Resenha: Sam Smith – In the Lonely Hour

Lançamento: 26/05/2014
Gênero: Pop, Soul, R&B
Gravadora: Capitol Records
Produtores: Jimmy Napes, Steve Fitzmaurice, Fraser T. Smit, Two Inch Punch e Eg White.

Samuel Frederick Smith, conhecido apenas por Sam Smith, chegou à fama em outubro de 2012, quando foi destaque na canção “Latch”, do duo eletrônico Disclosure. Posteriormente, em maio de 2013, chegou a primeira posição da parada de singles do Reino Unido com o hit “La La La”, do DJ Naughty Boy. Em 2014, ele lançou o seu primeiro álbum de estúdio, “In the Lonely Hour”, pela Capitol Records. Nos Estados Unidos, o disco estreou em #2 com vendas na primeira semana de 166 mil cópias. Em janeiro, ele revelou que o álbum iria contar com 10 faixas na versão padrão e mais 4 bônus na versão deluxe. “Eu estava triste, de coração partido e eu escrevi sobre ser triste. Esperamos que eu vá ser mais feliz em breve e escrever sobre isso”, disse Sam Smith em entrevista ao Digital Spy sobre o título do álbum, que tem como tema principal, a tristeza. É o som de uma pessoa ferida, que chora, sem defesa ou reflexão.

A sonoridade do álbum é crua e composta, integralmente, por baladas abertas que recontam histórias de um amor não correspondido. Em outra entrevista, quando lhe pediram para descrever o álbum, ele disse: “Meu álbum de estreia é apenas um diário de um solitário de 21 anos, que é o que é. Foi a minha maneira de falar sobre a única questão real na minha vida. A única coisa que realmente estava me afetando ano passado, pois eu me apaixonei por alguém que não me amava de volta”. Esse álbum é uma estreia realmente muito boa, um trabalho que oferece um bom equilíbrio entre faixas dançantes, canções inspiradas pela soul music dos anos 1960 e baladas delicadas com piano ou arranjos de cordas. O soul suave de Smith, combinado aos seus belos falsetes, são peças centrais no “In the Lonely Hour”. A voz de Smith permanece rica a todo momento e as músicas possuem sentimentos unidimensionais.

O álbum flerta com momentos radiantes e o anseio interminável de Smith, que nos envolve com um pacote de canções atraentes. Vocais gospel de apoio aparecem em vários momentos, além de arranjos fáceis no piano, que auxiliam o cantor a transmitir sua angustiante melancolia. Smith tem uma voz linda, expressiva e um carisma que fizeram deste álbum, uma coleção de baladas clássicas que conseguem agarrar o ouvinte. Combinando o seu talento especial com uma boa produção pop, o cantor fez a maiorias das faixas soarem elegantes, introspectivas e apaixonantes. A faixa de abertura, “Money On My Mind”, por exemplo, é uma forte canção que apresenta uma boa sintonia entre o vocal do cantor e o ritmo. Sua bateria quebrada, as notas alegres e o refrão contagiante, destacam-se. A segunda faixa, “Good Thing”, é particularmente a mais fraca, porém, não deixa de ser boa. É dramática e a primeira letra que fala sobre o amor não correspondido de Sam Smith.

Sam Smith

“Stay with Me” é, inegavelmente, a melhor canção e o maior sucesso do disco. Essa demonstra um crescimento emocional, um refrão sentimental e uma influência gospel. Uma balada que toca o ouvinte, por conta do refrão angustiante que esbanja uma profunda tristeza. “Leave Your Lover”, por sua vez, tem um refrão bem direto (“Leave your lover, leave him for me”), é totalmente interpretada com naturalidade e oferece lindos falsetes. Violão, piano e um quarteto de cordas de muito bom gosto, são revestidos em uma entrega íntima do cantor. Aqui, tanto a melodia quanto o desempenho de Smith estão adoráveis. “I’m Not the Only One” é outro grande destaque, uma linda balada com um conteúdo lírico melancólico e encantador. É o primeiro número de grande reflexão do registro: “I can’t believe you let me down”. O desapontamento arrasta-se em direção ao fundo de sua gama, antes de sua voz levantar a ira e acusar: “You say I’m crazy, because you don’t think I know what you’ve done”. Os violinos que vão surgindo por trás são maravilhosos e estridentes.

“I’ve Told You Now” é aquele tipo de canção de cortar os pulsos, ela lembra músicas acústicas soulful enquanto o vocal de Smith consegue espelhar a frustração da letra. A faixa seguinte, “Like I Can”, possui uma sonoridade muito parecida com o “21”, disco que alavancou a carreira da cantora Adele. Mas a semelhança não é particularmente chocante, visto o estilo e produções de ambos. Aqui, os sentimentos mais fortes de Smith são alimentados por uma banda completa, em um som arrebatador que acende uma profunda indignação. “Life Support” é outra faixa cativante que nos fornece agudos com batidas de dubstep e guitarras indie-rock, mas sem deixar a identidade presente nas outras canções. É uma faixa liricamente raivosa, vulnerável e interrompe o fluxo do álbum com o seu ambiente modernista. O álbum termina com a voz íntima de “Not In That Way”, onde o violão soa como um pedido de desculpas, e a linda “Lay Me Down”, que tem um toque teatral e um vocal comovente.

“Restart”, presente apenas na versão deluxe, retorna ao início otimista e dançante de “Money On My Mind”, com uma nostalgia oitentista. Em “Make It to Me” ele, mais uma vez, canta com solos de guitarra, terminando o álbum de uma forma incrivelmente despreocupada. De presente, a versão deluxe do “In the Lonely Hour” também traz as duas canções que fizeram a fama de Smith: “Latch” (aqui em versão acústica) e “La La La”. Toda história de amor não correspondido por um homem, que foi apresentada corajosamente em forma de música, é o tipo de música pop acessível com potencial para dominar as paradas musicais e conquistar corações que identificam-se com Sam Smith. É um álbum que possui momentos suficientes para quebrar o coração gelado de qualquer ouvinte. Concordo com quem diz que poderia ser muito melhor, mas não podemos negar que é um registro brilhantemente bem trabalhado. O talento de Sam Smith é óbvio, ele é uma grande revelação e está se tornando um ícone da música do Reino Unido.

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Favorite Tracks: “Money On My Mind”, “Stay with Me”, “I’m Not the Only One”, “I’ve Told You Now” e “Like I Can”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Maxwell Lira

    Pra mim “Life Support” é bem delicada, não soa nem um pouco agressiva, e “Good Thing” não acho a mais fraca não, mas fora isso, que é apenas minha opinião, eu adorei a review!

    • Leo Almeida

      Obrigado Maxweel, que bom que gostou 😀 Eu achei a letra um pouco agressiva, mas sonoramente concordo que não é mesmo. Gosto de todas, mas “Good Thing”, apesar de boa, foi a que menos me chamou atenção hehe!

  • Wellington Silva

    Apesar de curtir a imagem e algumas musicas dele assim que o álbum foi lançado, sempre fui meio relutante em escuta – lo, mais depois de ter a oportunidade de assistir seu show no Rock In Rio, mudei totalmente de ideia, ao vivo todas as musicas ganham uma dimensão imensa, ele faz um show IMPECÁVEL , tem um carisma e uma presença de palco imensa ! Já espero seu retorno ao Brasil.

    • Leo

      No meu caso o que me motivou a escutar o álbum dele foi os singles “Latch” e “La La La”. Eu assisti o show do Rock in Rio pela TV e também achei muito bom, as baladas dele ficam ótimas ao vivo.

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