Resenha: Rag’n’Bone Man – Human

Lançamento: 10/02/2017
Gênero: Soul, Blues
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Mark Crew, Braque, Jonny Coffer, Two Inch Punch, Johnny McDaid, Jamie Scott e Cadenza.

Recentemente coroado com o prêmio British Breakthrough Act no BRIT Awards, o cantor Rag’n’Bone Man lançou o seu primeiro álbum, “Human”, em 10 de fevereiro. Ele surgiu na cena musical mainstream durante a segunda metade de 2016, graças ao sucesso do single que dá nome ao álbum. Depois de lançar três EPs independentes, que não fazem jus ao sucesso que estava por vir, Rory Graham não esperava que fosse vender 117 mil cópias com o seu primeiro disco. Um total de 12 faixas (19 na edição deluxe), fazem uma fusão de blues, soul, funk e hip-hop, e dão o título de soulman moderno para Graham. Ele, sem dúvida, possui muito talento vocal, e uma grande paixão pelo soul e funk. Seus tons ricos e robustos, certamente, chamam atenção. Seu pesado barítono é diferente de qualquer coisa que ocupa espaço na música pop atual. Naturalmente, dado que Rag’n’Bone Man está sendo comercializado pela Columbia, há muitas pessoas contestando sua singularidade. Portanto, comparações com outros artistas britânicos, como Jack Garratt, James Bay, Sam Smith, Tom Odell e Kwabs, podem acontecer. Uma progressão é algo que podemos esperar de Rag’n’Bone Man, embora ele não decepciona ao permitir que seu som evolua. Lutas pessoais, que é algo reminiscente da antiga música blues, está presente no álbum.

Mas também há uma borda contemporânea que torna este álbum atraente para ouvintes modernos. A faixa-título e hit do álbum, “Human”, é o ponto alto do repertório. Uma canção blues e soul pulsante com um baixo grosso, que marcou forte presença nas estações de rádios da Europa nos últimos meses. É uma música temperamental enfeitada por batidas pesadas, que fornece uma angústia sombria e letras quase impecáveis. As faixas seguintes, “Innocent Man” e “Skin”, também são reforçadas por versos mais lentos e pensativos, que acumulam-se e nos levam para refrões chorosos. “Innocent Man” é mais up-tempo e jazz, com um prelúdio percussivo, notas de saxofone e um baixo ao fundo. “Skin”, por sua vez, possui linhas de abertura quase acapela, antes de fornecer boas batidas de bateria. Liricamente, essa faixa fala sobre um amor intenso e não correspondido. Graham canta, mais uma vez, com um vibrato sem grandes esforços, misturado com influências de blues e hip-hop. Mas é a escura “Bitter End”, apoiada por uma sólida batida, que mostra toda a gama vocal de Rory Graham. É uma poderosa balada com uma letra carregada de vulnerabilidade. Através de distintos vocais, salpicados por notas em falsete e backing vocals gospel, o cantor questiona se seu relacionamento chegou ao fim.

Por fornecer um som mais acessível, o álbum também contém algumas faixas genéricas e menos inspiradas, como “Be the Man” e “Love You Any Less”. Um medley de piano e batidas de tambor abrem “Be the Man”, mas depois acaba soando como uma canção de Ed Sheeran. “Love You Any Less” possui letras previsíveis, sofre pelo ambiente excessivamente sentimental e carece da crueza de canções como “Human”. A faixa seguinte, “Odetta”, é outra canção emocional com um som que lembra o cantor Sam Smith. Felizmente, a honestidade de “Grace” traz o álbum de volta ao trilhos. Graham soa mais em casa durante “Ego”, onde ele tenta um rap, fornece seções de trompas e elementos de hip-hop. Entretanto, o repertório decai novamente quando a fraca “Arrow” entra em ação. A última canção, “Die Easy”, felizmente, arranca vocais marcantes de Rag’n’Bone Man. É uma música com uma beleza vocal que nos prova porque Graham é considerado um artista tão talentoso. “Human” é um bom álbum de estreia, que oferece toda a alma tempestuosa que já conhecemos de Rag’n’Bone Man. Com o apoio da Columbia, após uma série de EPs independentes, será interessante ver no futuro a versatilidade desse artista de 32 anos. “Human” não excedeu as minhas expectativas, uma vez que possui muitas falhas quando chega na metade. Entretanto, não deixa de ser um registro sólido que merece ser ouvido.

Favorite Tracks: “Human”, “Skin” e “Bitter End”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.