Resenha: Robin Schulz – Prayer

Lançamento: 19/09/2014
Gênero: Deep House, Dance
Gravadora: Warner Music Group
Produtor: Robin Schulz.

Robin Schulz é um DJ alemão de deep house que ganhou fama internacional com seu primeiro single, o remix de “Waves” do cantor holandês Mr. Probz. Esse remix foi um sucesso mundial e mais tarde recebeu uma indicação em “Best Remixed Recording, Non-Classical” na 57ª cerimônia do Grammy Award que aconteceu em 2015. Robin Schulz também ganhou muito destaque com o lançamento do remix de “Prayer in C” de Lilly Wood & The Prick. A canção atingiu o topo em diversos países da Europa, incluindo Alemanha, Reino Unido, França e Suécia. Foram esses dois remixes que praticamente levaram o DJ a ter reconhecimento internacional. Robin começou a discotear com 17 anos de idade, tendo como inspiração Richie Hawtin, Sven Väth, Armand van Helden e Tiësto.

Com 20 anos ele já era dono de um clube noturno, da qual ele tocou durante dois anos antes de decidir produzir suas próprias músicas.  Ele atualmente tem 28 anos e lançou o seu primeiro álbum, “Prayer” dia 19 de setembro de 2014, através da Warner. O disco apresenta 20 faixas que incluem seus remixes para outros artistas, cuja abordagem de house music oferece uma alternativa mais arejada e sensível se comparada ao som dominante de EDM da atualidade. Logo na primeira audição do álbum é difícil não apreciar o estilo de Robin Schulz, com suas melodias de piano e riffs de saxofone, bem como um material que não se agarra ao gênero que o classifica. Schulz não se baseia apenas em linhas de baixo profundas, em vez disso, ele foca na emoção, musicalidade e batidas simplesmente dançantes.

Portanto, “Prayer”, com ele sendo o produtor executivo, é bem arredondado emocionante. E graças a isso Robin Schulz está fazendo bastante barulho e tornando-se um nome familiar em vários países. Como esperado, a faixa “Prayer in C” em colaboração com o duo franco-israelense Lilly Wood & The Prick abre o álbum. O remix de Schulz para essa canção fico definitivamente muito elegante. Em vez de inundar a versão original com batidas arrogantes e sem vida, a percussão imposta por ele acrescentou um ambiente descontraído ideal para ouvir a beira da praia. Ele também destaca ainda mais a intimidade dos vocais e da guitarra dedilhada.

Robin Schulz

Algumas vezes o tratamento de Schulz para o material de outros artistas é parcialmente bem sucedido, pois “Willst Du”, originalmente do ato alemão Alligatoah, tem um riff repetitivo, que eventualmente sente-se envelhecido. Felizmente, também tem um ambiente irresistível que carrega um certo sentimento de ternura e melancolia. “Sun Goes Down” é a única canção original do álbum, que apresenta a cantora britânica Jasmine Thompson nos vocais. É uma fatia muito boa de deep house, lançada como 4º single e que servirá como canção oficial da Copa Ouro da CONCACAF de 2015. A música se sobressai pelas harmonias celestiais, o sutil piano e por seu ótimo saxofone.

No entanto, o seu remix para “No Rest For the Wicked” da cantora sueca Lykke Li ficou um pouco aquém do esperado. A ligeira aceleração no ritmo da música a afastou da maravilhosa sensação da versão original presente no disco “I Never Learn”. O remix de Schulz para “Rather Be”, de Clean Bandit e Jess Glynne, também ficou um pouco dispensável, porque não agregou em nada à versão original. Pelo contrário, foi retirado os bons vocais de Glynne e o majestoso riff de violino ainda foi enterrado por um piano sem graça. Já as batidas de “Taking Me Home”, com HEYHEY, e o instrumental construído em torno de riffs de piano de “Never Know Me”, são chamativos e conseguem te prender.

Robin Schulz

As novas versões para “We Don’t Have To Take Our Clothes Off”, Ella Eyre, e “A Sky Full of Stars”, Coldplay, não contém nada de muito novo, mas também não ficaram desagradáveis. Schulz simplesmente as acelerou um pouco e aderiu uma nova batida de tambor. Enquanto isso, outras faixas como “House On Fire” e “Hier Mit Dir” possuem um som mais mainstream e progressivo, mas felizmente, sem correr o risco de ficar com uma produção em excesso. “Warm Minds” e “Wrong”, no meio do álbum e ainda seguida uma da outra, não me impressionaram. “Warm Minds” é uma pista mundana, sem imaginação e com uma mesma batida repetitiva, ao passo que a última também segue essa mesma fórmula chata. “Snowflakes”, por sua vez, com amostras da canção de mesmo título da banda eletrônica White Apple Tree, é um destaque, graças ao seu piano acústico e os ótimos vocais.

“Summer Nights”, com David Lageder, e “Spree Ahoi” com Steven Coulter, também cozinham o álbum e passam despercebidas, pois ambos instrumentais não animam tanto como os originais. Enquanto isso, o riff de piano oscilante de “Whatever”, por Stil & Bense, é muito genérico e reminiscente de outras canções, e não causa um menor impacto sobre o ouvinte. Perto do final do disco, “Changes”, uma versão do duo francês Faul & Wad Ad e o duo australiano Pnau, destaca-se pelo piano delicado e a letra otimista, ao passo que o soulful “In the Morning Light” chama atenção pelo ambiente calmo e perfeito para ouvir olhando o nascer do sol. Mas, certamente, o grande destaque do álbum é o remix de “Waves” com Mr. Probz, que traz um riff de guitarra de verão e uma percussão que evoca um paraíso ensolarado.

“Waves” é extremamente cativante, oferecendo uma combinação excelente de elementos orgânicos e eletrônicos, e ainda vocais suaves que encaixam-se perfeitamente à linha de guitarra. “Prayer” é realmente um registro que empurra a música dance para os seus limites, atingido o melhor que ela pode ser. Com seu imenso talento como DJ, Robin Schulz está se mostrando capaz de criar uma enorme fã base por aqueles que amam o cenário EDM. E para um primeiro álbum, o “Prayer” contém até muita coisa memorável e contagiante, embora seja um registro muito longo. Ele ainda tenta não ultrapassar a marca de 3 ou 4 minutos para evitar enchimentos, mas mesmo assim, o registro sofre por ser longo demais. De qualquer maneira, Schulz conseguiu encontrar tempo ano passado para lançar seu álbum de estreia que, pelo menos, não soa como um bando de remixes genéricos empilhados um em cima do outro.

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Favorite Tracks: “Prayer in C (feat. Lilly Wood & The Prick)”, “Sun Goes Down (feat. Jasmine Thompson)”, “Snowflakes (feat. Pingpong)”, “Waves (Robin Schulz Remix) [feat. Mr. Probz]” e “Changes (feat. Pnau, Faul & Wad Ad)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.