Resenha: Rick Ross – Mastermind

Lançamento: 03/03/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap
Gravadora: Def Jam
Produtores: Rick Ross, DJ Khaled, Sean Combs, Bink!, Ben Billions, Boi-1da, Beats, Black Metaphor, DJ Mustard, D-Rich, J. Manifest, Jerome “J-Roc” Harmon, J.U.S.T.I.C.E. League, Kanye West, K.E. on the Track, Major Seven, Mike Dean, Messy, Mike Will Made It, Reefa, Scott Storch, Vinylz, Timbaland e The Weeknd.

O rapper Rick Ross lançou em 03 de março de 2014 o “Mastermind”, seu sexto álbum de estúdio. O disco conta com participações de Jay-Z, Jeezy, The Weeknd, Kanye West, Big Sean, Meek Mill, Lil’ Wayne, French Montana, Diddy, Scarface, Sizzla, Mavado e Z-Ro. Estreou no número #1 da parada de álbuns da Billboard, com vendas na primeira semana de 179 mil cópias nos Estados Unidos. O álbum possui 16 faixas e contou com o auxílio de diversos produtores durante todo o seu processo de gravação. Rick Ross é um dos rappers mais destemidos e de atitude dos Estados Unidos e, como de costume, trouxe um repertório cheio de palavrões, provocações e arranjos tradicionais. Porém, mesmo não trazendo nada de novo, o rapper sempre consegue colocar algo a mais em suas melodias e refrões, e acaba dando aquele toque especial para as músicas.

Suas grandiosas rimas, muitas vezes com foco nos despojos de sucesso, são adicionadas a outros gêneros como funky, hip-hop dos anos 90, soul e reggae. As rimas, presentes aqui, em alguns momentos fazem você realmente começar a acreditar que o rapper conseguiu reunir uma vulnerabilidade suficiente para esse material. Inclusive, a arte da capa da versão de luxo faz o trabalho fantástico de captar o espírito do álbum. O extra-grande rapper pode não parecer ágil, mas ele consegue esculpir rimas conceituais sobre uma superfície gelada do rap gangsta. Nesse registro, o seu fluxo permanece perfeitamente ponderado, ele consegue ser vagaroso e preciso até mesmo em faixas mais rápidas e teatrais. O “Mastermind” é, sem dúvida, o seu melhor trabalho desde a mixtape “Rich Forever”, um registro reflexivo, nervoso e cheio de referências a federais.

Rick Ross

É um álbum capaz de ser ameaçador, outras vezes incolor e apresenta muitos versos de primeira linha (ouça “Santificted”). Créditos para Ross e seus muitos co-produtores, por fazerem um registro que consegue ser, por muitas vezes, envolvente. Sempre o mesmo e impressionante, Rick Ross joga com rimas inteligentes sobre as ruas, com batidas que custam milhões de dólares e uma entrega rouca e forte. Ele faz com que as canções transmitam a sensação de serem mais épicas do que realmente são, usando uma mesma fórmula simples e o seu glorioso rap gangsta. Os seus convidados também são um destaque à parte, eles só cooperaram para deixar o álbum ainda mais interessante. Depois de uma introdução de 1 minuto, temos a canção “Rich Is Gangsta”, que além de boa e cheia de sons de tiros, apresenta algo que ouvimos em várias outras músicas. É uma faixa promissora e cinematográfica em todos os sentidos.

“Checking account balance”, começa dizendo uma voz automatizada no início de “Drug Dealers Dream”. Se fosse uma pessoa de verdade, com certeza havia respirado profundamente antes de dizer o seguinte: “sua conta corrente tem um saldo disponível de US$ 92,153,183.28”. Uma canção que aborda do começo ao fim os desafios de se viver fora da lei, através das rimas viscerais de Ross. Uma chamada para o 911 (número de emergência atendida pessoalmente por um operador 24 horas por dia e 7 dias da semana), aparece no início de “Shots Fired”. Esse é um pequeno interlúdio que antecede a faixa “Nobody” com o rapper French Montana. Produzida por Diddy, “Nobody” foi lançada como terceiro single promocional do disco e ficou realmente notável. Possui uma boa estrutura e sample de “You’re Nobody (Until Somebody Kills You)”, canção presente no segundo álbum de estúdio de The Notorious B.I.G.

O primeiro single do álbum foi “The Devil Is a Lie” com Jay-Z, uma das melhores faixas do álbum. Possui uma batida excepcional, uma letra muito ambiciosa, é performada de forma ofegante e ainda consegue fornecer uma visão rara de grandeza. A descontraída “Mafia Music III”, com Sizzla e Mavado, oferece uma boa mudança de ritmo e traz Rick Ross conduzindo seus versos através de uma batida reggae. “War Ready” é praticamente uma meditação sobre a violência das ruas, onde Ross finalmente junta-se com seu velho rival, o rapper Young Jeezy. Uma faixa de sete minutos produzida por Mike Will Made-It, com um tom bastante ameaçador e uma grande força vindo das partes envolvidas. Em “What a Shame”, nona faixa, temos novamente a participação do rapper French Montana. É uma faixa bem filler, mas ainda assim consegue entreter. O vídeo desta é impulsionado por um conceito bem comum, rappers fazendo reunião com alguns mafiosos para discutir sobre negócios.

Rick Ross

Na faixa “Supreme”, Ross oferece uma batida suave e sente-se ainda mais seguro ao fazer um soulful quase perfeito. “Blk & Wht”, por sua vez, apresenta um refrão inteligente, enquanto ele toma emprestado a cartilha de Drake para lamentar surrealmente sobre traficantes de drogas. “Dope Bitch” é um esquete com citações irritantes e muito desnecessárias. Em compensação, “In Vein” é muito agradável e precisa, além de possuir um tom mais obscuro e teatral. Aqui, Rick Ross rima rápido em parceira com a sonoridade delicada de The Weeknd. Mas o ponto alto do registro é “Sanctified”, faixa que conta com a gloriosa colaboração e produção de Kanye West. Uma excelente canção, com uma poderosa influência gospel e um ritmo brilhante que permanece perfeitamente ponderado. Sua profundidade também é incrível, além de conter uma confissão agressiva de Kanye West, versos fortes de Rick Ross e uma boa participação de Big Sean.

“Walkin’ On Air”, com Meek Mill, dá uma leve quebrada nessa boa sequência, porém, nada que chegue a estragar a segunda parte do álbum. Finalizando, temos a faixa “Thug Cry” com o rapper Lil’ Wayne, essa eu considero a mais cativante de todo repertório e, portanto, está entre minhas favoritas. “Mastermind” é um projeto que fala muitas vezes sobre temas como mortalidade e violência. E veio em um momento crítico, pois com tantos jovens rappers talentosos ganhando cada vez mais relevância, muitos se perguntam o que depois de cinco álbuns, Rick Ross ainda tem a dizer em seus versos. Com esse interessante material, podemos ver que ele evita o modismo comercial em favor de oferecer algo mais pessoal. Ele ainda é, indiscutivelmente, um ousado chefão do hip-hop e usando a mesma fórmula, conseguiu fazer um álbum a altura dos rappers mais badalados do momento. Sim, o “Mastermind” é um álbum poderoso, com identidade e canções sólidas, Rick Ross ofereceu exatamente o que prometeu.

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Favorite Tracks: “The Devil Is a Lie (feat. JAY Z)”, “Supreme”, “In Vein (feat. The Weeknd)”, “Sanctified (feat. Kanye West & Big Sean)” e “Thug Cry (feat. Lil’ Wayne)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.