Resenha: Robbie Williams – Under the Radar, Vol. 1

Lançamento: 08/12/2014
Gênero: Britpop, Pop, Pop Rock
Gravadora: Self-Released
Produtores: Guy Chambers.

O inglês Robbie Williams lançou “Under the Radar, Vol. 1” em 08 de dezembro de 2014, o seu 11º álbum de estúdio solo. Foi lançado exclusivamente através do seu site oficial e é formado por demos, b-sides e raridades do cantor. Robbie Williams chegou à fama em meados dos anos 1990 como membro do grupo Take That, mas também é muito bem sucedido em sua carreira solo. Os seus sete primeiros álbuns alcançaram o topo no Reino Unido, possui sete singles número #1 e um sucesso similar em toda a Europa. Williams também já foi homenageado com 17 BRIT Awards, mais do que qualquer outro artista, 8 Echo Awards e duas indicações ao Grammy Awards. Com base nas certificações da BPI (British Recorded Music Industry), ele vendeu no mínimo 18,9 milhões de álbuns e 5,4 milhões de singles no Reino Unido em carreira solo. “Under the Radar, Vol. 1” foi vendido apenas pela site do cantor, por isso não entrou em nenhuma parada briânica e lançado de surpresa.

É um registro com canções escritas e gravadas para outros discos, mas que não chegou a entrar em nenhum. Mas independentemente disso, todas as 14 músicas que formam esse disco são novas para mim. “Este é uma coleção de canções que eu escrevi da qual sou incrivelmente apaixonado”, disse Robbie Williams em um vídeo gravado para seus fãs. Um fato curioso é que o álbum foi lançado no mesmo dia que “Take That III”, primeiro álbum do grupo após a segunda saída de Williams do mesmo. De qualquer maneira, a saída dele foi amigável, inclusive Gary Barlow disse que ele pode voltar a fazer parte do Take That quando quiser. Para a produção do disco, Williams colaborou com o seu colaborador de longa data Guy Chambers. “Ele acha que eu sou um louco por colocá-las em um álbum, e não promover com performances na TV, estações de rádio ou através de uma grande turnê”, disse Williams sobre o que acha Chambers sobre a forma de lançamento do “Under the Radar, Vol. 1”.

Mesmo o registro sendo preenchido por demos e b-sides, ele soa surpreendentemente agradável. A música de abertura, “Bully”, foi lançada gratuitamente dia 01 de dezembro de 2014, e é uma música animada, com uma letra poderosa, sons de tiros e um forte vocal. Aqui, o cantor tenta confrontar, de forma mal-humorada, os chamados “valentões”. A segunda faixa, “Raver” é ainda melhor, um número inteiramente positivo e muito cativante. “I ran with the runaways, runaways, runaways”, ele canta na primeira parte do bom refrão. E mais tarde canta apaixonado: “One scream for the last romantic / One heart for the last romantic / One hope for the last romantic / One scream one dream”. “H.E.S.” também é muito atraente e vigorosa, com ele apaixonadamente oferecendo uma condenação da civilização moderna. Essa foi a única música que ganhou um videoclipe, mas sem nenhum conceito e aparentemente um baixo orçamento.

Robbie Williams

“The Edge”, por sua vez, é uma canção de amor doce e apoiada por um piano, enquanto “All Climb On” se sobressai pela linda melodia e a letra mais pessoal. A ótima “Surrender” é pura determinação, com o cantor aconselhando a nunca desistir e a sempre manter o controle de tudo (“Seek control / Avoid the pain / Wake up / And do it again / This is your home / This is your life / Take back control”). Musicalmente também é uma bela música, com uma introdução no piano, belas melodias no refrão e bons vocais de apoio. Uma das melhores faixas do álbum vem logo em seguida. É intitulada de “Love Is You”, uma linda balada com piano e cordas, um brilho celestial e aquele tipo de letra brutalmente honesta que fez Williams ficar tão famoso. “Um minuto você está bem / Então o amor vai e muda a sua mente / Perdi tudo o que é verdadeiro / Te amando”, diz o sereno refrão. É uma balada cheia de sentimentalismo e bastante emotiva.  Em contrapartida, “The Cure” é talvez a mais fraca do repertório e passa um tanto quanto despercebida, embora tenha uma letra bonita.

“The Pilot” é igualmente sem graça, muito semelhante a qualquer outra música que ouvimos nas rádios atualmente. A décima faixa, “The BRITS”, foi gravada ao longo de dois dias em fevereiro de 2013 e lançada como uma canção gratuita através do site de Robbie Williams. Foi escrita como um aceno para a cerimônia do BRIT Awards, considerado o Grammy britânico, do qual o cantor é o maior vencedor da história. Particularmente, achei uma das músicas mais divertidas do álbum, que começa com Robbie afirmando: “Estou muito animado de estar aqui mais uma vez, é uma honra ser nomeado…”. O estilo dessa faixa lembra muito algumas das faixas presentes no álbum “Rudebox” de 2006. Em outros lugares, a faixa “National Treasure” é uma balada intrigante que aborda um tal de senhor Jones e soa como um dos clássicos de Elton John. Ela possui quase 8 minutos de duração, sendo orientado pelo piano, e com letras que realmente contam uma história.

“In a world full of weird, you’re the oddest ever”, ele canta no despreocupado refrão. É uma canção ridiculamente irresistível, quase impossível ficar completamente parado. “Super Tony” é outra que não me agradou e que só retarda a próxima faixa, “Greenlight”, que pelo contrário é boa e possui ótimos versos. A última faixa é chamada “Bullet”, a única música que é realmente demasiada chata e dispensável. Para um álbum de b-sides, o “Under the Radar, Vol. 1” é notavelmente coeso e agradável. Williams soa mais relaxado e livre que o habitual em suas colocações, ele parece estar realmente se divertindo. O cantor cita Springsteen, demonstra algumas influências da banda U2, em sua sonoridade e escrita, e não é tão dependente de efeitos sonoros. Esse registro se destaca, principalmente, pelas belas melodias fornecidas, algo que deixou boa parte das músicas realmente cativantes.

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Favorite Tracks: “All Climb On”, “Surrender”, “Love Is You”, “The BRITS” e “National Treasure”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.