Resenha: ScHoolboy Q – Oxymoron

Lançamento: 25/02/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap
Gravadora: Interscope Records
Produtores: Anthony “TOPDAWG” Tiffith, Schoolboy Q, Boi-1da, Clams Casino, DJ Dahi, Frank Dukes, LordQuest, The Maven Boys, Mike Will Made It, Marz, Nez & Rio, Pharrell Williams, Rocket, Sounwave, Swiff D, Tae Beast, THC, Tyler, the Creator, The Alchemist e Willie B.

“Oxymoron” é o título do terceiro álbum de estúdio do rapper americano Quincy Hanley, mais conhecido pelo seu nome artístico Schoolboy Q (muitas vezes estilizado como ScHoolboy Q). Foi lançado em 25 de fevereiro de 2014 pela Interscope Records, sendo o seu primeiro álbum a ser lançado por uma grande gravadora. A produção ocorreu entre junho de 2012 até final de 2013 e conta com participações de Kencrick Lamar, 2 Chainz, A$AP Rocky, Jay Rock, Kurupt e Tyler, the Creator.  O disco estreou em #1 nos Estados Unidos ao vender mais de 139 mil cópias em sua primeira semana de lançamento. ScHoolboy Q revelou que o título do álbum deriva de seu passado como traficante e o desejo de seguir o conceito de seu último trabalho, Habits & Contradictions (2012). Em janeiro de 2014, ele explicou que “Oxymoron” (“Paradoxo” em português) refere-se: “O paradoxo neste álbum é o que eu estou fazendo de ruim para fazer o bem para minha filha. Seja o que for que eu estou falando de negativo em meu álbum, é sempre por uma boa causa, por minha filha”.

ScHoolboy Q explora o uso de drogas em grandes detalhes, ele apresenta a cultura de gangues, a sua violenta glória e descreve o sexo com vulgaridade por toda parte. A produção variada do registro estabelece um bom equilíbrio, entre as dores da vida e o clima de festa encontrado em algumas faixas. Com o seu primeiro material lançado por uma grande gravadora, o rapper prova ao mainstream que consegue fazer um trabalho de qualidade. Tudo no “Oxymoron” é bom, sem enchimentos e, embora algumas faixas não sejam apropriadas para as rádios, em um contexto geral, nada parece fora do lugar. Contos de gangues e tráficos de drogas são um contraste para outras faixas mais emocionais e introspectivas. Esse álbum foi um dos mais esperados lançamentos de hip-hop de 2014 e, definitivamente, o “Oxymoron” fez jus ao buzz que o cercava. Com um som pesado, cheio de versos memoráveis, Quincey Hanley chegou com um material prontamente competitivo para o próximo Grammy Awards.

ScHoolboy Q

O seu álbum é poderoso, com grandes batidas e boas letras, que concentram-se em duras verdades. É incrível em como o seu talento musical foi capaz de produzir descrições perfeitas de sua vida. Para começar a mostrar o seu trabalho, o rapper lançou a canção “Yay Yay” como primeiro single. Produzida pelo canadense Boi-1da, a canção, no entanto, só está incluída na versão deluxe do álbum no iTunes. A faixa “Gangsta” foi a escolha adequada para ser a abertura do registro. Uma canção potente, com uma batida sinistra, que mostra uma fúria oscilante em sua voz que, por muitas vezes, lembra um material mais desequilibrado do Eminem. “Los Awesome”, produção de Pharrell Williams, é uma das faixas mais essenciais do disco. A batida imposta por Williams, com novos truques, é um pouco diferente das que ScHoolboy Q costuma rimar, entretanto, ficou sublime no jogo de palavras efetivamente atrofiados do rapper.

