Resenha: Shady Records – ShadyXV

Lançamento: 24/11/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap
Gravadora: Shady Records / Interscope Records
Produtores: Eminem, Boi-1da, Just Blaze, The Maven Boys, Luis Resto, DJ Premier, Emile Haynie, John Hill, Conrad Clifton, Mr. Porter, Marv Von, Statik Selektah, Apex, Araabmuzi, The Audibles, Dr. Dre, Jeff Bass, J-Praize, Luis Resto, Mike Elizondo, Dirtybird, Mr. Pyro, Scott Stoch, WillPower, Witt & Pep.

A Shady Records é uma gravadora americana fundada em 1999 pelo rapper Eminem e seu empresário Paul Rosenberg, logo após o lançamento do bem sucedido “The Slim Shady LP”, seu álbum de estreia. Ao longo dos anos, a gravadora ganhou diversas certificações da RIAA (Recording Industry Association of America) pelas boas vendas dos seus atos. Entre os grandes artistas assinados pela Shady Records, temos o próprio Eminem, D12, Slaughterhouse, Yelawolf, Bad Meets Evil, e ex-artistas como Obie Trice, Stat Quo, Bobby Creekwater, Cashis e 50 Cent. Em novembro de 2014 foi lançado o álbum “Shady XV”, uma coletânea com canções de vários artistas da gravadora. É um disco duplo, sendo lançado em homenagem ao 15º aniversário do rótulo, bem como o 15º projeto (excluindo lançamentos solo de Eminem). “Shady XV” estreou em #3 na Billboard 200, ao vender 138 mil cópias em sua primeira semana nos Estados Unidos.

O primeiro disco apresenta o novo material da Shady Records, pelos artistas Slaughterhouse, Bad Meets Evil, D12, Yelawolf e do fundador, Eminem. O segundo disco inclui grandes sucessos da marca, que também conta com os ex-membros da Shady Records. Todos os artistas anteriores e atuais da etiqueta estão representados no decorrer do álbum. Tudo isso embrulhado com grandes obras que representou o selo durante 15 anos. No segundo disco, por exemplo, temos smash hits como “Lose Yourself” (Eminem), “P.I.M.P.” e “In Da Club” (50 Cent). Entre as novas gravações temos quatro faixas solo do Eminem, da qual ele demonstra que o seu exibicionismo vocal ainda é impressionante. Também temos novas batidas interessantes, além de alguns refrões e passagens incríveis. A faixa-título, “ShadyXV”, abre o repertório com Eminem e suas tendências controversas. Aqui, o rapper declara: “Caramba, eu sou um misógino”.

Essa frase faz referência às manchetes que saíram antes do lançamento do álbum, envolvendo ele e a rapper Iggy Azalea. Sua batida é contagiante e, no geral, é uma ótima faixa, embora possua uma boa quantidade de linguajar impróprio. Em seguida, Eminem junta-se com Royce da 5’9″, Crooked I e Yelawolf em “Psychopath Killer”, para entregar uma das melhores canções do repertório. Cordas obscuras e o refrão estridente de Yelawolf cooperam para fazer uma música típica dos álbuns do Eminem. Durante a faixa “Die Alone” o cantor Kobe, que já havia colaborado com Eminem em “Talkin’ 2 Myself”, contrasta bem cantando o cativante refrão ao lado das rimas introspectivas do rapper. É uma faixa mais sentimental e, felizmente, Eminem sempre lida bem com letras mais emotivas. Por outro lado, a estranha “Vegas” traz nos vocais o Bad Meets Evil, projeto paralelo do Eminem com Royce Da 5’9″.

Shady Records

É uma faixa infame e, francamente, misógina, como podemos perceber nos versos: “So what’s it gon’ be? Put that shit away Iggy / You gon’ blow that rape whistle on me”. Eminem ridiculariza a cultura pop e ainda rima de forma rude em versos como: “Bitch, shut the fuck up and get in my car / And suck my fucking dick while I take a shit / And I think with my dick so come blow my mind.” A faixa seguinte, “Guts Over Fear”, que também foi o primeiro single do álbum, felizmente compensa a falta de qualidade de “Vegas”. O Eminem honesto e emocional reaparece ao lado de Sia, em uma canção brilhante que acena mais para o lado pop, como “The Monster” e “Love the Way You Lie”. Yelawolf, com seu sotaque sulista, consegue brilhar sozinho na faixa “Down”, uma música com melodias acústicas que evoca o caos de uma cidade dominada pelo crime. É bom ver o D12 de volta, mas a canção “Bane” não é tão grande como eu imaginava.

É cativante e possui um conceito legal, no entanto, é ao mesmo tempo muito estática e serviu apenas como uma música de enchimento. A partir da nona faixa, a qualidade cai consideravelmente, a começar pela inclusão desnecessária de “Fine Line”, que parece estar totalmente fora do lugar. “Twisted”, com vocais adicionais de Skylar Grey, foi outra inclusão equivocada, pois é uma canção sonolenta, monótoma e esquecível. Os fãs mais recentes do Eminem podem até curtir, mas os antigos provavelmente irão ignorar esta canção. “Right For Me” parece ter sido feita visando apenas a quantidade e não a qualidade. Parece que a música foi criada totalmente dentro de sua zona de conforto e sem grandes preocupações com a produção. Felizmente, Eminem consegue salvar, com a faixa de encerramento, a péssima sequência das faixas anteriores. “Detroit Vs. Everybody” é uma pista poderosa, que traz grandes versos dos convidados Big Sean, Royce Da 5’9″ e Danny Brown.

Essa faixa fez nós lembrarmos o que fez Eminem chegar tão longe e ainda prova que ele elevou o status de Detroit para um potente viveiro de hip hop. Em sua existência de 15 anos, a Shady Records desfrutou de alguns artistas de enorme sucesso, como 50 Cent, e perdeu outros muito talentosos, como Obie Trice, que saiu do rótulo em 2008. Depois de tanto tempo do nascimento da gravadora de Eminem, é difícil não ficar animado para ouvir um projeto tão ambicioso como esse. O álbum tem seus bons momentos e vários pontos fortes, mas o fato é que “ShadyXV” não entrega respostas definitivas com relação ao presente e futuro do rótulo. Em última análise, digo que é um disco mediano, com algumas ótimas canções, como “Psychopath Killer” e “Die Alone”, porém, com outras bem descartáveis como “Twisted” e “Right for Me”. Os fãs mais ardorosos do Eminem, certamente, irão dizer que é um álbum bom o suficiente. Entretanto, para aqueles que procuram aquela onda nostálgica que lembre o reinado do Rap God, alguma adrenalina ou um conteúdo inovador, não será um material tão proveitoso.

65

Favorite Tracks: “ShadyXV”, “Psychopath Killer”, “Die Alone”, “Guts Over Fear” e “Detroit Vs. Everybody”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.