Resenha: Roxette – Good Karma

Lançamento: 03/06/2016
Gênero: Pop, Eletrônica
Gravadora: Parlophone / Roxette Recordings
Produtores: Christoffer Lundquist, Clarence Öfwerman e Per Gessle.

“Good Karma” é o décimo álbum de estúdio do duo sueco Roxette, lançado exatamente no aniversário de 30 anos do seu disco de estréia, “Pearls of Passion”. Uma boa razão para comemorar o lançamento de “Good Karma” é, simplesmente, o fato de que ele mostra uma banda cuja produção continua tão forte, coesa e relevante como sempre foi. Roxette foi formado por Marie Fredriksson e Per Gessle em 1986, e tornou-se um ato internacional no final da década de 80, quando eles lançaram o seu primeiro disco de sucesso “Look Sharp!”. O seu terceiro álbum, “Joyride”, lançado em 1991, tornou-se tão bem sucedido quanto seu antecessor. Roxette passou a colocar dezenove canções no top 40 do Reino Unido e quatro singles número #1 nos Estados Unidos. A glória comercial do Roxette realmente aconteceu no final dos anos 80 e início dos anos 90.

Naquela época eles conseguiram inúmeros singles de sucesso, como a balada “Listen to Your Heart”, os up-tempo ensolarados “The Look”, “Joyride” e “How Do You Do!”, bem como a muito bem sucedida e maravilhosa “It Must Have Been Love”. “Good Karma” é o seu primeiro álbum lançado sob um novo contrato com a empresa mãe da Parlophone, a Warner Music Group. Sobre o disco, Per Gessle disse: “Para esse novo álbum, nós queríamos combinar nosso clássico som com uma produção moderna e um pouco imprevisível, para criar uma paisagem sonora onde vocês reconhecem o nosso som e encontram algo novo”. O retorno do Roxette ao que fez a música memorável e inesquecível nos anos 80 e 90, é definitivamente refrescante. Quando o duo encontra o ritmo certo, os resultados costumam ser deliciosos. Eles costumam entregar produções incrivelmente cativantes, enquanto o vocal de Marie Fredriksson permanece impecável.

E, mesmo em seu décimo álbum de estúdio, eles continuam sendo mestres incontestáveis dos refrões pop viciantes. “Good Karma” tem onze canções e composições muito bem equilibradas. Per Gessle, o cérebro por trás das composições das músicas, correu alguns riscos com esse registro, como a incorporação da música EDM. Para o ouvinte casual do material do duo ao longo dos anos, particularmente aqueles que são familiarizados com hits da década de 80/90, “Good Karma” irá satisfazer seus ouvidos. O álbum abre com “Why Dontcha?”, canção com as mesmas sensibilidades sonoras de músicas como “The Look”. Per Gessle assume a liderança nessa faixa, combinando um arranjo vintage com um vocal saltitante. O primeiro single do álbum, “It Just Happens”, é uma reminiscência de “Listen to Your Heart”, uma sólida balada pop com vibrações modernas e uma natureza nostálgica.

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Através dessa súbita mudança de ritmo, a dupla canta com muito amor e entusiasmo. Aqui, a voz de Per Gessle é muito bem sobreposta pelo coro poderoso de Marie Fredriksson. Essa música serve como um lembrete do porquê o Roxette conseguiu ser tão bem sucedido durante esses 30 anos. Em seguida, a direção romântica de “It Just Happens” é suavemente substituída pela faixa-título, “Good Karma”. Uma canção pop-rock mid-tempo com alguns elementos EDM que, certamente, vai agradar os fãs de longa data. A música inicia com um delicado piano e alguns doces versos, antes de apresentar um forte refrão na guitarra. Em seguida, temos um cenário oitentista na faixa “This One”, uma canção guiada por um baixo, sintetizadores em camadas e um refrão pegajoso. Um toque EDM contemporâneo também é inserido, com o intuito de mesclar o novo e velho som da dupla.

Na quinta faixa, “You Make It Sound So Simple”, Roxette tenta algo mais cinematográfico e hipnotizante. Nessa faixa, temos inicialmente uma longa introdução sobre um piano e pulsante sintetizador. Essa é a primeira das quatro faixas co-produzidas pelo duo sueco Addeboy vs. Cliff. “You Make It Sound So Simple” é cantada de forma diferente, pois suas vozes estão mais robóticas e auto-sintonizadas. Consequentemente, sua interpretação vocal mais computadorizada dá à música uma sensação futurista. A faixa seguinte, “From a Distance”, é certamente uma das minhas favoritas do registro. É uma pista fascinante e condizente com a marca registrada do Roxette, especialmente quando a dupla consegue soar nostálgica e reflexiva ao mesmo tempo. Doces vocais, melodias ondulantes, ritmo constante e uma boa batida, tudo é encontrado por aqui.

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“Não eu, eu não vou dar qualquer pista / Tudo parece bem / A distância”, Marie Fredriksson canta. Especulada como segundo single do álbum, “Some Other Summer” foi lançada inicialmente pelo DJ francês Sebastien Drums, mas Roxette decidiu inclui-la no álbum. Uma canção synthpop ensolarada com influência do new wave, que certamente deve ter agradado os maiores fãs da dupla. Sua musicalidade praticamente presta uma homenagem para artistas pioneiros do gênero, como a dupla Pet Shop Boys. A maioria do repertório é entregue vocalmente por Gessle, mas as contribuições de Fredriksson brilham nas baladas mais aguçadas. “Why Don’t You Bring Me Flowers?” é um exemplo que podemos encontrar no “Good Karma”. Com auxílio de um arranjo de piano e uma bela seção de cordas, a interpretação de Fredriksson tornou-se encantadora.

“You Can’t Do This to Me Anymore” é outra viagem pela modernidade, com a incorporação de segmentos de rap, elementos progressivos e uma mudança na estrutura. Uma linha de baixo e um piano em segundo plano ainda servem de base para os vocais compartilhados entre Gessle e Fredriksson. A penúltima faixa, “20 BPM”, possui um sintetizador como principal componente. É uma divertida canção que explora o lado mais atrevido e sexy do Roxette. Apesar dos vocais um pouco auto-sintonizados e a incorporação de elementos industriais, a música é digna de qualquer pista de dança. Assim como em muitos discos anteriores, incluindo o “Joyride”, “Have a Nice Day” e “Room Service”, o “Good Karma” é encerrado com uma poderosa balada. O álbum é apropriadamente fechado com “April Clouds”, uma sombria balada de piano. “Fechei meus olhos e me senti abençoada / Te desejo tudo de bom”, Marie canta enquanto soa triste e melancólica.

Piano, cordas sutis e uma guitarra acústica deslizam sem esforço sobre o seu belíssimo canto. “April Clouds” é realmente uma linda canção que pode sentar-se ao lado de nomes como “Listen To Your Heart”, “Perfect Day”, “Beautiful Things” e “My World My Love My Life”. Como um todo, as características sonoras do “Good Karma” resgatam tanto o clássico como os aspectos modernos da dupla sueca. Como prometido, Gessle e Fredriksson misturaram a nostalgia com o novo, em um álbum ideal para comemorar seu trisgésimo aniversário na indústria da música. Os vocais, produção e instrumentais estão no ponto para cativar qualquer ouvinte. Um registro compacto e com um saldo positivo de grandes melodias. “Good Karma” é uma coleção verdadeiramente emocional de uma das melhores duplas da música pop. Sem dúvida, eu recomendo a todos escutarem esse fresco disco do Roxette.

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Favorite Tracks: “It Just Happens”, “Good Karma”, “From a Distance”, “Some Other Summer” e “April Clouds”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.