Resenha: Ringo Starr – Give More Love

Lançamento: 15/09/2017
Gênero: Pop Rock, Country
Gravadora: Universal Music Enterprises
Produtor: Ringo Starr.

Richard Starkey, comumente conhecido por Ringo Starr, chegou ao estrelato como baterista dos Beatles. Depois que a banda se separou, ele passou a lançar vários discos solo. Os outros três membros dos Beatles, bem como inúmeros convidados, fizeram aparições em seus álbuns, algo que tornou-se uma assinatura do Ringo. Desde 1989, ele passou a liderar o All-Starr Band, um supergrupo de rock onde “todos no palco são uma estrela por próprio direito” (um conceito criado pelo produtor David Fishof). Ringo Starr & His All-Starr Band já teve doze variações até os dias de hoje, alterando o seu line-up dependendo dos projetos e disponibilidade dos músicos envolvidos. Quando os Beatles se separaram as pessoas achavam que Ringo Starr não teria uma carreira solo bem-sucedida. Apesar de brilhantes, os seus dois primeiros discos, “Sentimental Journey” (1970) e “Beaucoups of Blues” (1970), não fizeram tanto sucesso. Entretanto, depois que ele lançou o single “It Don’t Come Easy” em 1971, tornou-se um dos ex-Beatles mais bem-sucedidos da década de 70. Em 15 de setembro de 2017, Ringo lançou o seu décimo nono álbum de estúdio, sob o título “Give More Love”. Certamente, existem alguns excelentes colaboradores no álbum, incluindo Paul McCartney. Das quatorze faixas, dez são originais e quatro são reformulações de algumas de suas músicas do passado. Em vários aspectos, “Give More Love” parece uma esquete dos Beatles, uma vez que a produção e letras parecem terem sido retiradas da década de 60.

É um projeto que apresenta um som pop, pop-rock e country com um pouco de melancolia. Muitos músicos do seu último álbum e vários da sua atual All-Starr Band participaram do projeto. Mas, sem dúvida, a melhor presença é a de Paul McCartney nas músicas “We’re on the Road Again” e “Show Me the Way”. Apesar de não ser uma grande surpresa, é muito bom ouvir dois ex-Beatles no mesmo projeto. Tal como aconteceu com seus últimos discos, “Give More Love” foi inteiramente produzido por Ringo Starr. Ele aprendeu muito sobre produção ao longo dos anos, portanto, não é algo totalmente surpreendente. A maior parte do repertório apresenta algo que você esperaria de Ringo, ou seja, rock & roll e algumas baladas. Liricamente, as músicas variam entre paz, amor, autobiografia, sensibilidade e preocupação com o mundo. A primeira faixa, “We’re on the Road Again”, com McCartney, Joe Walsh, Edgar Winter e Steve Lukather, possui alguns riffs lamuriantes e versos otimistas. Embora seja um número cativante, é algo que teria ressoado muito melhor na década de 60. A próxima faixa, “Laughable”, é um pouco melhor, seja pela batida progressiva, ritmo viciante ou tema lírico. Co-escrito por Peter Frampton, é uma canção que vê Ringo Starr comentando, aparentemente, sobre eventos recentes. A balada “Show Me the Way”, também com a presença de McCartney, concentra-se numa ideia sobre o amor.

Aqui, a bela influência dos anos 60 é sobrecarregada por uma escrita extremamente sensível. Além da direção acústica, “Standing Still” possui uma guitarra funky conduzida por Dave Stewart, enquanto “King of the Kingdom” apresenta Edgar Winter tocando saxofone. A oitava faixa, “So Wrong for So Long”, desvia-se do som pop-rock habitual do cantor a fim de explorar o território country. Sonoramente, é um movimento ousado para Ringo Starr, em contrapartida, é um dos poucos momentos do álbum que realmente funcionam. O primeiro single do álbum, “Give More Love”, por sua vez, é uma canção sincera com alguma substância. Aqui, Ringo Starr faz um bom trabalho ao explorar o mesmo som que catapultou sua carreira solo. Os sons de sua bateria giram em torno dessa música, da mesma forma que a guitarra e o violão. Parece uma canção perdida dos Beatles, mas é lamentável que seja uma das pouquíssimas faixas que aventuram-se de forma eficiente. Entre as faixas bônus temos reformulações de “Photograph”, um número acústico country, “Back Off Boogaloo”, que ficou muito mais solta do que a versão original, e “Don’t Pass Me By”, canção do disco “The White Album” (1968) dos Beatles e primeira composição solo de Ringo Starr. No geral, “Give More Love” possui uma adequada sensação nostálgica e permanece fiel ao estilo do cantor. Entretanto, Starr não conseguiu dar os mesmos passos que os Beatles. Infelizmente, o seu lirismo continua relativamente fraco, mesmo após muitos anos de carreira.

Favorite Tracks: “Show Me the Way”, “So Wrong for So Long” e “Give More Love”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.