Resenha: Rascal Flatts – Rewind

Lançamento: 13/05/2014
Gênero: Country
Gravadora: Big Machine
Produtores: Howard Benson, Dann Huf e Rascal Flatts.

“Rewind” é o nome do nono álbum de estúdio do grupo de música country, Rascal Flatts, formada pelos membros Gary LeVox, Jay DeMarcus e Joe Don Rooney. Composto por 13 faixas, o álbum foi produzido por Rascal Flatts junto de Howard Benson e Dann Huff. Em sua semana de lançamento estreou na quinta posição da Billboard 200, com vendas de 61 mil cópias nos Estados Unidos. O título sugere que o Rascal Flatts estava pronto para voltar ao tempo, e talvez ao som do início da carreira, no entanto, a faixa-título, lançada como primeiro single, mostra que foi apenas uma alusão. “É certamente difícil depois de 13 anos encontrar uma maneira de se reinventar. Nós fazemos o que fazemos”, disse DeMarcus numa conferência de imprensa em Nashville. Ao longo do disco, Rascal Flatts faz referências a maravilhas da era moderna e menciona, como de praxe dos amantes country, o cantor George Strait. Para as produções, como já menciondo, o trio traz Howard Benson, que já trabalhou com 3 Doors Down, My Chemical Romance, Papa Roach, The All-American Rejects, Hoobastank e Daughtry.

Ele conseguiu dar um brilho adequado e isso fez com que “Rewind” se tornasse mais animado do que os seus antecessores que, em contrapartida, explorava o lado mais suave e lento da banda. De qualquer maneira, ainda temos elementos que os identificaram ao longo dos anos: harmonias altas e vocais poderosos. Aparentemente, o trio estava tentando apresentar um Rascal Flatts como duas décadas mais jovem. Os sentimentos superficiais de amor e de atração aparecem em letras com uma certa juventude ou imaturidade. Eles estavam mais de dois anos sem lançar um álbum e, agora, com o “Rewind”, percebemos nitidamente uma tentativa de atualizar e modernizar o seu som. Talvez com a finalidade de encaixar-se melhor nas constantes mudanças da música country. Durante o início e meados da década de 2000, Rascal Flatts foi uma das maiores bandas country no quesito vendas e popularidade. Com o “Rewind” eles realmente fizeram mudanças significativas em seu som, produção e estilo musical.

Rascal Flatts

Eles deram uma sensação diferente para o álbum, que realmente exemplificou a tentativa do Rascal Flatts em ter um som mais moderno e fresco. No entanto, assim como o antecessor, “Changed” de 2012, o “Rewind” não é um trabalho que marcará a carreira do grupo, pois embora exista algumas tentativas tépidas no álbum, nenhuma parece decolar realmente. “Payback” abre o repertório com uma melodia agitada e fala sobre separação e/ou vingança do ponto de vista de um homem, que tenta convencer uma mulher a sair com ele como forma de se vingar de um ex-namorado que a tratou mal. Uma canção muito alegre e cheia de energia, que apesar de não fazer o tipo de música dos fãs de longa data da banda, é cativante e com um assunto relacionável. A faixa-título, “Rewind”, foi o primeiro single e oferece melodias e harmonias habituais das quais já estamos acostumados a ouvir deles. Mas também traz novos elementos, algo que a tornou uma canção mais comparável ao som popular da música country de hoje.

