Resenha: Scalene – magnetite

Lançamento: 18/08/2017
Gênero: Stoner Rock, Metal Alternativo
Gravadora: Som Livre
Produtores: Diego Marx e Scalene.

Para quem não é familiarizado, Scalene é uma banda brasileira de stoner-rock formada em Brasília em 2009. Até o momento, eles já lançaram três EPs e quatro álbuns de estúdio, incluindo o “magnetite”. Gravado em São Paulo, o álbum foi resultado da colaboração entre a banda e o produtor Diego Marx. Eles passaram a ganhar reconhecimento após participarem da segunda temporada do reality show Superstar da Rede Globo, onde terminaram como vice-campeões. Até então, o seu disco mais conhecido é o “Éter” (2015), registro este que foi vencedor do Grammy Latino na categoria de “Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa” depois de ter sido relançado pela Som Livre. Atualmente, Scalene é composta por Gustavo Bertoni (voz e guitarra), Tomás Bertoni (guitarra e teclado), Lucas Furtado (contrabaixo elétrico e sintetizador) e Philipe Nogueira (bateria). O álbum é formado por um total de doze faixas, todas escritas pelo vocalista Gustavo Bertoni com auxílio dos colegas Lucas Furtado e Philipe Nogueira. Inesperadamente, “magnetite” possui elementos de outros gêneros salpicados em meio a produção, como o MPB, R&B e a música eletrônica. Os dois primeiros singles do registro, “ponta de anzol” e “cartão postal”, mostram com propriedade as novas influências do quarteto.

“ponta de anzol” possui um ritmo sólido e punky, além de batidas influenciadas pelo R&B, enquanto “cartão postal”, a canção mais pessoal do álbum, possui texturas e melodias incrivelmente atraentes. “magnetite” contém alguns elementos diferentes dos discos anteriores da banda. O vocal de Gustavo Bertoni, por exemplo, está ainda mais confiante e seguro. Além disso, é um registro mais coeso e diversificado do que o aclamado “Éter” (2015) e o orgânico “Real/Surreal” (2013). Os instrumentais continuam pesados, principalmente as guitarras, arranjos e o baixo. A faixa de abertura, “extremos pueris”, é provavelmente a faixa que mais lembra o álbum anterior, ao passo que “heteronomia” nos remete ao segundo disco da banda. Liricamente, “distopia” é uma das faixas mais corajosas e afiadas, pois é direcionada aos falsos profetas. “Homens de terno, podres por dentro / E a bíblia na mão, bíblia na mão / Pregam o ódio, intolerância / A cada sermão, cada sermão”, Bertoni canta aqui. “trilha” e “velho lobo” possuem estruturas parecidas, principalmente por utilizarem elementos de R&B em sua composição. “velho lobo”, em particular, também contém um piano jazzístico e influências de MPB. Scalene é uma banda realmente talentosa, enquanto “magnetite” é uma ótima adição à sua discografia. Um álbum com uma maturidade aparente, harmonias complexas e excelente trabalho instrumental.

Favorite Tracks: “ponta de anzol”, “cartão postal” e “distopia”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.