Resenha: Roger Waters – is this the life we really want?

Lançamento: 02/06/2017
Gênero: Rock, Rock Progressivo
Gravadora: Columbia Records
Produtor: Nigel Godrich.

Lançado em 02 de junho de 2017, “Is This the Life We Really Want?” é o quinto álbum de estúdio de Roger Waters. É o seu primeiro disco solo em quase 25 anos. O lendário vocalista do Pink Floyd não lançava um novo LP desde “Amused to Death” (1992). Porém, o seu novo disco mostra que essa demora foi benéfica. O perfeccionista Waters aprendeu a relaxar e deixou o álbum nas mãos do produtor Nigel Godrich (que é para o Radiohead o mesmo que George Martin foi para os Beatles). De qualquer maneira, depois de todos esses anos, Waters descobriu que ainda tem algo a dizer. Esse disco vê o músico questionando o estado atual do mundo em que vivemos. As letras, quase todas de teor político, são desencantadas e carregam um tom lamentoso. Waters dá um olhar mais severo sobre a ganância e o medo de viver nesse mundo. Tendo uma das carreiras mais bem-sucedidas da história do rock, destacada pelas obras “The Dark Side of the Moon” (1973), “Animals” (1977) e “The Wall” (1979), Roger Waters está ainda mais politicamente carregado. O álbum possui uma orquestração muito bonita e uma combinação de diálogos, teclados e sulcos de baixo típicos do Pink Floyd da década de 70. O próprio Roger conduz a guitarra acústica e o baixo, embora outros nove músicos estejam envolvidos no projeto. Obviamente, os seus vocais não são mais os mesmos, uma vez que ele já tem 73 anos de idade. Aqui, ele adota muitos diálogos e narrativas na maior parte do tempo. O talento dele em escrever música é, muitas vezes, a frente do seu tempo.

Ele consegue nos impressionar ou convencer tão facilmente. Roger Waters sempre foi destemido e muitas vezes polêmico, sempre criando incríveis obras de arte. Como todos os seus álbuns solo, bem como os seus últimos discos com Pink Floyd, “Is This the Life We Really Want?” trava num conceito. Nem sempre é linear ou explícito, mas o conceito é sempre forte e claro. Musicalmente, Waters se apoia nos principais fundamentos do Pink Floyd. Apesar de “Animals” ser o maior ponto de referência desse disco, alguns toques do “Meddle” (1971) e “The Final Cut” (1983) podem ser ouvidos em “Is This the Life We Really Want?”. Solos de guitarra, paisagens sonoras espaçosas e teclados silenciosos injetam um humor dramático no repertório. “When We Were Young” abre o disco com murmúrios de pensamentos internos, antes de “Déjà Vu” surgir de uma maneira poderosa. Um simples violão, teclas de piano e belos vocais lamentam sobre as pragas modernas da sociedade. As cordas e orquestra são impecáveis ​​e as letras muito interessantes. “The Last Refugee” prova que o músico não perdeu totalmente sua habilidade vocal, que originalmente nos conectou com o Pink Floyd. Nessa faixa, algumas cordas nos vinculam à imagens de pessoas que fogem de guerras em barcos. Certamente, há uma pungência na dor transmitida pelas palavras de Waters. Em “Picture That” o trabalho no teclado é simétrico, natural e eleva o poder das letras. “Imagine um líder sem cérebro”, ele reflete aqui. Uma canção mal-humorada que transita sobre um dos melhores instrumentos do álbum.

A melodia do teclado é realmente elegante e perfeitamente acentuada por incríveis sons de baixo e bateria. A faixa-título, “Is This the Life We Really Want?”, é realmente o ponto-chave do LP. Ela possui algumas cordas bem colocadas que, embora não sejam extravagantes, são de alguma forma muito eficazes. As declarações de Roger Waters permanecem poderosas, além de comentar sobre o perfil racial do sistema de justiça americano. Em seguida, “Bird in a Gale” surge com uma forte linha de baixo e uma melodia dirigida pelo piano. É uma canção onde Waters empurra os seus vocais para acompanhar o groove e o trabalho de guitarra em segundo plano. Suavizando as coisas, “The Most Beautiful Girl” é melódica e esperançosa do início ao fim, enquanto “Oceans Apart” é uma das canções mais reconfortantes. O single “Smell the Roses”, por sua vez, é um rock-progressivo familiar, animado e com algumas quebras de guitarra. Apesar de ser apenas uma canção acústica com algum sons de piano, “Part of Me Died” é um ótimo final para um LP nostálgico e mau-humorado como este. No final de seus 54 minutos, o álbum fará você sentir que está vivendo no mundo apocalíptico de Roger Waters. O retorno de um músico tão icônico é sempre bem-vindo, principalmente tratando-se do vocalista do Pink Floyd. Em “Is This the Life We Really Want?”, Waters deixa em evidência vários conflitos universais, e convida você a olhar para o mundo como um todo. Ele concentra-se em comentários sociais irritados, mesmo que a música seja sonoramente bonita e impressionante. Em outras palavras, Roger Waters está irritado com a estupidez do mundo moderno.

Favorite Tracks: “Déjà Vu”, “Is This the Life We Really Want?” e “Smell the Roses”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.