Resenha: Santigold – 99¢

Lançamento: 26/02/2016
Gênero: Art Pop, Dance, New Wave, Indie Pop
Gravadora: Atlantic Records
Produtores: Santigold, Patrik Berger, John Hill, Rostam Batmanglij, Ian Longwell e Dave Sitek.

Em 2016 a cantora Santigold, mais formalmente conhecida como Santi White, retornou após um hiato de quatro anos. Desde que explodiu na cena musical em 2008, a americana não encaixa-se em quaisquer moldes artísticos. Ela não combina inteiramente com o público alternativo, mas também é muito estranha, no bom sentido da palavra, para ser apreciada pelo público mainstream. Desde que lançou seu disco de estreia, ela resolveu atuar, produziu uma coleção de maquiagens e participou de uma trilha sonora. Ela sempre foi uma artista eletrônica do qual devemos prestar atenção. Suas influências são vastas e sua música frequentemente descrita como variada. Seu terceiro álbum de estúdio, “99¢”, comprova o quanto ela é uma artista versátil. A partir do momento que Santi White criou um nome para si mesmo, ela conseguiu mostrar seus talentos.

Seu primeiro single, “Creator”, gerou comparações com M.I.A., enquanto compartilhou alguns produtores com ela (Diplo, por exemplo). “Santogold”, seu primeiro álbum confusamente intitulado, girava em torno de fortes melodias eletrônicas, tais como as de “Lights Out”. Enquanto foi muito elogiada pela crítica, ela sumiu dos olhos do grande público por boa parte do tempo. White ressurgiu em 2012 com o disco “Master of My Make-Believe” e um par de colaborações de alto perfil, como Major Lazer e A$AP Rocky. Após mais 4 anos ausente da cena musical, ela retornou com um registro incrivelmente consistente. Embora “99¢” não seja um álbum conceitual, por qualquer meio, ele faz alguns comentários sobre a cultura consumista e a vaidade da era moderna. Para esse disco, ela trabalhou com vários colaboradores, incluindo grandes nomes como Dave Sitek e Rostam Batmanglij (ex-Vampire Weekend).

O conteúdo lírico é ousado e emerge numa mistura variada de estilos musicais, como o pop, dance, new wave, indie-pop, hip-hop, trap, synthpop, pop-rock e R&B. Na escrita também temos a presença de um time atraente, incluindo Cathy Dennis, Sarah Hudson e Patrik Berger. A faixa de abertura, “Can’t Get Enough of Myself”, é um pop-bubblegum que satiriza cuidadosamente a vaidade e o narcisismo da cultura moderna. A produção apresenta brilhantes arranjos de metais, tambores, bassline funky, melodias edificantes e bons sintetizadores. Considerando o fato dela lidar com um comentário social pesado, é admirável o quanto é uma música sonoramente alegre e otimista. A maioria das faixas são críticas à indústria do entretenimento. A fabulosa “Big Boss Big Time Business”, por exemplo, é um clássico número de Santigold, onde ela canta alegremente: “Eu tenho a chave para o sistema!”.

Santigold

Apesar do refrão enjoativo, “Banshee” traz um som típico da cantora. Uma pista dance, com uma melodia agradável que apresenta outro comentário social. Sua mistura de animadas melodias e letras cortantes é muito atraente. Conforme o disco progride, Santigold continua a envolver-se com diferentes gêneros musicais. O ritmo descontraído de “Chasing Shadows” consegue disfarçar a tristeza das letras. Co-produzida por Rostam Batmanglij, é uma canção que desliza sobre teclados cintilantes e vibrações reggae. Além de lembrar o ritmo e linha vocal de “Step” do Vampire Weekend, é uma das melhores faixas do álbum. As vibrações energéticas das primeiras faixas transmitem uma falsa sensação de segurança para o ouvinte, considerando a diferente segunda metade do álbum.

“Walking in a Circle”, “Before the Fire” e “Outside the War” possuem um lado mais sombrio e melodias mais escuras. A escrita explora temas conflituosos em cima de impressionantes arranjos e harmonias vocais. “Who Be Lovin Me” abre com versos de iLoveMakonnen, cantando estranhamente fora de sintonia. Essa faixa tem uma natureza preguiçosa e exuberante, enquanto a batida é muito hipnótica. “Rendezvous Girl”, por sua vez, tem influências new-wave e é quase um retrocesso aos anos 80. Em contraste, “All I Got” é um número mais lento e um pouco esquecível. “Run the Races” faz algo parecido com “Chasing Shadows”, apesar de conter uma letra mais sutil. Novamente, Santigold fala sobre temas como fama e falsidade.

Na faixa de encerramento, “Who I Thought You Were”, ela apresenta uma melodia e linha de sintetizador pulsante, fortemente reminiscentes dos anos 80. Essa canção fecha o conceito do álbum, abordando os problemas que a fama e o dinheiro podem trazer. “99¢” marca um salto a frente para uma artista que já tinha uma boa reputação. Sua musicalidade, escrita e produção são ambiciosas e com algum comentário social para apresentar. É um disco com uma mensagem importante, em vez de falar apenas sobre relacionamentos, sexo, festas ou drogas. Santigold voltou com algo a dizer, enquanto a instrumentação e melodias estão no ponto. “99¢” é um álbum coeso, acentuado e uma verdadeira exploração de diferentes sons. Mesmo que o seu próximo álbum demore mais quatro anos para sair, sabemos que vai valer a pena esperar.

Favorite Tracks: “Can’t Get Enough of Myself (feat. B.C)”, “Big Boss Big Time Business”, “Chasing Shadows”, “Walking in a Circle” e “Who Be Lovin Me (feat. iLoveMakonnen)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.