “Everything Sucks”, por sua vez, é basicamente uma canção sobre os efeitos negativos de um término de namoro.

Seu conteúdo lírico é sentimental e triste, entretanto, a música é conduzida de forma otimista e por uma melodia demasiadamente alegre. É uma canção pop-punk que combina o estilo mais simples da banda com alguns elementos estereotipados. As harmonias de apoio são bem pop, enquanto o refrão é feliz e cheio de energia. “I Refuse”, sétima faixa, é uma canção pop-punk clássica do Simple Plan. Aqui, o grupo se mostra decidido ao posicionar-se contra a opressão. Digamos que é uma faixa anti-bullying direcionada a todas as pessoas que tentam te deixar mal através de palavras e atitudes. “Não me desculpar por quem eu sou / Não deixar nunca que falem que eu não posso / Eu me recuso, me recuso, me recuso”, eles cantam no refrão. As guitarras e tambores são bem energéticos e incisivos, enquanto a faixa realmente fornece uma grande mensagem por trás. O primeiro single oficial, “I Don’t Wanna Go to Bed”, apresenta o rapper Nelly e tem um som bem diferente das outras faixas do álbum.

Colaborações da banda com artistas de hip-hop tornaram-se constantes e, portanto, acabam criando expectativas. Felizmente, a música não decepciona e acabou tornando-se um dos destaques do registro. Na primeira escuta, ela pode causar um pouco de confusão por não soar como uma música do Simple Plan. Mas, apesar de diferente, é muito contagiante e animada. É uma canção pop-rock com uma agradável influência de funky oitentista. Sua batida é empolgante, implacável, faz uso de trompas e dispõe de uma forte predominância do baixo. É uma refrescante mistura de estilos musicais que, por incrível que pareça, se encaixaram bem. Simple Plan consegue se sair bem quando pisa fora de sua zona de conforto, esta faixa é uma boa prova disso. “Nostalgic”, mais uma vez, apresenta um som que todos nós já conhecemos da banda. Ela começa com uma longa introdução na guitarra, que nos faz rapidamente lembrar do velho Simple Plan. Assim como o título sugere, é uma faixa divertida que exala sentimentos de nostalgia e saudade.

É uma música que não soaria fora do lugar se estivesse presente nos primeiros álbuns do quinteto. Assim como “Farewell”, é sobre uma separação e as velhas memórias do passado. É um número pop-punk em suas verdadeiras raízes, mas que, de alguma maneira, soa refrescante. Destaque para os vocais de Pierre e a forte bateria de Chuck. O título de “Perfectly Perfect” é um pouco clichê e nos remete rapidamente a faixa “Perfect” do álbum “No Pads, No Helmets…Just Balls”. No entanto, é uma música lenta e acústica bastante agradável. Liricamente, é um número extremamente doce direcionado à uma garota insegura. É um lembrete de que, embora tenha suas inseguranças, a garota é perfeita para Pierre Bouvier. “Algum dia você vai ver / Que você é linda desse jeito / E que você vai sempre me deixar louco / Eu não sou louco / Você é perfeitamente perfeita pra mim”, ele canta no refrão. Um guitarra acústica muito bem executada acompanha a música e atua como principal instrumento.

Simple Plan (2)

Lançada como segundo single promocional, “I Don’t Wanna Be Sad” é uma faixa pop-punk, com influências gospel e soul, que fala sobre depressão. Aqui, Bouvier descreve os sintomas de uma depressão duradoura, dando detalhes sobre a terapia e as dificuldades para se recuperar. “Tentei todas as pílulas que o médico me prescreveu / E me submeti a semanas de terapia / Tentei meditação, yoga e pilates / É como se a felicidade simplesmente não fosse para mim”, ele canta em um dos versos. Apesar do tema pesado, a música tem uma sensação alegre e entusiasmada. É apoiada por harmonias vocais, trompas, uma forte bateria e vocais otimistas. “P.S. I Hate You” é a faixa mais amarga do repertório, uma carta aberta sobre ressentimentos por alguém. “Querida Sophia / Eu acho que estou melhor sem você (…) / Então não me escreva de volta / P.S. eu te odeio”, Pierre canta no refrão. Independente de quem seja Sophia, aparentemente o namoro com ela não terminou bem. É uma faixa com uma boa dose de humor e sarcasmo.

Novamente, as letras lembram os velhos tempos da banda. Sonoramente, a energia predominante no álbum continua a ser elevada por aqui. Uma canção pop-punk guiada por poderosos tambores e em sua forma mais pura e energética. A próxima faixa, “Problem Child” nos leva de volta para o álbum “No Pads, No Helmets…Just Balls”, pois é, praticamente, uma reminiscência de “Perfect”. Mais uma vez, Pierre Bouvier tenta emocionar ao cantar sobre os problemas entre pais e filhos. É uma balada suave, onde o vocalista se desculpa por ter sido uma criança problemática: “Toda a minha vida / Tudo que eu sempre fiz foi tentar e tentar / Eu nunca quis ser seu filho problema / Sua criança problema”. É uma música muito linda e emocional, acusticamente impulsionada por uma guitarra e um piano. Seus acordes são belos, a melodia do refrão encantadora, o solo de guitarra e piano admiráveis e a última transição instrumental muito bem executada. A faixa de encerramento, “I Dream About You”, apresenta a cantora Juliet Simms, vocalista da banda Automatic Loveletter.

Uma balada exuberante que pisa em um território sonoramente novo para a banda. Ela possui uma vibração atmosférica e sonhadora, amplificada por cordas de violinos, ranhuras orquestrais e belas harmonias. Desde as notas de abertura, os vocais de Pierre e tons melodiosos de Juliet Simms complementam um ao outro muito bem. “Eu sonhei com você / Só Deus sabe o que eu faço / Eu sonhei com você / Cada noite é verdade / Eu sonhei com você”, eles cantam no refrão. Uma bela maneira de encerrar o repertório do álbum. Como um todo, “Taking One for the Team” é preenchido por canções clássicas de pop-punk e é exatamente algo que os fãs esperavam do Simple Plan. É um disco de fácil digestão e com apenas duas ou três faixas de enchimento. Aqui, praticamente todo o repertório é up-tempo, divertido, contagiante e cheio de energia. Com este registro, vemos a banda voltando fortemente às suas raízes e entregando canções inspiradas por seus primeiros trabalhos. Por este motivo, podemos ter certeza de que a banda agradou toda a sua fã base.

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Favorite Tracks: “Opinion Overload”, “I Refuse”, “Perfectly Perfect”, “I Don’t Wanna Be Sad” e “Problem Child”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.