Resenha: Sam Hunt – Montevallo

Lançamento: 27/10/2014
Gênero: Pop, Country
Gravadora: MCA Nashville
Produtores: Zac Crowell e Shane McAnally.

O cantor americano Sam Hunt era conhecido por escrever músicas para Kenny Chesney, Keith Urban e Billy Currington. Mas em 2014, assinou um contrato com a MCA Nashville e lançou o seu primeiro álbum de estúdio, “Montevallo”, em 27 de outubro de 2014. Sam Hunt tem 30 anos e nasceu em Cedartown, Geórgia, e é um ex-jogador de futebol americano universitário. Após sua carreira no futebol não decolar, ele se mudou em 2008 para Nashville para perseguir uma carreira na música. Entre suas composições mais famosas temos o hit de 2012 “Come Over” de Kenny Chesney, pelo qual recebeu um prêmio ASCAP, “Car Cop” de Keith Urban (que está presente em sua voz aqui no álbum) e “We Are Tonight” de Billy Currington. Seu primeiro trabalho foi o EP “X2C”, com um total de 4 faixas, lançado em agosto de 2014.

Posteriormente, em 5 de novembro, lançou o disco “Montevallo” que estreou em #3 na Billboard 200 vendendo 70 mil cópias na primeira semana. “Montevallo” contém elementos de country, pop, R&B e hip hop, e Hunt cita Billy Currington, Usher, K-Ci & JoJo, R. Kelly, Ginuwine e Alice Cooper como suas principais influências musicais. Ele co-escreveu todas as 10 faixas do álbum, que contou com a produção de Zach Crowell e Shane McAnally. Sam Hunt é descaradamente um artista muito moderno, ele utilizou muitos arranjos eletrônicos durante o álbum, enquanto sua composição foi fortemente influenciada por Brad Paisley. A música country tem crescido cada vez mais difusa, especialmente nos últimos anos, e a sonoridade de Hunt está inclusa nisso. O cara, como esperado, também utiliza violões e banjos sutis e manipulados, com o intuito de deixar o seu álbum bem comercializável.

O título, no caso “Montevallo”, também é o nome de uma pequena cidade do Alabama, Estados Unidos, perto de onde Hunt frequentou a faculdade. Ele provavelmente se inspirou nessa época de sua vida para algumas das composições do disco. Sua musicalidade é claramente vibrante, realizando exatamente o que ele se propôs a fazer, mesmo que possua muito pouco do charme da música country tradicional. Alguns artistas, como Florida Georgia Line e Luke Bryan, estão seguindo uma tendência de mesclar elementos de hip hop e EDM com o country, submetendo batidas e ritmos cada vez mais pop no lugar dos sons de banjos e violões de aço. E esse registro de Sam Hunt também segue essa tendência em praticamente todas as músicas.

Sam Hunt

Felizmente, ele também mostra alguns vislumbres e capacidades para composições fortes e até mesmo momentos em que sua voz realmente brilha. Isso é bem claro, principalmente, na primeira e melhor faixa do disco: “Take Your Time”, uma música incrivelmente suave. A sua melodia é bastante agradável, com um piano e guitarras, enquanto liricamente é apenas sobre ele querendo interagir com uma garota: “Eu não quero roubar sua liberdade / Eu não quero mudar sua mente / Eu não tenho que fazer você me amar / Eu só quero tomar o seu tempo”. Aqui, Hunt se aproxima da música country de uma maneira diferente, usando elementos suaves de rap por cima da atraente melodia. “Leave the Night On”, lançada como primeiro single, é uma faixa cativante, divertida, romântico, sobre noites aventureiras com alguém muito querido.

É um pouco diferente das músicas típicas de bro-country, talvez devido as letras que são usadas para descrever a noite em questão, em vez de falar apenas sobre determinada garota. Musicalmente, é uma canção bem radio-friendly, polida com R&B e doses suaves de piano e violão de aço. A faixa três, “House Party”, é o típico conto sobre festas em fraternidades, em casa, enfim, apenas sobre festejar a noite toda. Embora seja uma música otimista, com guitarras e a inclusão de banjo, eu particularmente a achei muito irritante e barulhenta. Em seguida, temos “Break Up in a Small Town”, uma música com letras características do country, mas uma sonoridade diferenciada. É quase inteiramente movida por elementos eletrônicos, versos suaves de rap, vocais auto-sintonizados e dubstep. É também muito representacional por captar em sua letra algo que realmente acontece em cidades pequenas.

Sam Hunt

Em “Single for the Summer” Sam Hunt nem sequer tentar quebrar o estereótipo ao descrever as mulheres, muito menos usa qualquer substância para justificar suas nuances. “Blame it on the bikinis, party girls, and martinis and the sunshine / Private school daughters that never go under water keeping their hair just right”, ele proclama no refrão. A música basicamente fala que ele vai estar solteiro no verão para ficar à espreita de mulheres jovens com biquínis. Logo, só passa mensagens como imaturidade, comportamento mulherengo e irresponsabilidade, vindo de um cara de 30 anos. Além disso, a música ainda tenta soar country por causa do violão de aço estalando em sua composição. Na faixa “Ex to See” ele retrata a si mesmo como um macho-alfa arrogante, porque a garota que ele gosta está usando-o para irritar o ex-namorado dela. Movida por loops de bateria, rap e auto-tune, a música ainda peca por ter um péssimo jogo de palavras.

As duas músicas anteriores fazem fusões de gêneros desagradáveis, mas até que “Make You Miss Me” consegue evitar esse problema. Aqui, há alguns instrumentos como piano e cordas que não ficaram ruins, embora não seja algo que agrada os ouvintes de country tradicional. A oitava faixa é “Cop Car”, canção que Sam Hunt escreveu com Zach Crowell e Matt Jenkins para Keith Urban que, por sua vez, incluiu no disco “Fuse” de 2013. A versão de Hunt ficou confortavelmente mais inclinada para o R&B e EDM, mas também ficou decente, além de ser bem escrita. A penúltima faixa, intitulado “Raised on It” é um tipo de música que sempre aparece nos álbuns de bro-country. Isso não é algo totalmente ruim, porque “Raised on It” é uma música divertida. É uma das melhores do registro, talvez porque é a canção que mais se aproxima do country.

“Speakers”, última faixa, apresenta um refrão apressado, falado e suave, onde ele fala sobre fazer sexo na cama de um caminhão e tenta mostrar um lado sensível. Sam Hunt me decepcionou neste álbum, porque eu tinha boas expectativas após ter ouvido “Take Your Time” pela primeira vez. “Montevallo” até consegue expôr boas letras e escrever algumas canções com certa substância, mas em sua maioria suas emoções detalhadas não chegam a ir tão profundas. Enquanto Sam Hunt está associado como um artista country, há uma série de músicas no álbum que na verdade não pertencem ao gênero, porque apresentam sons elétricos e estão carentes do som tradicional e vintage do country. Portanto, “Montevallo” não é, por definições tradicionais, um álbum verdadeiramente country, pois segue uma fórmula que funde em sua instrumentação o pop, eletrônica/dance, auto-tune e dubstep. Em muitos momentos o registro parece datado, transmite uma falta de identidade e parece até ser fabricado demais para os padrões do bro-country.

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Favorite Tracks: “Take Your Time”, “Leave the Night On”, “Cop Car” e “Raised on It”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.