Resenha: Royal Blood – How Did We Get So Dark?

Lançamento: 16/06/2017
Gênero: Hard Rock, Garage Rock
Gravadora: Warner Bros. Records
Produtores: Royal Blood, Tom Dalgety e Jolyon Thomas.

Os ingleses do Royal Blood surgiram na cena musical em 2014 com o seu auto-intitulado álbum de estreia. Inicialmente, o seu som foi muito comparado com Jack White e a banda Queen of the Stone Age. O álbum era formado por baixos, guitarras distorcidas, fortes tambores e faixas muito agradáveis. O mais surpreendente é que todo esse som vinha apenas de dois músicos. Com o lançamento do seu novo álbum, “How Did We Get So Dark?”, Royal Blood reafirma a qualidade de sua música. As primeiras impressões que vêm à mente ao escutar a faixa de abertura é que a sua fórmula não mudou. Afinal, pesadas guitarras surgem ao lado de uma poderosa bateria. Entretanto, após ouvir todo o registro, fica evidente que houve algumas mudanças em sua escrita. Considerando que o primeiro álbum do duo tinha músicas relativamente diretas e brutalmente investidas pelo baixo e bateria, “How Did We Get So Dark?” proporciona uma abordagem um pouco mais acessível. Deixando alguns truques de estúdio de lado, é difícil acreditar que apenas um baixista e baterista produziram o grande som desse álbum. Composto pelo baixista Mike Kerr e o baterista Ben Thatcher, Royal Blood é uma dupla extremamente talentosa. “How Did We Get So Dark?” é um registro distorcido, pesado e peculiar, com harmonias vocais apertadas e uma produção louvável.

As dez faixas revelam com facilidade o estilo de composição simples da banda e superam as expectativas. Sobre um som hard-rock e garage-rock, o álbum funde uma série de diferentes influências e constrói um som incrivelmente atrativo. Enquanto o Royal Blood se mantêm firme em suas raízes, o álbum soa inspirado por vários ícones do rock clássico, especialmente o Queen e David Bowie. Dito isto, o duo também continua soando parecido com a banda Queen of the Stone Age, principalmente quando cavam suas vibrações mais escuras, furiosas e sensuais. O single “Lights Out” é uma faixa de hard-rock que mostra o melhor do Royal Blood. Com um rápido choque inicial, ela foi certamente uma aposta segura para single. Está entre as músicas que mais assemelham-se com à composição do seu disco anterior. Uma das coisas mais impressionantes dessa canção é a parede de som que a banda criou, considerando que são apenas dois músicos. Com o seu ritmo pulsante e refrão cativante, “I Only Lie When I Love You” é outro excelente exemplo do som de assinatura da banda. Essa faixa mistura o som familiar do Royal Blood com uma nova e adequada abordagem blues. O sulco do baixo e a melodia caberia perfeitamente em algum álbum do The Black Keys. Mais tarde, “Look Like You Know” começa com um ritmo pisoteante que dá lugar a outro grande refrão. Sua abordagem ligeiramente alegre é complementada por boas batidas e backings vocals em falsete.

O primeiro single, “Where Are You Now?”, fornece repetitivas e melódicas linhas de baixo e destaca a versatilidade da dupla. Ela apresenta riffs mais sujos e batidas incrivelmente pulsantes que, certamente, destacam-se dentro do álbum. Embora seja mais lenta, “Don’t Tell” fornece um som que, a essa altura, sente-se muito familiar. Os versos são preenchidos com vocais silenciosos sobre algumas linhas de baixo. Não é uma música necessariamente fraca, mas o baixo distorcido é muito parecido com o das faixas anteriores. A partir de sua introdução esmeril, “Hook, Line & Sinker” mostra o quão bem Mike Kerr e Ben Thatcher trabalham juntos. Aqui, o baixo e bateria nunca competem pelo mesmo espaço, e deslocam-se de forma muito orgânica. As últimas faixas, “Hole in Your Heart” e “Sleep”, terminam o repertório com uma nota bem forte. Ambas canções exibem competentemente a grande força da dupla. No final de tudo, o álbum atinge um saldo muito positivo e pode proporcionar repetidas escutas. A forma como a tracklist foi montada mantém as coisas em movimento o tempo todo. Ao ouvir todo o disco, você percebe que Royal Blood diverte-se enquanto está performando. Assim como o primeiro álbum, “How Did We Get So Dark?” é um registro pesado, constantemente agradável e funky. Uma coleção pungente e gratificante de hard-rock que leva apenas 35 minutos para chegar ao fim. Em suma, Mike Kerr e Ben Thatcher permaneceram sedutores sem sacrificar sua integridade e habilidades.

Favorite Tracks: “Lights Out”, “I Only Lie When I Love You” e “Where Are You Now?”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.