Resenha: Robin Thicke – Paula

Lançamento: 01/07/2014
Gênero: R&B
Gravadora: Interscope Records / Star Trak Entertainment
Produtores: Robin Thicke e Pro Jay.

Robin Thicke, dono do smash hit “Blurred Lines” de 2013, lançou em julho do ano passado o seu sétimo álbum de estúdio, intitulado “Paula”. O álbum, lançado pela Star Trak Entertainment e Interscope Records, serviu como uma homenagem à sua ex-esposa Paula Patton. Estreou em #9 na parada da Billboard 200, vendendo apenas 24 mil cópias (84% à menos que seu último álbum) em sua primeira semana nos Estados Unidos. Robin Thicke gerou muito atenção no ano passado por conta da sua separação e divórcio, com a atriz Paula Patton, que foi extensivamente coberto pela imprensa americana. Esse disco foi feito por ele na tentativa de conciliar-se com Patton, com quem estava casado desde 2005. Sobre o título do álbum, Thicke disse: “Eu vim direito a uma turnê e eu tinha todas essas canções, idéias e sentimentos em meu coração. E eu fui direto para o estúdio. Eu escrevi todas as músicas em cerca de três semanas e nós gravamos o álbum em cerca de um mês”.

“Obviamente todas as canções eram sobre ela ou sobre como me sinto longe dela (…) Eu pensei que não haveria nenhuma razão para esconder do que se trata, porque é tudo sobre ela”, finalizou. Foi incrível a brusca queda que Robin Thicke teve em menos de 2 anos. Em 2013 ele estava no topo com a controversa “Blurred Lines”, logo depois do sucesso da canção e do disco auto-intitulado, foi acusado de fazer apologia ao estupro na letra da mesma, foi processado junto de Pharrell Williams por plágio, gerou rumores de infidelidade e acabou divorciando-se da esposa. Já em 2014, sua imagem estava muito manchada, principalmente por conta do motivo que culminou em sua separação, o que cooperou para ele ter um péssimo desempenho comercial com o disco “Paula”. Enfim, esse registro, que é basicamente um apelo à sua ex-esposa para retornar a ele, é um álbum de R&B que incorpora estilos e uma sonoridade contemporânea. Algumas músicas tem melodias muito boas e traz direções musicais interessantes.

Logo, determinadas músicas são admiráveis por vir de um músico que estava tentando usar seu talento para expressar suas emoções. Entretanto, após passar por tantos escândalos em sua vida pessoal, vir com um álbum como este soa até superficial, emocionalmente confuso, um pouco constrangedor e pisando em um território liricamente perigoso.  Porque, embora a real razão por trás de sua separação nunca tenha sido divulgada, o clipe de “Get Her Back” faz grandes alusões ao abuso de álcool e infidelidade. A faixa de abertura, “You’re My Fantasy”, começa forte com uma atrevida guitarra espanhola e trazendo novas influências para Thicke, como bossa nova. Porém, mesmo percorrendo ao longo de quase seis minutos, a música parece meio incompleta. O minimalista primeiro single, previsivelmente intitulado “Get Her Back”, é uma canção com dedilhados de violão e vocais em falsete, que possuem uma certa simplicidade e elegância.

Robin Thicke

“I never should’ve raised my voice or made you feel so small”, ele canta com uma certa sinceridade. Em “Still Madly Crazy” o cantor tenta deixar de lado qualquer resquício de arrogância para implorar sua ex-esposa que volte para ele. Essa é uma balada no piano, que ele tenta impactar, emocionalmente, ela e o público. É uma canção que deixa transparecer uma dor real, o problema é o contexo das letras que aparentam ser um território incomum para a persona de Robin Thicke. A quarta faixa, “Lock the Door”, é outra balada no piano, com pinceladas de gospel, onde ele permite que um vocal de apoio feminino dialogue, cantando: “Eu ficava tentando avisá-lo, você estava quebrando lentamente o meu coração”. Percebemos que ele quis realmente trazer o drama e intriga da vida real para a música. “Não me deixe aqui fora no frio”, ele também suplica.

