Resenha: Rihanna – Unapologetic

Lançamento: 19/11/2012
Gênero: Pop, R&B
Gravadora: Def Jam Recordings
Produtores: Robyn Fenty, Carl Sturken, Evans Rogers, David Guetta, StarGate, Benny Blanco, Mike Will Made-It, Lucey Tunez, Mex Manny, Future, Chase & Status, Nicky Romero, Mikky Ekko, Terius Nash, Carlos “Los” McKinney, Brian Kennedy, No I.D. e Labrinth.

Em novembro de 2012, Rihanna lançou o seu sétimo álbum de estúdio, sob o título “Unapologetic”. Gravado entre junho e outubro do mesmo ano, o disco foi lançado através da gravadora Def Jam. É um projeto que inclui colaboradores de seu álbum anterior, tais como The-Dream, Chase & Status e Stargate, além de novos produtores, como Mike Will Made-It e Labrinth. Ao vender mais de 238 mil cópias na primeira semana, tornou-se o seu primeiro trabalho a estrear no topo da parada de álbuns dos Estados Unidos. Gerou um total de sete singles, incluindo os hits internacionais “Diamonds” e “Stay”, além de ganhar o prêmio de “Best Urban Contemporary Album” na cerimônia do 56º Grammy Awards. “Unapologetic” é um disco de pop e R&B que incorpora outros gêneros como o hip-hop e EDM, e elementos de reggae e dubstep. Sua produção lembra os álbuns anteriores, em especial o “Talk That Talk” (2011) e o “Rated R” (2009). Pelo quarto ano consecutivo Rihanna lança um disco no mês de novembro e em tempo da Black Friday, comprovando que sua gravadora a vê como uma máquina inegável de sucesso. A arte da capa é ousada, pois Rihanna aparece toda provocativa rodeada de palavras, pichações e algumas hashtags

“Unapologetic” é bem menos desafiador do que parece, entretanto, uma coisa foi inesperada: a carga de vulnerabilidade que Rihanna apresentou. Também é um pouco mais exploratório e profundo do que os seus demais trabalhos, com exceção do “Rated R”. Em alguns pontos é obscuro e triste como o disco citado, mas em outros, é orientado para a diversão e entretenimento. O álbum traz, novamente, uma ótima combinação de grandes produtores e compositores da indústria, que juntando a entrega carismática de Rihanna criaram outro ótimo projeto. O único equívoco foi não fornecer um tema ou núcleo mais realista, no entanto, assim como no restante do seu catálogo, a cantora permaneceu exuberante e temperamental na maior parte do tempo. Tanto que ela aparece sem remorsos numa colaboração com Chris Brown, cantor que a agrediu na época que namoravam. Sonoramente, na primeira metade do registro, Rihanna apresenta números de hip-hop e R&B, enquanto na segunda fornece números de EDM e algumas baladas. Na faixa de abertura, “Phresh Out the Runway”, a cantora apresenta um número viciante de hip-hop com graves sintetizadores.

Sua produção, encomendada por David Guetta e The-Dream, ficou realmente muito boa, o mesmo vale para a interpretação e a postura de Rihanna. O primeiro single, “Diamonds”, tornou-se a sua décima segunda canção a atingir o topo da Billboard Hot 100, número que viria aumentar em 2013 com “The Monster” (com Eminem). Escrita por Sia Furler e produzida por Benny Blanco e Stargate, “Diamonds” é o verdadeiro hino desse álbum. Uma balada pop e R&B mid-tempo, que apresenta sintetizadores pesados, sons orquestrais e elementos eletrônicos. Foi inesperado ela vir com uma balada como primeiro single, porém, uma mudança bem-vinda, visto que sua voz ficou maravilhosa nas letras sápidas e amorosas. “Numb” é outra colaboração entre Rihanna e Eminem, uma música com um riff de flauta ao fundo e algumas batidas contundentes. Ela possui uma amostra de “Can’t Tell Me Nothing”, faixa do álbum “Graduation” do rapper Kanye West. A aparição de Eminem foi breve, algo que contribuiu para a faixa ficar aquém do esperado. Na faixa “Pour It Up”, produzida por Mike Will Made-It, Rihanna ostenta sua riqueza em cima de uma batida mínima de trap e hip-hop.