Em “Collard Greens” temos a participação de Kendrick Lamar e o seu ótimo vocal nasal entupido. Uma canção fantástica, com uma ótima produção e a mais divertida do álbum. O fluxo de Kendrick Lamar só contribuiu positivamente, onde ele nos fornece uma poderosa e complicada rima bilíngue. “What They Want” é hipnótica, produção de Mike Will Made It, e em colaboração com rapper 2 Chainz. Aqui, Schoolboy Q mostra uma ótima versatilidade ao lado de 2 Chainz, para nos presentear com um maravilhoso hino sombrio e obscuro. Em “Hoover Street” o repertório do “Oxymoron” permanece fascinante, com Q ostentando o seu lado ambicioso sob uma batida trap. Essa é a primeira faixa que oferece um olhar sem precedentes sobre o funcionamento interno da família de Quincy Hanley. “Studio” é uma canção de amor e sexo estranhamente encantadora, que termina com Q cantando sobre a colocação de “my tongue in different places”.

O rapper destaca-se ao atingir, mais uma vez, o equilíbrio entre um som musicalmente interessante e perfeito para as rádios. “Prescription/Oxymoron” é uma peça central de 7 minutos, onde Q conta uma história pessoal chocante. Uma canção impressionante e intensa que mostra uma realidade angustiante. Uma suave obra-prima que utiliza sua filha, Joy, para ilustrar as várias dores de sua vida. “My mommy call, I hit ignore / My daughter calls, I press ignore / My chin press on my chest, my knees press the floor”, ele compartilha com uma entrega inexpressiva. Na boa faixa “The Purge” ele colabora com os rappers Kurupt e Tyler, the Creator. Não posso deixar de mencionar que Kurupt roubou a cena nessa música, cuspindo os seus melhores versos em anos. Na nona faixa, “Blind Threats”, Q está implacável como de costume rimando sob a incrível batida produzida por LordQuest. Raekwon foi convidado para esta canção e, como veterano, não poderia deixar de contribuir com um excelente trabalho.

Schoolboy Q

“Hell of a Night” é uma das peças mais sombrias do “Oxymoron”, faixa que apresenta alguns dos versos mais dissimulados de Q sobre mulheres. Com uma bateria eletrônica e uma harmonia assustadora ao fundo, essa canção tem super potencial de hit. O momento mais ambicioso do álbum é “Break the Bank”, produção de The Alchemist apresentada no decorrer de quase 6 minutos. Uma canção gloriosamente suave e intensa sobre promessas de riqueza, que me lembrou em alguns momentos a faixa “Sing About Me, I’m Dying of Thirst” de Kendrick Lamar. A última faixa do disco é a melhor e, consequentemente, a minha favorita: “Man of the Year”. Não tem uma letra perfeita, mas possui uma força incrível e uma batida explosiva, que a torna em um dos momentos mais memoráveis do “Oxymoron”. É realmente um destaque, encerrando essa obra da melhor maneira possível. Esse álbum merece toda a moral que colocaram sobre ele, ScHoolboy Q não poderia ter feito um trabalho melhor. O “Oxymoron” marca a chegada do rapper, que já é rotulado como um grande artista.

É um disco brilhante que fornece uma base perfeita para construir um público mainsteam. Principalmente por causa da sua sonoridade emocionante e interessante, que vai além de uma musicalidade convencional. De muitas maneiras, “Oxymoron” oferece exatamente o que foi anunciado, pois é um projeto sinistro com um punhado de canções de alto padrão e fortemente repleto de boas letras. Um trabalho sólido e um grande salto em sua carreira. ScHoolboy Q, com esse disco, reafirmou o seu status de artista cheio de músicas sonoramente atraentes. O rapper da Califórnia, com a sensibilidade de L.A., parece ter achado naturalmente o caminho para o topo em uma impressionante exibição de sagacidade. Q coloca a sua imagem contra a realidade e miséria, tentando fazer um espaço para si mesmo entre as contradições densamente emaranhadas de sua existência. Um registro que, muitas vezes, é chocante e com muitos exemplos de seu passado, apresentando a vulnerabilidade como uma marca registrada. Não há uma música ruim nesse álbum, um registro verdadeiramente notável.

79

Favorite Tracks: “Collard Greens (feat. Kendrick Lamar)”, “Studio (feat. BJ the Chicago Kid)”, “The Purge (feat. Tyler, The Creator & Kurupt)”, “Hell of a Night”, “Break the Bank” e “Man of the Year”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.