Embora o assunto abordado na música não seja nada de novo no segmento, o Rascal Flatts conseguiu executar e a produzir de forma modernizada e singular. “I Have Never Been To Memphis”, por sua vez, possui uma introdução de piano suave e destaca-se pela bela história romântica e a demonstração de que a simplicidade pode ser muito eficaz. Possui uma sensação semelhante a alguns lançamentos clássicos do trio, como “Stand”, por exemplo. A letra fala sobre um cara que deixa a Califórnia, o lugar onde as pessoas dirigem rápido e nunca envelhecem, para os grandes céus aberto de Memphis. “DJ Tonight” é envolvente e consegue soar, mesmo que brevemente, doce e bem pop. É divertida e se encaixaria muito bem nas rádios, caso fosse single. “Powerful Stuff” sopra bem aberto com um riff de guitarra elétrica, que serpenteia entre acordes crocantes e vocais sensuais. É uma canção grudenta, com um refrão que fica preso na cabeça e faz o ouvinte conectar se com as letras. Fala de um amor que é tão poderoso que “burns like a fire, it cuts a river deep, and it kicks like a gun”.

O sentimento old-school de “DJ Tonight” reaparece na balada “Riot”, onde LeVox consegue mostrar mais do seu talento vocal. Uma canção de amor muito bem trabalhada, que ainda apresenta algumas badaladas de sinos. “Oh hello kisses sweet as wine / I was yours and you were mine / Innocence and butterflies / We left ‘em both behind / On the night of our live”, LeVox canta em “Night of Our Lives”. Este é um número um pouco mais escuro, esfumaçado e acústico, na mesma medida que fala sobre um nostálgico amor. Sua introdução e versos lisos escolhidos a dedo, conseguem fazer o ouvinte viajar em uma nostagia de amor adolescente. Sem dúvidas uma das melhores de todo o álbum. “I Like the Sound of That” possui um som tradicional e acústico pouco agradável, uma faixa esquecível com um refrão que deixa muito a desejar. Em seguida, em “Aftermath”, eles cantam sobre um amor que está despedaçado: “Like gravel to skin / The hurt has set in / And all that’s left of my heart / Are pieces and parts”.

Rascal Flatts

Uma balada mais grave, com uma melodia simples e grande ênfase na distinta voz, que os fãs amam há 15 anos, do vocalista Gary Levox. Os fortes tambores, além das guitaras e piano, constroem lentamente a mudança de ritmo do refrão, um bom exemplo da sutileza que tornou a banda especial. LeVox passa muita sinceridade com os vocais em cima de bonitas melodias, que mergulham em um tom mais dramático. “I’m On Fire”, décima faixa, é mais uma canção up-tempo cuidadosamente construída, que abre com um atrevido som de guitarra. O produtor de longa data da banda, Dann Huff, colabora apenas em “Life’s a Song”, faixa que ele co-produziu junto com o grupo. Nos remete facilmente à canções que fizeram a fama do trio, como “I’m Movin’ On”. É cativante, está entre as melhores do registro e  desempenha outro papel de nostalgia por lembrar o velho Rascal Flatts. A penúltima faixa, “Honeysuckle Lazy”, por sua vez, explora um tema totalmente clichê: o amor de verão.

Em certos aspectos o trio até parece mais jovem do que em trabalhos anteriores, entretanto, ocasionalmente, aparenta que eles não conseguem mais produzir grandes sucessos. A produção desta acabou em um tom alto e totalmente desordenado, uma música definitivamente ruim. “The Mechanic”, faixa de encerramento, poderia ser uma balada acústica de amor, se não fosse por estranhas harmonias surgindo no decorrer de sua execução. Sua produção é mais livre de efeitos ou truques de estúdios que, juntando à sua linha proeminente de baixo, a permitiu transmitir uma paisagem sonora abstrata que nenhuma outra música conseguiu. Bem, no geral, o “Rewind” não inova em absolutamente nada, e usa e abusa de uma mesma sonoridade em quase todas as músicas. Rascal Flattas é um grupo muito conhecido pelas belas harmonias e um som de qualidade, portanto, para quem já vendeu mais de 20 milhões de discos, eles deveriam ter fornecido um material com maior potencial. Afinal, eles já possuem uma extensa carreira musical e prestígio no cenário country americano.

Favorite Tracks: “Payback”, “DJ Tonight”, “Aftermath”, “The Mechanic”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.