Resenha: Röyksopp – The Inevitable End

Lançamento: 07/11/2014
Gênero: Synthpop
Gravadora: Dog Triumph
Produtores: Röyksopp.

O duo norueguês Röyksopp lançou em novembro de 2014, o disco “The Inevitable End”, o quinto da carreira. Desde a sua criação, em 1998, o Röyksopp tem consistido por Svein Berge e Torbjørn Brundtland. Eles se conheceram através de um amigo em comum em Tromsø, na Noruega. Depois de experimentar diferentes gêneros de música eletrônica, o duo solidificou seu lugar na cena da música EDM com o seu álbum de estreia de 2001, “Melody A.M.”. Eles gostam de experimentar vários estilos pertencentes à música eletrônica, mas estilisticamente, fazem mais uso da música ambiente, house e synthpop. Eles também são conhecidos por sua performances ao vivo, que são bem elaboradas e muitas vezes apresentam roupas excêntricas. Desde que surgiu, o Röyksopp sempre ganhou muita aclamação da crítica e sucesso popular em diversos países.

Até à data, já receberam uma indicação ao Grammy Award, maior prêmio da indústria, bem como os seus quatro primeiros trabalhos lideraram a parada de álbuns da Noruega. Svein Berge afirmou que o álbum tem uma “energia escura”, enquanto Robyn, que lançou um EP em conjunto com eles há pouco mais de 1 ano, o descreveu como “triste, mas não é frio, é muito quente”. O grupo também anunciou que este é seu último álbum de estúdio, no sentido tradicional. Eles não irão parar de fazer música, apenas não lançarão mas nada nesse formato. Formado por 12 faixas (17 na versão deluxe), “The Inevitable End” é um registro excelente em termos de um álbum de despedida. Um pacote completo de synthpop, coeso e cheios de ganchos viciantes. Muitas das faixas presentes aqui recordam de materiais lançados anteriormente pelo Röyksopp, quase uma combinação do álbum “Melody A.M.” com a sensibilidade pop do “Junior”.

Mas não é um retrocesso, pelo contrário, o duo permanece inegavelmente novo e fresco em suas produções. Para participar dos vocais de algumas canções, eles chamaram sua companheira Robyn, a norueguesa Susanne Sundfør, o fundador do The Irrepressibles, Jamie McDermott, e Ryan James do Man Without Country. McDermott é o responsável pela maioria dos vocais do álbum, oferecendo performanes que constituem para a grande força do projeto, visto a sua incrível capacidade vocal. Tematicamente, o álbum não é sutil, pois aborda sobre “fim” em suas diversas formas. Para Röyksopp significa as mudanças drásticas que sofreu e é literalmente sobre mortalidade, por exemplo. Sendo vago suficiente para permitir uma variedade de leituras, como fim de relacionamento, fim do mundo, etc. No entanto, é um material tão bom que é capaz de evocar sentimentos diferentes de pessoa para pessoa. O duo eletrônico prova que mesmo com tanto tempo de carreira, sua criatividade, aparentemente sem limites, ainda não esgotou. “Nós vamos fazer você gritar o nosso nome para sempre”, canta uma voz digitalmente desfiada na faixa de abertura do álbum, “Skulls”.

Royksopp

Röyksopp nunca soou tão seguro de seu poder. Escura, estranhamente ameaçadora, “Skulls” inicia o álbum com uma passagem sinistra de sintetizador, uma percussão metálica e com uma linha de baixo cavernosa. É possivelmente um dos mais obscuros sons já feitos pela dupla, um eletro-pop repleto de batidas palpáveis e sombrias. Sem dúvidas, uma das faixas de destaque do álbum a partir do ponto de vista eletrônico. “Este será o meu monumento / Este será um farol quando eu for embora”, essa é um trecho da narrativa de “Monument”, esculpida com precisão e um toque delicado. Sem dúvida, o maior destaque do álbum, lançada como primeiro single e apresentando vocais de Robyn. Está presente no EP colaborativo entre os dois atos, “Do It Again”, como faixa de abertura. Mas aqui, recebeu uma nova abordagem, sendo transformada de uma balada existencial para um banger dance incrivelmente radio-friendly. Ficou totalmente adequada para as pistas com seu toque melancólico e elegante.

