Resenha: Sepultura – Machine Messiah

Lançamento: 13/01/2017
Gênero: Thrash Metal, Death Metal, Groove Metal
Gravadora: Nuclear Blast
Produtor: Jens Bogren.

Geralmente, a primeira impressão que temos sobre um álbum é baseada em sua capa. E, independente de sua opinião, a arte da capa do disco “Machine Messiah” é realmente incrível. Originalmente uma pintura do artista filipino Camille Dela Rosa, a obra se encaixa perfeitamente no conceito por trás do novo álbum da banda brasileira Sepultura. Sobre o conceito do álbum, Andreas Kisser afirmou no site da Sepultura: “A principal inspiração em torno de “Machine Messiah” é a robotização da nossa sociedade de hoje em dia. O conceito é baseado em uma ‘máquina de Deus’ que criou a humanidade e agora parece que este ciclo está se fechando, voltando ao ponto de partida. Viemos de máquinas e vamos voltar para onde viemos. O messias, quando ele voltar, será um robô, ou um humanoide, nosso salvador bio-mecânico”. Desde o lançamento do disco “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart” (2013), o Sepultura esteve no estúdio trabalhando em seu 14º álbum de estúdio (8º na era Derrick Green). A banda tem sido uma enorme influência na cena thrash desde o início do gênero, e é através de sua devoção ao estilo que eles desenvolveram um seguimento muito leal. Com muitos solos de guitarra, bateria pesada, ritmos e vocais brutais, “Machine Messiah” mantém tudo em alta rotação durante 10 faixas. Logo na primeira escuta, fiquei agradavelmente surpreendido com este disco.

Do início ao fim, o álbum está repleto de constantes riffs groovy e thrashy, e um fascinante trabalho na bateria. A banda passa muito do álbum expandindo seu lado melódico, e dá ao mesmo um verdadeiro potencial. “Machine Messiah” marca a primeira colaboração da banda com o ótimo produtor sueco Jens Bogren. Por mais de três décadas, o Sepultura tem sido o rosto do metal brasileiro. Depois de tanto tempo, muitas bandas às vezes começam a desaparecer ou cair no esquecimento. Mas, felizmente, o Sepultura tem provado o contrário. “Machine Messiah” é tão aventureiro como a banda sempre foi. A mescla de thrash, death, groove e heavy metal desse disco encontra novas maneiras de agarrar os ouvintes mais antigos da banda. É um álbum que também sugere uma nostálgica volta às raízes do Sepultura. Ao longo dos anos, a banda tem provado suas habilidades entre todos esses estilos e, com o seu mais recente lançamento, eles criaram um dos seus melhores trabalhos. “Machine Messiah” é um trabalho bem diverso, uma vez que há pouquíssimas músicas que pareçam semelhantes entre si. No geral, a principal força deste álbum vem dos instrumentais, e como eles são capazes de equilibrar a mistura de todos os diferentes estilos em jogo. No momento em que uma canção termina, a próxima já pula para algo novo, mantendo sempre os nossos ouvidos atentos. Muitos elogios devem ser feitos a Andreas Kisser e Eloy Casagrande, na guitarra e bateria respectivamente.

De riffs profundos, notas sonoras altas, trituração e momentos sombrios, Kisser nos fornece uma vasta gama de energia. Enquanto isso, a capacidade de Casagrande para manter o equilíbrio, ajuda a fornecer um ótimo complemento. Uma das poucas falhas do álbum é observado na ausência de muitas faixas realmente memoráveis. O repertório é agradável, mas, por outro lado, há poucas canções que realmente ficam na mente. A faixa-título, “Machine Messiah”, abre o registro com uma introdução de guitarra quase limpa e tradicional. Isso nos leva para os vocais barítono do frontman Derrick Green. Nessa faixa de abertura, existe una atmosfera sombria e semi-orquestral, guiada completamente por seu canto gutural e emocional. Apesar da introdução meio lenta, essa canção rapidamente pega um ritmo e apresenta o som de assinatura da banda. Pesada e brutal, aqui temos tudo que poderíamos esperar do Sepultura. Abrir com a faixa-título foi uma jogada bem inteligente. “I Am The Enemy” é tudo o que você esperaria de um clássico thrash-metal. As batidas rápidas e percussivas, e os riffs agressivos acompanham os vocais e gritos icônicos de Green. Mesmo com essa velocidade, sua consistência técnica é incrível. Faixas como esta demonstram que “Machine Messiah” é um registro de uma banda completa em vários aspectos. A próxima faixa, “Phantom Self”, também é uma concorrente direta para o posto de música mais forte do álbum.

As letras de Green nessa canção, sobre a perda de identidade, são tristemente apropriadas, já que ele as entrega sobre sintetizadores e um som tipicamente brasileiro. Green, sem dúvida, fornece uma vocalização muito forte através de momentos de cantos e gritos durante “Phantom Self”. Usualmente, Sepultura agarra aleatórios pedaços de outros gêneros musicais, como podemos ouvir no poderoso instrumental “Iceberg Dances”, acompanhado da faixa orquestral “Sworn Oath”. Essa última faz a banda seguir por uma rota mais pesada e maciça. Monstruosamente escura, esta é uma canção que causa arrepios. Os riffs de Andreas Kisser estão muito bem elaborados e mantêm você atordoado. Ademais, possui uma intensa acumulação e momentos de poderoso minimalismo. Na sequência, “Resistant Parasites”, com o seu ritmo estelar e raivoso, dá lugar a um par de faixas mais rápidas, como “Silent Violence” e “Vandals Nest”. Por fim, há uma atmosfera misteriosa por toda superfície da faixa de encerramento “Cyber God”. Aqui, mais uma vez, os vocais de Green criam uma atmosfera sinistra, enquanto os riffs abrasivos pulsam e constroem um verdadeiro suspense. O solo de guitarra de Kisser é o destaque da canção, pois é executado com muita precisão e clareza. Como sempre, as incursões do Sepultura em novos territórios resultam em combinações interessantes de sons. “Machine Messiah” é certamente um disco ambicioso e progressivo, e uma oferta sólida o suficiente para despertar a atenção de qualquer ouvinte.

Favorite Tracks: “I Am the Enemy”, “Phantom Self” e “Sworn Oath”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.