Resenha: Rise Against – Wolves

Lançamento: 09/06/2017
Gênero: Punk Rock
Gravadora: Virgin Records
Produtor: Nick Raskulinecz.

Desde a sua criação, Rise Against sempre empurrou seus limites em termos de som e letras, enquanto manteve uma integridade ao longo da carreira. Da mesma forma, o seu oitavo álbum de estúdio, “Wolves”, segue pelo mesmo caminho. Embora tenha algumas músicas diferentes, o punk-rock otimizado ainda domina esse registro. Enquanto “The Black Market” (2014) foi um ponto de virada para Rise Against, ao concentrar-se no aspecto mais pessoal da vida, “Wolves” traça um caminho um pouco diferente. Felizmente, esse novo álbum sente-se mais cru do que polidamente radio-friendly, algo que a banda provocou nos últimos lançamentos. Dificilmente iremos ouvir um retorno às suas raízes hardcore, mas o brilho pop deste registro é menos perceptível. Inicialmente, eles transcenderam suas raízes para criar um estilo hardcore melódico que os impulsionou a proeminência. Rise Against sempre escreveu letras que aludem aos seus valores pessoais e políticos, abordando um punhado de tópicos diferentes, que incluem o tratamento de animais, pessoas refugiadas, comunidade LGBT e as consequências da guerra. Com Donald Trump sendo o atual presidente dos Estados Unidos, “Wolves” certamente surgiu no momento certo. Um dos destaque da banda, sem dúvida, é o vocalista Tim Mcilrath.

Ele consegue oferecer uma grande variedade vocal, sempre de forma fugaz e estelar. É incrível ver que, mesmo depois de tanto tempo, ele ainda é capaz de proporcionar vocais impressionantes. Embora exista um alto nível de entrega lírica nas suas músicas, o álbum peca por haver alguns clichês e letras demasiadamente simplificadas. Este não é o melhor e muito menos o pior disco da banda. Mas, felizmente, é um trabalho mais astuto do que o seu antecessor e, no geral, um projeto profundamente satisfatório e estimulante. A faixa-título, “Wolves”, é uma representação sólida do seu estilo, pois mistura melodias suaves com momentos extremamente agressivos. Ela inicia o repertório com uma nota alta e promissora, preenchida com momentos de reflexão inspiradores. Para aqueles que se importam menos com a política e querem apenas desfrutar de uma boa música, temos a faixa “House on Fire”. Uma canção com uma forte batida de bateria e vocais incrivelmente atraentes. “House on Fire” levanta as coisas com um refrão instantaneamente memorável e poderoso. O principal single do álbum, “The Violence”, é igualmente intenso e fiel à forma da Rise Against. Liricamente, é uma chamada urgente para “Lutar contra a corrente, puxar o cordão, fugir”.

Certamente é uma canção palatável, com riffs de guitarra irregulares, boas letras e uma ótima linha de tambor. Por serem tão cativantes, às vezes podemos esquecer o quão politicamente carregadas as músicas da Rise Against são. A próxima faixa, “Welcome to the Breakdown”, seria bastante esquecível, se não fosse pela incrível ponte, enquanto “Bullshit” incorpora breves e inusitados momentos de reggae. Provavelmente, “Bullshit” apresenta o discurso político mais intrigante do álbum. É um número auto-explicativo que exalta a ideia de que ponderar soluções, não é suficiente para fazer a diferença. Por outro lado, “Far from Perfect” sente-se muito convencional com suas letras edificantes e ao mesmo tempo clichês. Enquanto isso, “Politics of Love” parece ser o tipo de balada com grande poder de repetição, graças à melodia atraente e refrão emocional. Outras faixas, como “Parts Per Million”, “Mourning in Amerika” e “How Many Walls”, também fazem comentários sociais válidos. Mudança climática e meio ambiente, por exemplo, são temas abordados em “Parts Per Million”. Enquanto a banda adere às suas raízes punk em “Mourning in Amerika”, é uma canção com um tom muito menos agressivo do que o restante do álbum. “How Many Walls”, por sua vez, é claramente direcionada ao atual presidente dos Estados Unidos.

No refrão, Tim McIlrath grita: “Quantos muros você pode colocar?” / Quantas armas se sentem seguras?”. Num álbum cheio de rebelião, “Miracle” serve para mostrar que há luz no final do túnel. Um número esperançoso que adere a ideia de que podemos mudar o futuro para melhor. “Não precisamos que os milagres caiam do céu / Para separar os mares que nos rodeiam e transformar a água em vinho”, McIlrath canta de forma edificante. “Wolves” pode não ser inovador, mas faz exatamente o que se propõe a fazer. É um disco ruidoso, orgulhoso e zangado, mas que ainda proporciona alguns momentos emocionais. É uma coleção realmente frutífera. A banda manteve o seu núcleo de som, mas sem ficar estagnada. “Wolves” é, sem dúvida, uma combinação atraente de músicas cativantes e letras pensativas. Musicalmente falando, é um álbum com ótimos ritmos de guitarra e excelentes batidas de tambor. Tim McIrrath exibe uma voz grosseira e brutal que combina perfeitamente bem com a instrumentação fornecida por Joe Principe, Brandon Barnes e Zach Blair. Dito isto, “Wolves” fala de diversas maneiras diferentes, e convida os ouvintes a quebrar o molde e libertar-se da opressão. Como um pacote completo, esse registro é definitivamente um avanço no som bem estabelecido da banda.

Favorite Tracks: “House of Fire”, “The Violence” e “How Many Walls”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.