Resenha: Sia – 1000 Forms of Fear

Lançamento: 04/07/2014
Gênero: Pop, Eletrônica
Gravadora: Monkey Puzzle, RCA Records
Produtores: Christopher Braide, Greg Kurstin, Diplo e Jesse Shatkin.

“1000 Forms of Fear” é o título do sexto álbum de estúdio da cantora e compositora australiana Sia Furler. Foi produzido por Greg Kurstin, seu produtor de longa data, além de Diplo que co-produziu “Elastic Heart” e Jesse Shatkin, que co-produziu o primeiro single “Chandelier”. Há quatro anos Sia não lançava um álbum e ela revelou que se sente desconfortável com a perspectiva de se tornar famosa, inclusive, recusando a fazer aparições promocionais. Ela é uma compositora muito requisitada, visto que tornou-se onipresente nos últimos anos, escrevendo para diversos artistas, como Rihanna (Diamonds), Britney Spears (Perfume), Beyoncé (Pretty Hurts) e Katy Perry (Double Rainbow). Ela também apareceu cantando em faixas de Eminem (Beautiful Pain), David Guetta (Titanium e She Wolf) e Flo Rida (Wild Ones). O “1000 Forms of Fear” possui 12 faixas com boas produções e ótimas letras, canções mais escuras e complexas do que as que ela costuma escrever para outros artistas.

Ela utiliza uma gama inteligente de texturas e metáforas, para manter as coisas interessantes e inspiradoras em suas letras. É uma fórmula tão eficaz que Sia surpreende com a facilidade que possui para compor. Ela é realmente uma mulher inteligente, que soube encontrar o meio perfeito para dizer suas verdades. Mas Sia dificilmente fará uma turnê e raramente dá entrevistas, as poucas vezes que falou, recusou a deixar alguém ver o seu rosto. Aparecendo, inclusive, de costas para a platéia em alguns programas. A capa do álbum segue o mesmo exemplo, imaginando-a como uma peruca loira sem corpo e rosto. Sia já lançou outros cinco álbuns antes do “100 Forms of Fear”, porém, este é o primeiro desde que ela tornou-se popular no mundo pop. No som, nas composições e em performances, ela capta o melodrama da vida dos adolescentes, com todo o exagero lunático que merece. Nesse álbum, Sia mostra seu bom ouvido para melodias poderosas, uma maneira peculiar com letras e a sua surpreendente voz com sotaque indefinível.

O álbum é bastante inspirado por temas como alcoolismo, depressão e insegurança romântica, e as músicas estão cheias de uma violência metafórica desconcertante. Na maior parte do disco, ela soa agradavelmente sensual, poderosa e, ocasionalmente, rouca. O disco é uma versão da angústia em profundidades destrutivas, cantado por uma voz inconfundível, por uma artista talentosa e arrebatadora. O “1000 Forms of Fear” sonoramente é impecável e contemporâneo, e esse requisito já o colocou entre os melhores lançamentos pop de 2014. O disco já abre com o hit “Chandelier”, uma música incrível que possui uma batida de fundo muito semelhante à “Diamonds” de Rihanna. Cada sílaba é interpretada com belos vocais e de uma forma majestosa. O desempenho vocal de Sia está em outro nível, principalmente no poderoso refrão, “I’m gonna swing from the chandelier, from the chandelier”. A segunda faixa é “Big Girls Cry”, outro grande acerto. Aqui, Sia mostra que não tem medo de expressar suas emoções em uma faixa surpreendente: “I don’t care if I don’t look pretty / Big girls cry when their hearts are breaking”.

Sia

“Burn the Pages” mantém o nível, mesmo não sendo tão bombástica como as duas primeiras canções. Tem potencial para single, pois é uma boa radio-friendly e uma das faixas mais cativantes. Em “Eye of the Needle, Sia chora sozinha no piano e com um vocal impressionante. Uma pausa bem-vinda, que diminui um pouco a agitação do álbum e usa uma base synthpop como em seus outros discos. “Hostage” pode não fazer de Sia uma grande estrela pop, mas é boa o suficiente para fazer dela uma das mais convincentes. A intensidade do título e o vocal intoxicado de “Straight for the Knife”, já diz tudo o que você precisa saber sobre metáforas sombrias. O piano suave de “Fair Game”, infelizmente, não se sobressai e acaba deixando essa faixa bem aquém do restante do álbum. Em contrapartida, a faixa seguinte, “Elastic Heart”, é maravilhosa e a melhor de todo o álbum. Fez parte da trilha sonora de “The Hunger Games: Catching Fire” e fornece um tom emocional de um verdadeiro hino.

Em conjunto com Diplo e o vocal esganiçado de The Weeknd, Sia com o seu instinto criativo, conseguiu cruzar repetidamente gêneros fora de sua zona de conforto. O nível e qualidade do disco ainda continua em alta nas faixas seguintes. “Free the Animal”, a primeira delas, tem uma letra que elucida a linha emocional entre o amor e a morte, transmitindo uma incrível energia e um entusiasmo com excelentes arranjos. E, quando pensamos que todo o ápice do registro passou, chegamos na explosão dramática de “Fire Meet Gasoline”. Essa canção soa como o maior potencial atingido do álbum, graças a metáfora central e a sonoridade abertamente popular, parecendo uma segunda parte de “Halo” de Beyoncé. “Cellophane”, com o seu clímax eletropop, é uma balada enjoativa que ficou abaixo do esperado, mas o álbum termina de forma fascinante com “Dressed In Black”, canção que oferece um impressionante refrão nos seus dois últimos minutos de duração.

“1000 Forms of Fear” provavelmente tem o melhor conjunto de obra dos trabalhos de Sia, é incrível o talento dela para criar refrões viciantes. Os seus vocais aqui são texturizados com batidas, sintetizadores e enfeites surpreendentes, como acordes sinistros de piano. E, felizmente, ela retornou com um excelente material, para compartilhar a sua voz ressonante e os seus dons criativos diretamente conosco. “1000 Forms of Fear” é um álbum pop feito para momentos de incertezas, criado por uma artista que está em conflito e com o coração vulnerável. Seu som é tão eficaz, essencial e emocionante, que só mostra o quão ela é realmente uma mulher inteligente. A australiana usa suas composições para captar o melodrama da vida, portanto, irá ver muitos apreciando o seu trabalho mesmo que deteste a fama. Ela agora é uma cantora pop que está finalmente recebendo o seu devido reconhecimento.

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Favorite Tracks: “Chandelier”, “Big Girls Cry”, “Elastic Heart (feat. The Weeknd & Diplo)”, “Free the Animal” e “Fire Meet Gasoline”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.