“Loveeeeeee Song”, com Future, é uma música melódica, descontraída e bastante sensual. Rihanna interpreta com um toque mais leve do que o habitual, equilibrando isso à sua capacidade nata para canções pop com arranjos de R&B. A sexta faixa, “Jump”, é um dos maiores destaques do registro, canção esta que possui sample de “Pony” (1996) de Ginuwine e produção de Stargate e Chase & Status. Aqui, temos oscilações distorcidas de dubstep e total aceno para o movimento EDM. Enquanto isso, a letra diz que ela não vai mais perseguir o seu ex-namorado. “Jump” é, provavelmente, a faixa mais ousada do repertório, por causa da entrega inexpressiva, irresistível e interpolação com “Pony”. Rihanna co-escreveu “Right Now” com Ne-Yo e The-Dream, enquanto o seu colaborador de longa data, Stargate, a co-produziu ao lado de David Guetta, Nicky Romero e Giorgio Tuinfort. Uma ótima faixa EDM que fala sobre viver o presente. A balada “What Now”, por sua vez, é apresentada no piano, incorpora um tom emocional e apresenta bons vocais de Rihanna. O seu refrão, ao contrário do início simples no piano, é bombástico e cheio de explosões eletrônicas. “Stay”, lançada como segundo single, é uma balada pop e R&B apresentada no piano com suporte de alguns acordes de guitarra.

O seu conteúdo lírico fala da tentação e da incapacidade de resistir a um verdadeiro amor. “Stay” é uma balada realmente linda, com um toque vulnerável e dueto cheio de química com Mikky Ekko. A canção mais controversa e inesperada do álbum é “Nobody’s Business” em colaboração com Chris Brown. Opiniões foram divididas ao comentarem sobre esta canção, com a maioria criticando a decisão de Rihanna em colaborar com Brown, mesmo após o conturbado término do relacionamento entre eles e a agressão física sofrida por ela em 2009. Lembrando que antes desse dueto, os dois já haviam colaborado nos remixes das faixas “Birthday Cake” e “Turn Up the Music”. Esse dueto, por mais inesperado que seja, ficou surpreendentemente agradável. É uma canção disco-pop e funk suave e despreocupada que utiliza na sua composição amostras de “The Way You Make Me Feel” de Michael Jackson. Em seguida, temos “Love Without Tragedy / Mother Mary”, duas canções que possuem uma estrutura derivada da música eletrônica, new wave e R&B. Liricamente, “Love Without Tragedy” é orientada para o amor, enquanto em “Mother Mary” a cantora confessa sobre um momento de sua vida que se arrepende.

Ambas possuem um profundo significado, são experimentais e entregaram uma boa performance vocal de Rihanna. “Get It Over With”, por sua vez, ficou muito aquém do restante do repertório. Certamente, é a faixa mais apagada, monótoma e sem graça do registro. “No Love Allowed” fornece um reggae bem atraente e instrumentação que consiste em uma batida caribenha, dubstep e ritmo estranhamente alegre. A última faixa, “Lost in Paradise”, é outra produção de Stargate, mas, desta vez, ao lado do rapper britânico Labrinth. Embora não seja um grande destaque, é uma das minhas favoritas, pois fecha o disco de forma ligeiramente hipnótica. Sua composição é dramática, porém, seu ritmo é levemente rápido: uma boa combinação de música eletrônica e ótimos tambores. “Unapologetic” traz algumas verdades confusas da vida da cantora com uma linha tênue entre ótimas faixas e outras dispensáveis. Os vocais estão no ponto e a produção da grande maioria se sobressai, com a segunda metade do álbum pisando em um território musical mais leve. Ainda temos a presença de letras com referências inquietantes sobre sua vida amorosa e faixas radiofônicas. Rihanna conseguiu, mais uma vez, ser convincente em seus próprios termos e como o próprio título diz, ela está totalmente sem remorso.

Favorite Tracks: “Diamonds”, “What Now” e “Stay (feat. Mikky Ekko)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.