Resenha: Sam Bailey – The Power of Love

Lançamento: 21/03/2014
Gênero: Pop, Soul
Gravadora: Syco Music / Sony Music Entertainment
Produtores: Graham Stack, Matt Furmidge, Ray Hedges e Nigel Butler.

Sam Bailey é uma cantora inglesa conhecida por ganhar a décima temporada do The X-Factor britânico em 2013. Após sua vitória, seu primeiro single “Skyscraper” (cover de Demi Lovato), foi lançado e alcançou a primeiro posição no Reino Unido. O seu álbum de estreia, intitulado “The Power of Love”, foi lançado em março de 2014 e estreou no número #1 no UK Albums Chart vendendo 72 mil cópias. O disco ainda conta com participações especiais de Nicole Scherzinger e Michael Bolton. E para promovê-lo, Sam Bailey saiu em turnê durante os meses de janeiro e fevereiro de 2015. Ela, atualmente com 37 anos, nasceu em Bexlet, Londres, e já trabalhou como oficial de prisão e cantando em cruzeiros, antes de participar do The X-Factor. Lançado pela Syco e Sony Music, o álbum é composto de 11 faixas, sendo em grande parte covers, com exceção de “Treasure”, única canção original. A habilidade vocal de Bailey é sem dúvidas incrível, porém, o registro pecou pela enorme falta de conteúdo original, bem como é formado por canções que já foram cobertas várias vezes por diversos artistas.

A sorte de Sam Bailey é que realmente possui uma voz muito poderosa. Assim que o álbum foi lançado, inclusive, Bailey foi ato de abertura de um show de Beyoncé em Birmingham, Inglaterra. “O álbum é uma mistura de tudo. Há novas canções e covers que as pessoas não ouviram falar há muito tempo”, disse Bailey durante uma entrevista sobre a gravação do álbum. “Toda a experiência de trabalhar nele foi um caso realmente fresco”, finalizou. Entretanto, embora ela seja uma mulher bastante talentosa e com uma voz fantástica, não há um verdadeiro charme nesse registro. Ela aparenta ser capaz de fornecer um material muito mais forte do que este. Em outros momentos, seus vocais carece de uma ternura que poderia ter deixado o material mais preenchido. A sua gravação e lançamento, aparentemente, feito às pressas, parece ter sido apenas para aproveitar o buzz de sua vitória no X-Factor. Sua interpretação de “The Power of Love” e “From This Moment On” são as únicas canções que realmente se destacaram no álbum. Graças, especialmente, à seu bom controle vocal.

“The Power of Love” foi escrita e gravada originalmente por Jennifer Rush, em 1984. É uma canção muita famosa, notavelmente, nas vozes de Céline Dion, Laura Branigan, Helene Fischer e Air Supply. A versão de Céline, a propósito, foi número #1 nos Estados Unidos, Canadá e Austrália em 1994. É uma balada incrivelmente linda e como podemos ouvir, Sam Bailey não teve problemas para executá-la com maestria. O county pop “From This Moment On” foi escrito e produzido por Shania Twain e Robert John “Mutt” Lange, e lançado no multi-platinado álbum de Shania, o “Come On Over” em 1997. Outra canção magnífica, onde a cantora conseguiu executar com precisão ao adotar um tom melodramático. A terceira faixa, “There You’ll Be”, é um cover da cantora Faith Hill, lançado por ela anteriormente em 2001. Eu particularmente sou apaixonado por essa balada pop. Aqui, Sam Bailey conseguiu ser fiel à original em sua interpretação e deixou esse início de álbum bem agradável. Em seguida, a cantora Nicole Scherzinger aparece para fazer um dueto com Bailey na canção “And I Am Telling You”. Essa canção fez parte do musical Dreamgirls da Broadway, com letra de Tom Eyen e música de Henry Krieger.

Sam Bailey

Para ser sincero não gostei nem um pouco do dueto delas para esse clássico. Em muitos momentos ficou parecendo uma competição entre Bailey e Scherzinger, para ver quem conseguia atingir as notas altas e mais longas. “Compass”, por outro lado, ficou muito atraente, canção esta escrita por Diane Warren e originalmente gravada pelo cantor australiano Mark Vincent, vencedor da terceira temporada do reality show American Got Talent, para o seu segundo álbum de estúdio de mesmo nome. Sam Bailey chegou a anunciar essa música como segundo single do álbum, no entanto, o seu lançamento foi cancelado e serviu apenas como faixa promocional. “Compass” é uma música muito confortante, com belas melodias, uma letra muito bonita e ainda funcionou bem na voz de Bailey. “Lord Is It Mine”, sexta faixa, é uma canção originalmente da banda Supertramp. É uma música introduzida no piano e com forte presença de cordas, porém, mais uma vez, não gostei da interpretação excessivamente dramática de Bailey. A balada pop “Get Here” escrita e gravada pela americana Brenda Russell, é muito linda, entretanto, é outra canção que Bailey não conseguiu agregar nada de memorável.

A oitava faixa é a balada “Treasure”, única canção original, escrita por Ellis Camille (Little Mix, Jessie J, Ella Henderson) e Richard “Biff” Stannard (Kylie Minogue, One Direction, Ellie Goulding, Leona Lewis). Por se tratar da única música original do registro, eu esperava muito mais de “Treasure”. Bailey até tentou trazer uma abordagem mais suave para ela, mas infelimente ficou apenas parecendo um cover de alguma balada de Christina Aguilera. “Ain’t No Mountain High Enough” é uma música de R&B e soul, escrita por Nickolas Ashford & Valerie Simpson em 1966. Fez muito sucesso ao ser gravada por Marvin Gaye e Tammi Terrell em 1967 e, posteriormente, por Diana Ross em 1970. Aqui no álbum, Sam Bailey a executou em conjunto com Michael Bolton, que em comparação com a alegre versão original ficou muito abaixo do esperado. A faixa “Superwoman” foi lançada por Karyn White em 1988 e na época tornou-se um hit nos Estados Unidos. É uma música que já foi regravada várias vezes por outros artistas. A versão de Bailey me agradou bastante, ela conseguiu interpretá-la com perfeição.

“Skyscraper” foi produzida por Toby Gad e gravada por Demi Lovato para o seu terceiro álbum de estúdio, “Unbroken” (2011). A versão de Sam Bailey foi lançada como primeiro single e estreou em #1 na parada de singles britânica, vendendo quase 149 mil downloads no decorrer de uma semana. Certamente Bailey foi muito feliz em sua interpretação da música, apresentando uma gama vocal impressionante e acrescentando sua própria perspectiva à ela. Apesar de ter gerado expectativas na época de seu lançamento, Bailey demonstrou ser muito inflexível para entregar um álbum de covers. Ou seja, cantando músicas de outros artistas, dificilmente irá tão longe. Em vários momentos ela não demonstra nuances que sugiram que entende as emoções das músicas que interpreta. As canções aqui são audíveis, não vou mentir, mas não passam apenas de meros covers, relaizados por uma vocalista competente, mas que merecia algum material da qual pode realmente se conectar. Portanto, ressalto que Sam Bailey precisará exibir suas próprias canções em seu próximo trabalho, se quiser resgatar a atenção que conseguiu durante sua passagem pelo The X-Factor.

60

Favorite Tracks: “The Power of Love”, “From This Moment On”, “There You’ll Be”, “Superwoman” e “Skyscraper”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.