Resenha: Robbie Williams – The Heavy Entertainment Show

Lançamento: 04/11/2016
Gênero: Pop, Pop Rock
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Guy Chambers, Jonny Cofferm Richard Flack, Stuart Price, Steve Robson, Johnny McDaid e Gary Go.

O décimo primeiro álbum de estúdio de Robbie Williams é uma coleção de padrões pop. O britânico de 42 anos e pai de dois filhos certamente não perdeu sua confiança ao longo dos anos. Três anos depois de seu último disco, “Swings Both Ways”, Williams está de volta para provar que não perdeu a capacidade de fazer música pop. Quando os primeiros fragmentos de “The Heavy Entertainment Show” foram divulgados, os fãs notaram certas semelhanças com os álbuns “Sing When You’re Winning” e “Escapology”. Entretanto, esse mais novo álbum não possui a mesma qualidade dessas obras mais antigas. É um disco que não consegue ser maior do que a soma de suas partes. Em uma tentativa de aderir a fórmulas já testadas, “The Heavy Entertainment Show” soa pouco divertido. Claro, há algumas faixas interessantes em seu interior, mas, no geral, o álbum é bem esquecível e carente de grandeza.

Alguns dos pontos fracos do registro são demonstrados logo no início, uma vez que temos uma mistura desconcertante de estilos. “The Heavy Entertainment Show”, faixa que dá nome ao álbum, contém elementos de jazz, por causa das trompas e percussão, enquanto Williams se move rapidamente para o pop-rock de “Mixed Signals”. Essa última soa como algo que Brandon Flowers do The Killers cantaria. Não é algo surpreendente, uma vez que Flowers colaborou na escrita da canção. Entre “The Heavy Entertainment Show” e “Mixed Signals” temos o primeiro single do álbum, intitulado “Party Like a Russian”. Dado a sua escrita, é uma faixa que possivelmente chateou alguns russos. É preciso ter um alto grau de confiança e arrogância para lançar um single como este. Uma música cativante, mas que está longe de ser o melhor de Robbie Williams. O seu ritmo mais lento e falta de um grande refrão, deixam muito a desejar.

O início do álbum possui uma grande variedade de estilos, no entanto, Williams não consegue embarcar em nenhum deles de forma convincente. A escrita também é um forte problema do registro. A faixa-título, por exemplo, apresenta um refrão desajeitado e pouca delicadeza para equilibrar as coisas. O segundo single do álbum, “Love My Life”, é uma balada pop com um refrão inspirador e uma mensagem muito clara. Co-escrita por Johnny McDaid da Snow Patrol, é uma canção pura e simples dedicada a sua família. “Motherfucker”, por sua vez, é outra canção pop-rock e a segunda dedicada para os filhos de Robbie Williams. Bastante diferente de “Love My Life”, essa música fala que seu filho recém-nascido poderá sentir-se estranho à medida que crescer, porque “Seu tio vende drogas (…) / Uma das coisas que você saberá de mim e sua mãe / É que somos filhos da puta ruins”. A negatividade do refrão não apaga o fato da canção possuir uma narrativa interessante.

No decorrer do álbum ainda temos faixas como “Bruce Lee”, que altera entre versos inspirados por disco e rock, e cria um glam-rock energético, a balada “David’s Song” e uma faixa co-escrita por Ed Sheeran chamada “Pretty Woman”. Mas nenhuma outra canção consegue soar tão moderna quanto o synthpop “Sensitive”. Uma canção complexa onde Williams canta em diferentes estilos vocais. Ela apresenta fortes linhas de baixo, riffs modernos, ganchos cativantes e um aspecto radio-friendly. Ademais, os momentos mais diferentes do álbum são os números jazzísticos “Hotel Crazy”, com Rufus Wainwright, e “Sensational”. Em suma, “The Heavy Entertainment Show” possui bons momentos. Entretanto, é um disco bagunçado que, em vez de concentrar-se em estilos estritamente selecionados, opta por uma mistura exagerada de gêneros. Não é um álbum coeso e muito menos sólido. Ao final de tudo, “The Heavy Entertainment Show” não chega próximo da grandeza dos registros que definiram a carreira de Robbie Williams.

Favorite Tracks: “Love My Life”, “Motherfucker” e “Sensitive”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.