Ao unir a mistura verdadeiramente única de confiança e vulnerabilidade da voz de Robyn, com um sintetizador brilhante, Röyksopp projetou a melhor canção do álbum. O cantor Ryan James, do Man Without Country, complementou muito bem a produção arejada e os bons sintetizadores da soft rock “Sordid Affair”. As letras lamentam a perda de um grande amor, enquanto os vocais ficaram suaves e introspetivos. Certamente, depois de várias escutas você vai ser seduzido pelos doces tons de Ryan James. O disco apresenta poucas colaborações, mas no geral elas acrescentaram uma dimensão diferente a criatividade do Röyksopp. O vocalista Jamie McDermott do The Irrepressibles, por exemplo, humaniza a faixa “You Know I Have To Go”, que possui pouco mais de 7 minutos de duração e é a primeira das quatro faixas que caracterizam o cantor. É uma canção de “ninar” eletrônica com uma melodia e vibe elegante, que poderia até ser um bom fechamento para o álbum, dada a sua grande extensão.

Röyksopp

A também norueguesa Susanne Sundfør costumava cantar para ninguém menos que Björk, mas foi lentamente estabelecendo-se com uma grande compositora e vocalista, recebendo um bom reconhecimento. Logo, ela também aparece aqui no álbum participando da faixa “Save Me” e, mais tarde, em “Running to the Sea”. “Save Me” é muito boa, uma peça incrível de eletro-pop com um gancho central bem cativante. Susan consegue compensar a angularidade da música com a uma entrega ofegante, mas poderosa. A eufórica “I Had This Thing” é outro destaque, uma das faixas euro-house mais simples que o duo Röyksopp já produziu. Aqui, temos novamente a presença de McDermott, e mesmo não possuindo honestidade nas letras e sendo um pouco estereotipada em termos de dinâmica, ainda consegue atingir a sua meta com uma grande precisão. Em “Rong” as coisas ficam meio estranhas, cortesia novamente de Robyn, que desta vez traça seu caminho através do repetitivo refrão: “What the fuck is wrong with you?”. É uma canção hipnotizante com eventuais cordas, mas que particularmente não funcionou tão bem.

Na faixa seguinte, “Here She Comes Again” temos efeitos cinemáticos, corais, cordas e um movimento rítmico pesado, e os vocais de baixa intensidade de Jamie McDermott. É uma música que você precisa ouvir mais vezes para realmente gostar, mas que cada vez mais, puxa o ouvinte para sua paisagem sonora espiral e obscura. Com uma introdução no piano e coberta de saudade e dor, o house temperamental de “Running to the Sea” apresenta, mais uma vez, vocais de Susanne Sundfør. É uma musica muito simplificada, que captura uma doçura agridoce e me encantou logo na primeira escuta. O minimalismo escorrendo de “Compulsion” apresenta vocais de McDermott, mas é um pouco frustante, em especial, por causa do seu ambiente sonolento. Aparentemente, a ideia era entregar um sentimentalismo melancólico inquietante que combinasse com a natureza sedutora das letras, porém, ficou cansativa, muito estática e extremamente longa.

O álbum termina sem qualquer assistência de algum vocalista convidado. Primeiro temos a faixa instrumental “Coup De Grace”, uma canção com grande sensação cinematográfica e equipada com um sintetizador vagamente ameaçador. E por último, “Thank You” que serviu como a despedida do duo para os álbuns. É melancólica, possui uma melodia de piano minimalista e utiliza harmonias familiares para expressar palavras de gratidão, amizade e lealdade. “Thank You” se sente como uma conclusão definitiva. “The Inevitable End” como um disco reflexivo e introspectivo, e o final desta fase atual do Röyksopp, é uma maneira muito elegante a se curvar. Porque é um registro impressionante, muito coeso e uma verdadeira riqueza eletrônica emocionalmente conduzida. Enquanto o seu conteúdo lírico, cheio de mágoa, desespero, remorso e medo do desconhecido, também merece respeito absoluto. Röyksopp daqui para frente estará evitando o formato de álbum tradicional, um sacrifício para permitir uma nova ressurreição deles. Mas o importante é que eles não acabaram, isso é apenas o começo de uma nova fase da vida profissional deles.

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Favorite Tracks: “Skulls”, “Monument (T.I.E. Version)”, “Save Me”, “I Had This Thing” e “Running to the Sea”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.