Resenha: Rick Ross – Hood Billionaire

Lançamento: 24/11/2014
Gênero: Hip-Hop, Rap
Gravadora: Def Jam Recordings
Produtores: Rick Ross, Seam Combs, DJ Khaled, Timbaland, DJ Toomp, Metro Boomin, Beat Billionaire, Big K.R.I.T., Cardiak, CritaCal, Lex Luger, Deedtwill, V12 The Hitman, MoneyBag$, Tracy Tyler, Ben Billions, Bassivity, The Remedy Production Group, Eddie ‘eMIX’ Hernandez.

“Hood Billionaire” é o sétimo álbum de estúdio do rapper Rick Ross, lançado através da gravadora Def Jam em 24 de novembro de 2014. O álbum conta com participações de Jay-Z, K. Michelle, Project Pat, Yo Gotti, Boosie Badazz, Big K.R.I.T., Slab, R. Kelly e Snoop Dogg. Estreou no número #6 da Billboard 200, com vendas na primeira semana de 74 mil cópias nos Estados Unidos. Foi uma queda de mais de 50% nas vendas se comparado com a semana de estreia do disco “Mastermind”, lançado oito meses antes, em março de 2014. É um disco com todos os elementos de um material típico de Ross, com palavrões, arranjos tradicionais, grunhidos, provocações e os gemidos que sempre dão uma certa ênfase. No entanto, é válido ressaltar que “Hood Billionaire” é muito mais fraco e desinteressante que “Mastermind”, com grande ausência de faixas potentes e poderosas. Quando questionado em uma entrevista o motivo pelo quando lançou outro álbum tão rápido e no mesmo ano, Ross respondeu: “Isso é o que os chefes fazem”. Ele se auto-intitula o chefão do hip-hop americano.

Para lançar dois álbuns no mesmo ano, muitas vezes é necessário uma certa reinvenção e/ou ter uma imagem que não esteja degastada, para assim atrair a atenção do público. Mas o problema é que “Hood Billionaire” é muito parecido com seu antecessor, embora menos interessante, com um conteúdo lírico igualmente autobiográfico e repleto de referências à drogas e dinheiro. Como o “Mastermind”, possui um total de 16 faixas, onde Ross se deleita em seus excessos, como nas produções, letras e arranjos. Ele, atualmente com 38 anos, é inegavelmente um dos atos mais bem sucedidos comercialmente do hip-hop, com um total de cinco álbuns número #1 na Billboard 200. Entretanto, não havia necessidade de lançar um material, com tão poucos atrativos e sem charme, no mesmo ano que já havia lançado um bom disco. Por isso, este é um registro que não teve nenhuma necessidade real de existir. Rick Ross poderia muito bem separar seus pontos altos e fazer um único álbum com o “Mastermind”. “Hood Billionaire” também possui sons ecléticos, mas nem todos esses sons são inspiradores e a maioria das músicas possui batidas que nem sempre se adequam ao conjunto de habilidades do rapper.

Abrindo o álbum já temos uma “Intro” chata e extremamente longa. Um esboço de dois homens que estão tentando desenterrar quatro sacos de dinheiro com oito milhões cada. Em seguida, começa a faixa-título, “Hood Billionaire”, onde Rick Ross trabalhou com o produtor Lex Luger. É um versão mais fraca de seus maiores hits, pois tem uma batida muito boa, mas que simplesmente não consegue prender suficientemente a atenção do ouvinte. “Coke Like the 80’s”, por outro lado, é uma faixa mais sólida. Pontos para seu engenheiro de som, porque é uma canção que soa fresca e limpa. Tem um piano dramático que constrasta com a rápida bateria eletrônica, enquanto Ross exalta a riqueza e poder que ganhou por ter sido alguém importante no tráfico de drogas. Já em “Heavyweight” ele não temos nenhuma visão de grandeza por não mostrar algo promissor com sua analogia ao boxe. O seu refrão é bem fraco e irritante, sendo preenchido quase totalmente pelas palavras “ding-ding”. Na faixa “Neighborhood Drug Dealer” temos uma amostra de vocal feminino bem sinistra, que parecia definir uma possibilidade de uma abordagem mais cuidadosa sobre o tráfico de drogas. No entanto, seu conteúdo lírico é mais do mesmo, sem surpresas.

