Resenha: Raekwon – The Wild

Lançamento: 24/03/2017
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: Ice H20 Records / Empire Distribution
Produtores: Dame Grease, Dan the Band, Frank G, G Sparkz, J. Dot, J.U.S.T.I.C.E. League, Mally the Martian, Mark Henry, MK Beatz, RoadsArt e Xtreme.

Wu-Tang Clan, um dos mais influentes grupos de hip-hop da história, nasceu em Nova York no início dos anos 90. Enquanto o grupo ocasionalmente ainda libera certos materiais, a maioria dos seus membros fazem carreiras solo. Raekwon é um bom exemplo disso. Ele foi um membro muito importante do grupo, e em 2017 lançou o seu sétimo álbum de estúdio. Intitulado “The Wild”, é o quarto material dele lançado através do seu próprio selo, o Ice H20 Records. É um disco que teve pouco buzz em torno dele, mas é, sem dúvida, um ótimo registro. Raekwon é famoso por seu álbum de 1995, “Only Built 4 Cuban Linx…”, por ter sido bastante inovador e de extrema qualidade. “The Wild” pode não ser inovador, mas contém uma sensação familiar e muito interessante. É um registro de alto nível, tratando-se de produção e musicalidade. Um disco de alto padrão e muito bem polido. Raekwon mostra a sua atitude em todo o projeto, fornecendo conteúdos repletos de esperança, resiliência, sabedoria e firmeza. Além disso, as batidas e amostras utilizadas nas canções proporcionam muito valor e amplitude musical ao repertório. Conhecido por ter um vocabulário rico, Raekwon inicia “The Wild” com uma introdução que combina batidas old-school e efeitos sonoros. Essa introdução apresenta alguns tons suaves acompanhados por um discurso do próprio rapper.

Logo percebemos que o registro é predominantemente soul. Uma das melhores batidas do disco surge na segunda faixa, “This Is What It Comes Too”. Ela mantém a sensação da faixa anterior, mas com um fluxo e batida ligeiramente mais rápida e poderosa. Aqui, Raekwon oferece um hip-hop clássico, provando que não se perdeu ao longo dos anos. É uma música com resultados edificantes e vibrações que lembram o Wu-Tang Clan. Para quem gosta de sons mais obscuros, “Nothing” é nada menos do que ideal. Sua produção é escassa e com uma instrumentação minimalista, mas o piano e vocal adequando-se perfeitamente à ela. Uma das faixas de maior destaque, “Marvin”, apresenta o Cee Lo Green. Uma canção com vibrações de R&B e uma biografia emotiva sobre a vida de Marvin Gaye. À medida que a música progride, as palavras cantadas por Cee Lo Green se tornam cada vez mais aparentes. Além de Green, o álbum contém alguns convidados interessantes, como Lil’ Wayne e G-Eazy, bem como créditos de produção de J.U.S.T.I.C.E. League, Xtreme e G Sparkz. “Can’t You See” e “The Reign” são outros números ousados, com instrumentos musicais muito apropriados. Se apossando de uma maior escuridão, “My Corner”, com Lil’ Wayne, é carregada de sintetizadores e fluxos mais rápidos. Ela possui rimas muito oportunas e uma batida um tanto quanto memorável.

Através de um jogo de palavras corajoso, órgãos escuros, tambores, sintetizadores e trompas temos a faixa “M&N”. Ao lado de P.U.R.E., Raekwon fornece uma vibração sólida, abordagem mais moderna e uma estética bem orgânica. Em “Visiting Hour”, com Andra Day, temos um piano suave e alguns vocais realmente poderosos. Enquanto isso, “The Reign” ilustra a luta para se tornar uma lenda. Aqui, as palavras de Raekwon transmitem uma sensação positiva e inspiradora. “Purple Brick Road”, com G-Eazy, por sua vez, é uma faixa sofisticada e confortável no estilo de vida dos famosos. Apesar de seguir por um quadro semelhante, é outra canção memorável. Durante uma entrevista, Raekwon disse: “Este álbum é um circo de emoções. Espero que você tenha um excelente lugar para o que eu exibirei no “The Wild”, portanto, prepare-se”. Sem dúvida, ele cumpriu o que prometeu. Esse disco não o empurrou para novos limites em termos de composição e musicalidade. Entretanto, possui uma abordagem tradicional que deixa qualquer ouvinte entusiasmado. Ele conseguiu fornecer um novo toque clássico do já conhecido som do Wu-Tang Clan. “The Wild” contém um som maduro e elementos que constituem a base do hip-hop. Suas letras são fortes e confiantes, apoiadas por batidas criativas e truques surpreendentes. É um álbum bem-sucedido, mesmo que jogue por um território relativamente seguro.

Favorite Tracks: “This Is What It Comes Too”, “Marvin (feat. Cee Lo Green)” e “My Corner (feat. Lil Wayne)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.