Resenha: Sheryl Crow – Be Myself

Lançamento: 21/04/2017
Gênero: Rock
Gravadora: Warner Bros.
Produtores: Sheryl Crow e Jeff Trott.

Diferente de muitos artistas da década de 90, Sheryl Crow não está voltando depois de uma longa ausência. Há quase 30 anos ela grava e lança novos álbuns regularmente. No entanto, seu mais novo álbum, “Be Myself”, ainda parece algum tipo de retorno às origens. Após lançar um disco de blues/soul e outro country, “Be Mylsef” vê Sheryl Crow voltando a sua marca pop-rock que a fez tão famosa anos atrás. A cantora co-produziu o disco ao lado de Jeff Trott, com quem trabalhou no “The Globe Sessions” em 1998. No passado, ambos trabalharam muitas vezes juntos, tanto que Trott co-escreveu alguns de seus sucessos, como “If It Makes You Happy” e “My Favorite Mistake”. Portanto, se você é fã do antigo trabalho de Crow, provavelmente vai gostar desse álbum. Construído em torno de guitarras, é um LP perfeito para ouvir num dia ensolarado enquanto você dirige ou caminha. Jeff Trott tratou de garantir um som rock que vai contra qualquer artefato utilizado no “Feel Like Home” (2013). Dito isto, podemos dizer que “Be Mylsef” é um lembrete bem sucedido para as pessoas que se apaixonaram por ela no passado. Com ajuda de Trott, a cantora simplesmente cavou fundo para entregar o seu melhor disco em anos. Além disso, há uma maturidade consistente nesse registro, uma sensação de que Crow fez de tudo para criar algo artístico e memorável. A maioria das canções abordam temas comuns para a cantora, como amor, perda, conexão e rupturas. Para abrir o álbum, Sheryl Crow optou por “Alone in the Dark”, uma faixa dinâmica e com vibrações animadas que se encaixam lindamente com as letras.

O primeiro single, “Halfway There”, abre com ritmos agitados de guitarra que lembram a Sheryl Crow dos anos 90. As trompas bluesy entram silenciosamente, enquanto Crow move a melodia para um sulco mais emotivo. Liricamente, é uma música que pede as pessoas para se juntarem, em vez de usar suas forças para combater uns aos outros. “Mas você sabe o que é melhor, e eu sei o que é melhor / Vamos apenas concordar em vez de discordar”, Sheryl implora. A autobiográfica “Long Way Back”, que contém as mesmas sensações intensas do álbum “The Globe Sessions”, vê Crow explorando as tribulações que ela enfrenta em sua vida. “Vi mais desta vida do que a maioria já viu”, ela admite referindo-se a sua batalha contra o câncer e os altos e baixos de sua carreira. Um dos melhores e mais gloriosos momentos do registro é a faixa-título, “Be Myself”. Um número up-tempo cativante cheia de mensagens positivas e esperançosas. Aqui, Sheryl concorda com ser quem ela é e aprender a ser feliz com isso. Outro atributo encantador dessa faixa é a clareza de sua instrumentação. A próxima faixa, “Roller Skate”, contém um fluxo de tambores cintilantes e uma boa guitarra. Ela faz uma mistura caprichosa de rock e country, e muda um pouco a direção do álbum. Em seguida, a grande balada “Love Will Save the Day” fornece efeitos vintage e sons dramáticos. Sua vibração mais lenta casa-se muito bem com o desempenho vocal de Crow. Suas batidas dramáticas e melodias são inspiradas por algumas influências jazz. As letras são otimistas e esperançosas, e dão a sensação de que Sheryl amadureceu ainda mais como compositora. “Strangers Again”, por sua vez, coloca antigos relacionamentos em uma nova perspectiva para a cantora.

É uma canção com vocais ligeiramente diferentes que, ao mesmo tempo, adiciona um pouco de tristeza à mistura. A descontraída “Rest of Me” é uma canção country e folk com uma produção mais simples. Possui um instrumental doce e acústico, que a faz relembrar de alguns relacionamentos fracassados. O álbum atinge o seu pico com “Heartbeat Away”, que adiciona outra pitada de jazz na mistura rock e country de Sheryl Crow. Posteriormente, “Grow Up” aparece com uma nota brincalhona e um toque sônico ventoso, antes de “Woo Woo” mudar as coisas com suas influências eletrônicas. Essa faixa aborda a sexualização das mulheres na sociedade e, certamente, deve agradar a multidão com seus toques dançantes. “Be Mylsef” é o registro mais coeso de Sheryl Crow em anos. É um retorno ao verdadeiro som da cantora. É muito bom ouvir ela revisitar o som que fez ela ser popular em primeiro lugar. Enquanto sua música sempre foi agradável, ela está no seu melhor quanto abraça suas raízes rock. No seu estilo mais tradicional, nesse disco, Sheryl Crow oferece uma nova perspectiva sobre situações antigas de sua vida. “Be Myself” é uma coleção que remonta a década de 90 com toques modernos adicionados à mistura. E, como resultado, o álbum é surpreendentemente familiar. A cantora toca no coração dos ouvintes, enquanto explora os altos e baixos de situações cotidianas. Embora “Be Myself” não seja exatamente o melhor trabalho de Sheryl Crow, ele é uma perfeita indicação de sua aptidão, autenticidade e talento. Esse álbum é mais um momento adoçado e remodelado da cantora, que ainda consegue soar natural e cheia de vida mesmo depois de décadas.

Favorite Tracks: “Alone in the Dark”, “Be Myself” e “Love Will Save the Day”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.