Na canção “Whatever I Want” ele tenta recuperar um pouco dos elementos que fizeram “Blurred Lines” ser tão infecciosa, para depois vir com bastante força na faixa “Living In New York City”, onde temos uma descendente distante de algumas músicas de James Brown. O seu início, inclusive, apresenta Paula Patton dizendo: “Eu estou indo para Nova York”. Robin Thicke revelou que Paula contribuiu com a breve gravação de sua voz como um favor, e que a mesma foi inspirada por uma declaração semelhante, anteriormente feito dela para à ele. Em outros casos, como na balada “Love Can Grow Back”, que apresenta piano e sax, ele usa argumentos muito ruins para tentar recuperar sua ex-mulher: “You’re way too young to be dancing like that in front of a man like me, baby?”.

Robin Thicke

“Black Tar Cloud”, oitava faixa, possui elementos de funky e rock, beneficiando-se de um arranjo original, alguns bons vocais de apoio e um arrependimento convincente. O álbum ainda inclui uma faixa chamada “Too Little Too Late”, outra tentativa de reconquistar sua esposa depois de suas supostas infidelidades múltiplas. Musicalmente, essa injeta um funky e R&B estilo Justin Timberlake, mas que na prática ficou um pouco fora de sintonia. Ocasionalmente, o R&B polido e jovial é uma das marcas de Thicke, entretanto, em “Tippy Toes”, essa sonoridade ficou um tanto quanto cafona, enquanto seus vocais um pouco entediantes. Em “Something Bad” Robin soa um pouco arrogante em suas colocações, admitindo com uma pose de sedutor que: “I’m in pieces of a puzzle / If you ever even finish, babe, it won’t be worth the muscle”.

A música também apresenta, novamente, backing vocals que repreendem ele: “You’re such a bad baby!”. No geral, sua narração é dramática, mas estranhamente tomada por um senso de humor. Na faixa “The Opposite of Me”, o cantor tenta examinar os seus defeitos: “Tudo o que ela precisava era de um verdadeiro amigo / Tudo o que ela recebeu foi um homem perturbado / (…) E eu só a recompensei com o meu discurso de bêbado”. Essa faixa possui um ar de gentileza misturado com uma pitada de folk-rock e uma harmonia que conseguiu ser eficaz. “Time of Your Life”, penúltima faixa do registro, é uma música sem sentido, bagunçada, que não possui nada de atraente, enquanto “Forever Love” é mais uma balada no piano, que encerra o álbum. Essa ainda possui um certo tom emocional e onde o cantor tenta ser docemente romântico. “Paula”, sétimo álbum de Thicke, é um registro de pós-separação, em homenagem à sua ex-namorada de escola e ex-esposa, a atriz Paula Patton.

Para um material de R&B de um cantor masculino, temas como relacionamentos tendem a ser atraentes, no entanto, esse não foi o caso desse disco. O álbum explora estritamente sua separação, porém, embora os fãs queiram saber sobre sua vida pessoal, acredite que não seja para tanto. Depois do álbum “Blurred Lines” ser o pico de sua carreira, a introspecção do “Paula” parece ser meia-boca. É uma carta de amor aberta para o público de Robin Ticke para Paula Patton, mas é algo relevante, na maior parte, apenas para os dois. Essa abordagem dele inverte precisamente a estratégia de um álbum clássico de Marvin Gaye, que em 1978, emitiu o disco “Here, My Dear”, onde cada canção mandava sua ex-esposa, Anna, para o inferno. Através de desculpas públicas e canções tristes, o cantor projetou sua própria versão dos eventos que cercaram o seu divórcio. Mas, infelizmente, o registro não faz jus à promessa de que seria um material com forte apelo emocional. “Paula” foi totalmente mal adaptado para estender o sucesso mainstream de “Blurred Lines” e terminou com um desempenho comercial e de crítica vergonhoso.

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Favorite Tracks: “Living In New York City” e “Forever Love”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.