Resenha: Rick Ross – Rather You Than Me

Lançamento: 17/03/2017
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: Maybach Music Group / Epic Records
Produtores: Analogic, Beat Billionaire, Beat Butcha, Bink, Black Metaphor, Buda & Grandz, C-Gutta, J-Pilot, Sap, Skyz Muzik, Streetunner, Tarik Azzouz, The Olympicks e Yung Coke.

William Leonard Roberts II, mais conhecido por Rick Ross, é um artista que não perde tempo. Desde o lançamento de seu álbum de estreia, “Port of Miami”, em 2006 ele lançou vários projetos. Isso inclui 9 álbuns de estúdio, 7 mixtapes e 4 compilações em uma carreira de 11 anos. Confiante e cheio de vida, Rick Ross tem sido uma grande figura do hip-hop nos últimos anos. Ele tem um catálogo cheio de um material bem produzido, lirismo forte e grandes características. Seu nono álbum de estúdio, “Rather You Than Me”, é uma forte demonstração de suas habilidades líricas e mostra porquê ele é conhecido como um magnata do rap. O álbum pinta um retrato luxuoso de um homem que não só tem tudo, como também compreende onde ele está. Nesse disco, como de costume, Rick Ross é tão extravagante como sempre foi, dando-nos fluxos poderosos, bangers trap e instrumentais souful. Tudo que esperamos dele. Conhecido por trabalhar com produtores grandiosos e expansivos, Ross juntou-se com Beat Billionaire, Streetrunner, Black Metaphor e outros para esse registro.

Embora seja um letrista capaz, mais uma vez o rapper colaborou com uma série de outros artistas. No interior do álbum, temos a presença de Jeezy, Yo Gotti, Future, Young Thug, Wale, Gucci Mane, Ty Dolla $ign, Nas e Meek Mill, apenas para citar alguns. A faixa de abertura, “Apple of My Eye”, vê o rapper de Miami num humor bastante introspectivo. Sobre um instrumental jazzístico, produzido por Major Nine, ele é acompanhado por um coro de cortesia do lendário cantor de R&B Raphael Saadiq. A música começa com saxofones e uma reflexão sobre o sucesso e provações de Rick Ross. Músicas como essa mostra um estado de espírito consciente e uma narrativa poderosa do rapper. Essa canção o vê sendo muito mais perspicaz e vulnerável do que o habitual. Mas, em outras linhas ele aborda a recente separação de Nicki Minaj e Meek Mill: “Eu disse Meek, eu não confio na Nicki”. Em “Santorini Greece”, Ross cospe um rap grandioso sobre amostras de trompas fornecidas por Bink. “Às vezes eu quero dizer “foda-se o mundo!”, ele proclama aqui.

É uma das composições mais luxuosas do álbum, com uma instrumentação repleta de teclas de piano, tambores, trompas e amostras vocais. Na terceira faixa, “Idols Become Rivals”, o rapper desabafa sobre a frustração e desapontamento com o comportamento de Birdman e sua gravadora, Cash Money Records. Essa canção começa com uma breve e humorística esquete do comediante Chris Rock. Entretanto, a faixa não é nada engraçada, uma vez que Rick Ross fala sobre as vítimas das práticas sombrias de Birdman. “Trap Trap Trap” possui um gancho repetitivo que funciona sem ser irritante, além de apresentar o energético Young Thug e um verso sólido de Wale. Em “Dead Presidents” Rick Ross recruta Future, Jeezy e Yo Gotti para construir uma música trap da velha escola. Essa é provavelmente a música mais violenta do álbum. Aqui, todos os rappers se deleitam com os despojos de seu trabalho nas ruas e fazem ameaças ociosas por toda parte. O primeiro single, “I Think She Like Me”, apresenta uma amostra groove de soul, bem como um refrão liso de Ty Dolla $ign.

Produzido por C-Gutta e J-Pilot e contendo sample de “People Make the World Go Round” de The Stylistics, esse single possui um pano de fundo perfeito para Ross empregar seu fluxo mais ágil. “Powers That Be”, com Nas, e “Lamborghini Doors”, com Meek Mil e Anthony Hamilton, são boas canções, porém, não oferecem muito além do que já ouvimos de Rick Ross. Enquanto isso, em “Game Ain’t Based On Sympathy” temos o rapper dando sua opinião a respeito da violência de gangues em Chicago. “Rather You Than Me” mostra mais alguns momentos de reflexão em introspecção em “Scientology”. Produzida por Bink, essa faixa apresenta Rick Ross abordando questões familiares. É uma das canções mais estelares do repertório. Esse álbum retrata mais uma vez a força desse veterano de 41 anos na cena hip-hop. “Rather You Than Me” não leva Rick Ross para novos picos, da mesma forma que os álbuns “Deeper Than Rap” (2009) e “Teflon Don” (2010), mas é um esforço muito mais forte do que seus projetos mais recentes. É um registro que reafirma seu lugar na elite do rap sulista.

Favorite Tracks: “Apple of My Eye (feat. Raphael Saadiq)”, “I Think She Like Me (feat. Ty Dolla $ign)” e “Scientology”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.