Resenha: Sampha – Process

Lançamento: 03/02/2017
Gênero: Eletrônica, R&B Alternativo, Soul
Gravadora: Young Turks
Produtores: Sampha e Rodaidh McDonald.

Depois de fazer um nome para si mesmo, como um dos mais talentosos vocalistas de neo-soul dos últimos anos, Sampha lançou o seu primeiro álbum em 2017. Antes disso, o cantor britânico já havia trabalhado com diversos artistas, incluindo Kanye West, Drake, Solange e Frank Ocean. Em seu disco de estreia, “Process”, ele assume o centro do palco, fornecendo muito vulnerabilidade e confessando seus medos, perdas e arrependimentos. Embora alguns momentos do repertório sejam reminiscentes de artistas pop como The Weeknd e Drake, o seu R&B possui uma abordagem pouco tradicional. Além disso, seu estilo de produção, muitas vezes, lembram os trabalhos de FKA twigs e James Blake. No geral, “Process” é incrivelmente diverso em suas escolhas instrumentais, tanto que possui pianos esparsos, harpas e batidas com apoio eletrônico. É um álbum que oferece uma mistura bem eclética de minimalismo e notas obscuras, que oscilam ritmicamente de faixa para faixa. A ausência de notas chocantes e batidas pesadas, beneficia as letras sérias, vulneráveis e profundamente pessoais. Ao longo do álbum, Sampha move-se através de uma completa gama de emoções ao lado de seu piano. Ademais, sua voz é muito emotiva e poderosa, algo que eleva o repertório para novas alturas. O registro em falsetes de Sampha, em particular, são fantásticos, como podemos ouvir nas faixas “Kora Sings” e “Take Me Inside”.

Os falsetes, sem dúvida, fornecem ainda mais profundidade ao seu canto habitual. “Kora Sings” começa como uma peça minimalista, antes de emergir em um número grandioso. Aqui, elementos eletrônicos caminham lado a lado da boa progressão de bateria. “Take Me Inside” evita qualquer experimentação em favor de uma abordagem mais clássica. Da mesma forma, “What Shouldn’t I Be?” é outra linda balada minimalista, que praticamente evoca “Moss Garden” de David Bowie em sua instrumentação. A faixa de abertura, “Plastic 100°C”, começa com uma série de sons corais trabalhando ao lado de Sampha. A faixa seguinte, “Blood on Me”, por outro lado, mostra Sampha no seu espectro mais acessível. Lançada como segundo single, essa canção vê o artista no seu momento mais frenético. A percussão grandiosa e a urgência da instrumentação reforçam o poder das letras. O uso de batidas trap e baixo pesado demonstra a capacidade de Sampha para criar faixas comercialmente viáveis, ​​enquanto ainda mantém uma sensação mais emocional. No meio da música, a percussão desgarradora rompe enquanto choca-se sobre o piano. É um momento de descanso em meio a um mar de letras pessoais e sons implacáveis. “(No One Knows Me) Like the Piano” é uma homenagem poderosa e autêntica, mesmo que simplista, para sua mãe e piano de infância.

É uma balada realmente pura e emocional. O seu arranjo de piano destaca-se facilmente do restante das outras faixas. Aqui, sua voz soa particularmente crua e emotiva. Uma ode à sua mãe recentemente falecida e ao seu precioso instrumento musical. A sexta faixa, “Reverse Faults”, é uma música audaciosa, com um som enraizado nas pistas de dança das boates de Londres. Em outro lugar, “Under” vê Sampha sendo diferente de si mesmo. É uma canção que apresenta um denso e crescente som de sintetizadores. É talvez a faixa do repertório que mais sente-se próxima dos seus companheiros de R&B. Comparações com James Blake são constantes para Sampha e, durante faixas como “Timmy’s Prayer”, as semelhanças tonais são realmente aparentes. Co-escrita por Kanye West, é uma canção que promove sentimentos de adaptação. Aqui, a voz de Sampha desliza graciosamente sobre elementos eletrônicos. “Process” é um álbum criado por razões muito pessoais. Sampha toca música de forma terapêutica, usando o piano para expressar seus sentimentos. Dito isto, esse álbum nunca se sente pouco acolhedor ou auto-indulgente. Sampha pode ter feito ele principalmente para si mesmo, mas ouvi-lo é muito prazeroso. “Process” é um álbum de estreia realmente impressionante, que vai estabelecer Sampha como um dos artistas de música eletrônica mais proeminentes do Reino Unido.

Favorite Tracks: “Blood on Me”, “(No One Knows Me) Like the Piano” e “Timmy’s Prayer”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.