Resenha: Robert Plant – Carry Fire

Lançamento: 13/10/2017
Gênero: Hard Rock, Rock
Gravadora: Nonesuch Records / Warner Bros. Records
Produtor: Robert Plant.

Mais conhecido como o líder da lendária banda de rock Led Zeppelin, Robert Plant iniciou sua carreira solo logo após a dissolução do grupo. De volta com seu décimo primeiro álbum de estúdio solo, Plant nos apresentou em outubro de 2017 o disco “Carry Fire”. Ele é uma verdadeira lenda e acumulou credibilidade suficiente para que possa fazer o que quiser. Em “Carry Fire”, ele optou por fornecer um som popular e americano. Mas este não é um novo terreno para ele, uma vez que já trabalhou com a artista de bluegrass Alison Krauss. No decorrer de onze faixas, Plant tece muitas influências musicais que ele usou no passado, como a música americana e ritmos da África e Oriente Médio. Aos 69 anos, ele esteve em uma jornada musical de descoberta, mas saiu da sombra da fantástica banda que criou com o guitarrista Jimmy Page. Não seria exagero sugerir que Led Zeppelin, juntamente com o Black Sabbath, criou o principal modelo para todas as bandas de metal e hard-rock. Robert Plant apresentou muitas faixas de folk e blues desde que iniciou sua carreira. O tempo que passou gravando com Krauss e suas raízes de bluegrass, também abriu um maior leque para si. A voz de Plant sempre foi impressionante e sua escrita quase perfeita, lidando com o romance sem soar clichê. Consequentemente, ele compartilha conosco um pouco de sua sabedoria em duas faixas em particular, “Carving up the World Again… A Wall and Not a Fence” e “Bones of Saints”, ambas lutando para entender a bagunça política em que estamos no momento. “Carving up the World Again… A Wall and Not a Fence”, obviamente dirigida a Donald Trump, possui um delicioso trabalho de guitarra e senso de humor perverso.

Enquanto isso, “Bones of Saints” é possivelmente a faixa mais Led Zeppelin do repertório. Possui um ritmo otimizado, subcorrente do rock and roll, combinado com um núcleo verdadeiramente bluesy. É muito bom saber que o álbum foi estabelecido para ser ouvido como um todo. Enquanto há elementos que apontam para os dias de glória do Led Zeppelin, “Carry Fire” obteve um resultado majestoso. Um registro espetacularmente frio e adorável, com vocais bastante discretos em comparação com o passado de Robert Plant. O cantor raramente tenta subir para notas altas, e permanece confortavelmente em seu alcance. Mesmo assim, ele atinge notas com tanta precisão e emoção que podemos facilmente ignorar o fato dos vocais não estarem tão aventureiros. Tecnicamente, os vocais de Plant são incríveis e estão perfeitamente em forma, por isso é preciso ressaltar que, mesmo aos 69 anos de idade, sua voz ainda está muito boa. Os arranjos das canções e dos vocais de Robert Plant escondem o fato de que as letras são bastante simples. As canções de amor mais diretas se beneficiam desta simplicidade, enquanto as mais complexas exigem algo a mais. A faixa de abertura, “The May Queen”, foi escrita na primavera e resume o modo como Plant estava se sentindo naquele momento. Com uma vibração popular celta, vocais hipnóticos e ritmo místico, ela beneficia-se da fascinante seleção de instrumentos e sons. Enquanto a cativante “New World…” parece revisitar a época em que ele viveu no Texas, “Season’s Song” é uma ode para o envelhecimento e os efeitos do tempo sobre a mente e o corpo.

Sobre um piano sombrio e alguns tambores, “A Way with Words” fornece tons minimalistas e é mais falada do que cantada. “Carry Fire”, por sua vez, é exótica, sedutora, escura, misteriosa e cria distintas paisagens sonoras. Possui uma incrível seção de cordas e grande qualidade nos vocais de apoio. A atmosfera criada pelos vocais de Plant e os instrumentos orientais, são simplesmente fascinantes. Afastando-se da paisagem de influência oriental, temos as faixas “Keep It Hid” e “Bluebirds over the Mountain”. Com um groove eletrônico moderno, a primeira utiliza algumas frases conhecidas e alude a outras músicas. A guitarra nos faz lembrar da banda Santana, ao passo que a percussão é sincopada e pontuada. Já “Bluebirds over the Mountain” é um cover de uma música de Ersel Hickey, acompanhado por Chrissie Hynde da banda The Pretenders. O profundo vocal de Hynde marca um grande contraste com a voz superior de Plant. Ao contrário da versão original, o cover foi repaginado e possui uma vibração psicodélica. A última faixa, “Heaven Sent”, contém um humor sombrio e alguns tons misteriosos. Uma canção sonhadora que termina o repertório perfeitamente com uma percussão lenta e guitarra reluzente. Em suma, “Carry Fire” é um álbum impressionante. A voz de Robert Plant lida perfeitamente com os arranjos e toda a instrumentação do álbum é de primeira qualidade. Já listado como o melhor vocalista de rock de todos os tempos, as notas agudas de Robert Plant estão ligeiramente mais baixas agora. No entanto, o seu timbre ainda é aveludado e ganhou uma qualidade vulnerável altamente atraente.

Favorite Tracks: “The May Queen”, “New World…” e “Bones of Saints”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.