Rick Ross

Na paranoica e obscura “Phone Tap” encontramos o rapper prometendo: “I think a nigga phone tapped / They wanna give me time for my old raps / Indict me for my own raps”. A paranoia presente nessa canção é decorrente da traição de um amigo de infância que testemunhou contra ele no tribunal. “When your days numbered / Cherish every second”, ele canta sobre a batida minimalista. A faixa sete, “Trap Luv”, também é bacana e faz o álbum dar uma agitada com as boas articulações de Ross e a participação de Yo Gotti. Lançada como primeiro single, “Elvis Presley Blvd.” é uma faixa de 6 minutos que traz participação de Project Pat. É a melhor canção do registro, com Ross recitando um rap retrô sob uma batida incendiante. Ao saber que novamente Jay-Z estaria no álbum como convidado, já fiquei esperando outra faixa no nível de “The Devil Is a Lie”, do disco “Mastermind”. Mas “Movin’ Bass”, produzida por Timbaland, ficou muito aquém da citada. É divertida, mas no geral, muito superficial e com uma batida bem insossa. Outra contribuição de Timbaland veio na faixa “If They Knew”, que tem a cantora K. Michelle contribuindo nos vocais. Eu gostei dessa, é muito divertida, atraente e ainda aparenta ter potencial para single.

A batida fornecida pelo DJ Toomp em “Quintessential” é descolada, pesada e muito inquieta. Porém, tanto Rick Ross quanto Snoop Dogg estão sem brilho algum aqui. É uma música que parece não engrenar e passa bem despercebida. A sexual “Keep Doin’ That (Rich Bitch)” com R. Kelly é outra canção esquecível, com um refrão super simples e inspirada por uma mulher que eles chamam arrogantemente de “puta rica”. Em “Nickel Rock” o jogo de palavras, as piadas e ameaças de Rick Ross é elevadas pela presença de Boosie Badazz (Lil Boosie). O rapper empresta a energia que lhe caracteriza para fazer uma releitura animada de alguns dos seus sons. A faixa “Burn” é extremamente repetitiva, onde ouvimos Rick Ross gritando a palavra “burn” diversas vezes sobre uma batida muito comum. Em “Family Ties” ele fica em torno da dura realidade de seus anos de juventude e como faz para evitar o retorno deles. Essa é admirável, ainda mais por Ross conseguir complementar muito bem a boa batida. Inclusive é bem soulful e lembra muito o disco “Mastermind”, o que é algo bom a se dizer. Pois o antecessor possui batidas muito mais apreciáveis.

Assim como a anterior, “Brimstone” é uma canção que humaniza Rick Ross, em vez de apenas retratá-lo como um cara podre de rico. A música, que traz produção e colaboração nos vocais de Big K.R.I.T., lida com o medo do inferno, com Big melancolicamente dizendo: “I pray that God will know my name”. É o tipo de parceria que faz com que Rick Ross consiga mostrar o melhor do que é tecnicamente. Mas em sua totalidade o álbum “Hood Billionaire” teve problemas para impressionar e mostrar o potencial do rapper. Olhando da perspectiva do registro como um todo, ele até mostra sinais de ambição, mas é realmente desinteressante, possuindo poucas faixas de grande destaque, ao passo que seu lirismo não mudou em nada. Logo, sem qualquer faixa verdadeiramente memorável, é fácil chamar “Hood Billionaire” de um álbum desnecessário para a discografia do rapper. Ao longo de sua execução esse material, ao contráro do “Mastermind”, se mostra previsível e não oferece nada muito fora da narrativa habitual do grande chefão do hip-hop.

58

Favorite Tracks: “Coke Like the 80’s”, “Phone Tap”, “Elvis Presley Blvd. (feat. Project Pat)”, “Nickel Rock (feat. Boosie Badazz)” e “Family Ties”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.