Resenha: Robin Schulz – Uncovered

Lançamento: 29/09/2017
Gênero: Deep House, Dance
Gravadora: Warner Music Group / Tonspiel
Produtor: Robin Schulz.

O produtor alemão Robin Schulz tornou-se uma sensação a partir do momento que remixou a exuberante “Waves” ao lado do holandês Mr. Probz. Ele alcançou o número #1 em seis países europeus e passou a ganhar reconhecimento internacional. O single seguinte, um remix de “Prayer in C” da dupla francesa Lilly Wood and the Prick, foi outra escolha bem sucedida que atingiu o topo em dez países da Europa. Nascido em 1987 em Osnabrück, Alemanha, ele começou a trabalhar como DJ aos 17 anos de idade. Influenciado por artistas como Armand Van Helden e Tiësto, ele percorreu vários anos antes de passar a fazer upload de suas faixas no YouTube. Foi a partir daí que seu som melódico e bouncy ganhou milhões de seguidores. Tendo catapultado o seu nome através de remixes, Robin Schulz lançou um álbum de estreia praticamente composto por canções de outros artistas. Ele adora misturar riffs de guitarra com amostras eletrônicas, enquanto desafia o estilo EDM mainstream. Para o seu novo álbum, “Uncovered”, ele atravessa essa fina linha entre a criatividade e o pop comercial, oferecendo dezoito faixas no total. Lançado através da Atlantic Records, o álbum possui desde peças sinfônicas até bangers energeticamente carregados. “Unconvered” é, provavelmente, o seu trabalho mais complexo e cinematográfico até o momento. Definindo o tom para o registro, “Intro” é uma composição orquestrada com cordas e uma melodia de piano staccato. Em seguida, após essa introdução de dois minutos, “Unforgettable” apresenta os tons do cantor americano Marc Scibilia.

Uma canção house com vocais suaves que mostra a diversidade do DJ alemão. Musicalmente, é uma boa faixa, apesar do uso excessivo de auto-tune e produção sobre carregada. O primeiro single, “Shed a Light”, é uma colaboração infecciosa com David Guetta e Cheat Codes. Uma canção dance criada a partir da combinação edificante de sons energéticos, batidas eletrônicas e cordas em potencial. A segunda colaboração com David Guetta, “Oh Child”, foi apresentada algumas semanas antes no Festival Tomorrowland. A habilidade de Robin Schulz para melodias é inquestionável, algo claramente evidenciado nesta canção. A quarta faixa, “Fools”, é uma colaboração melódica com Aalias e RIO. Se você gosta das cordas do piano, certamente vai curtir esta faixa. A versatilidade de Robin Schulz é novamente evidenciada na faixa “Like You Mean It”, com a sueca Rhys, enquanto o single “OK”, com vocais de James Blunt, apresenta um som deep-house sobre cativantes batidas de tambor e piano. Na energética “Naked”, Schulz colaborou com Sam Martin, o talentoso vocalista conhecido pela música “Dangerous” de David Guetta. “Above the Clouds”, o primeiro instrumental do álbum, prepara o caminho para uma canção mais lenta e dramática chamada “Higher Ground”. Esta faixa down-tempo fornece uma mudança de ritmo bem sucedida e reflexiva. Movendo-se um pouco para longe do deep-house, Robin Schulz apresenta a faixa “Love Me a Little”, ao passo que “Tonight and Every Night” arranca as cordas do coração antes de Nico Santos cantar em “More Than a Friend”.

O terceiro single, “I Believe I’m Fine”, com o francês HUGEL, pode ser considerado outro destaque do registro. Muitos fãs do DJ alemão já conheciam HUGEL, afinal em ocasiões anteriores ele já havia trabalhado com Schulz. A melodia engenhosa de “Ha Leh Lou Ya” apresenta os vocais cativantes de Christy McDonald. O trabalho soulful de McDonald é muito refrescante e acena diretamente para a música disco da década de 80. À medida que o álbum aproxima-se do final, “Sounds Easy” oferece uma composição mais focada no dance. Estilisticamente, esta faixa me fez lembrar do hit “Sugar” do seu segundo álbum de estúdio. Além da batida dançante e som house de marca registrada de Robin Schulz, ela possui vocais do relativamente desconhecido Ruxley. O ambiente instrumental de “Un Sueno” injeta uma sensação diferente no álbum. Ela possui alguns toques caribenhos e espanhóis, enquanto é conduzida por uma cansativa batida de tambor. Por fim, o registro é encerrado por uma peça instrumental e dramática chamada “Outro”. Com este álbum, Robin Schulz atendeu as expectativas ao oferecer um conjunto de músicas refrescantes e diversificadas. O comprimento pode ser encarado como um ponto negativo, uma vez que deixa a escuta extremamente sobrecarregada. Entretanto, ele soube combinar muito bem o seu som house familiar com as infusões graves e energéticas de seus colaboradores. Com a grande variedade de sons e ritmos explorados no “Uncovered”, Robin Schulz não terá problemas para sustentar a sua posição no mercado EDM.

Favorite Tracks: “Shed a Light (feat. David Guetta & Cheat Codes)”, “Higher Ground” e “I Believe I’m Fine (feat. HUGEL)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.