Resenha: Rae Sremmurd – SremmLife

Lançamento: 06/01/2015
Gênero: Hip-Hop, Rap, Trap
Gravadora: Interscope Records / EarDrummers Entertainment
Produtores: Mike Will Made It, P-Nazty, Rae Sremmurd, BackPack, A+, Sonny Digital, Soundz, Young Chop, Honorable C.N.O.T.E. e Marz.

O Rae Sremmurd é um duo americano de hip hop, composto pelos irmãos Khalif “Swae Lee” Brown e Aaquil “Slim Jimmy” Brown. Eles ficaram conhecidos por seus singles “No Flex Zone” e “No Type”, que atingiram as posições #36 e #16 da Billboard Hot 100, respectivamente. Eles são de Atlanta, Georgia, e seu álbum de estreia, “SremmLife” foi lançado em 06 de janeiro de 2015. A efeito de curiosidade, o nome do duo é derivado do rótulo de origem deles, a EarDrummers, que pertence ao produtor Mike Will Made It e é uma marca da Interscope Records. A dupla havia trabalhado durante alguns anos sob o apelido de Dem Outta St8 Boyz, produzindo músicas em casa e tocando em festas e bares. Porém, eles só vieram assinar com a EarDrummers Entertainment em 01 de janeiro de 2014. O seu primeiro disco estreou em #05 na parada Billboard 200 dos Estados Unidos, vendendo 34 mil cópias em sua primeira semana.

Entre os convidados temos alguns nomes conhecidos, como Nicki Minaj, Young Thug e Big Sean. Se você lança um disco sob a tutela de alguém verdadeiramente talentoso, como o produtor Mike Will Made It, é quase certo que virá um material de qualidade. E é isso o que aconteceu com o duo Rae Sremmurd e o seu primeiro álbum. Claro, isso sem diminuir o talento da própria dupla de irmãos, que também foram essenciais para a construção desse ótimo disco. “SremmLife” simplesmente funcionou muito bem para introduzi-los na indústria, um registro cheio de uma exuberância juvenil e formado pela boa fusão de hip-hop e R&B. Três coisas aqui se sobressaem e pode ser considerada as forças principais do repertório: os instrumentais sólidos, os refrões cativantes e as boas melodias. Há momentos em que o disco sente-se um pouco apressado, mas como um todo flutua com uma energia singular. No geral, o seu lirismo cai sob um mesmo tema e percebe-se que eles não são tão bons para escrita.

Felizmente, essa falha é recompensada com algo que eles realmente fazem bem: o fluxo dos seus raps. Logo, o duo soube flexionare-se de forma adequada as batidas maximalistas de Mike Will Made It. “SremmLife” definitivamente transborda em potencial, a música de abertura, “Lit Like Bic”, por exemplo, é indisciplinada, descontraída e fornece uma batida viciante e uma leve guitarra em sua instrumentação. Aqui, Swae Lee dá aos ouvintes um vislumbre de sua atual vida opulenta (“Lit, lit, lit / Lit like Bic / Sremm Life shit / Been in by 6”). A faixa seguinte, “Unlock the Swag”, é monstruosa e um tipo de música que você encontraria facilmente em um álbum do rapper Rick Ross. Apesar de ser repetitiva e longa demais, é uma canção insanamente infecciosa devido, principalmente, à batida assombrosa fornecida por Mike Will Made It.

Rae Sremmurd

Ela ainda é apoiada por um verso agradavelmente denso de Jace, membro do grupo Two-9, que também faz parte do rótulo EarDrummers. A terceira faixa é o primeiro single e um dos virais de 2014, a canção “No Flex Zone”. Desde o primeiro verso, “No flex zone, no flex zone / They knooooow better”, você já percebe o quanto essa música é cativante. Um hit instântaneo onde os irmãos Swae Lee e Slim Jimmy rimam juntos, enquanto entregam uma dinâmica vocal interessante. Movida por bons sintetizadores, a música transborda e ostenta um carisma semelhante ao hit “Crank That” de Soulja Boy. A agressiva “My X”, encomendada por Young Chop, é uma das poucas faixas que não foram produzidas por Mike Will Made It. Sua batida é efervescente, escura e exala uma crueza brutal, entretanto, seu conteúdo lírico é muito ruim e exala uma misógnia datada e bruta. Uma das melhores faixas do registro é uma balada chamada “This Could Be Us”, onde Swae Lee canta estridentemente o gancho principal.

Mike Will Made It mais uma vez confeccionou uma ótima batida, contemplada por ritmos cativantes de teclas de piano, que se encaixaram perfeitamente à melodia. Em termos de composição ela é, talvez, a que mais se destaca em todo o álbum. A próxima canção é “Come Get Her”, outra faixa de destaque onde o duo continua a concentrar sua atenção no sexo oposto. Nessa música temos um falsete agradável logo em sua introdução, além de ótimos vocais de apoio, com seus “ooh-whoa-oh”, servindo de floreios e ornamentos pop. A energética “Up Like Trump” vem logo em seguida, uma pista preenchida com comparações e onde Slim Jimmy proclama-se como o “rei do furto”. A produção sinistra de Sonny Digital faz a canção ser levada por um piano sinistro e um baixo explosivo, ao passo que a opulência de suas letras imediatamente redefinem o tom do álbum. A exuberante “Throw Sum Mo”, por sua vez, é um trap que traz participações de Nicki Minaj e Young Thug nos vocais.

Rae Sremmurd

Os hóspedes, reunidos a energia dos irmãos Brown, foram emparelhados com outra produção excepcional de Mike Will Made It ao lado de Soundz. É uma música brincalhona, saltitante, com uma ponte harmônica e um ponto alto em termos de carisma. Já em “YNO” temos os irmãos flexionando seus músculos líricos no que pode ser a faixa mais profunda do registro. Eles orgulhosamente detalham de forma introspectiva relatos de sua ex-vida de pobreza. Eles rimam freneticamente ao lado de Big Sean, que chega e também destrói com seu ótimo fluxo. O segundo single de Rae Sremmurd, “No Type”, serve como uma metáfora para o álbum em si. É um pista estranhamente fascinante em sua sonoridade, que introduz um duo talentoso e altamente qualificado. Essa música serviu para cimentar o lugar da dupla nas paradas musicais dos Estados Unidos, onde atingiu o Top 15 e vendeu mais de 1 milhão de downloads. Esse banger possui um estilo excêntrico e minimalista que vicia facilmente.

O som em si é obscuro, a batida descontraída e os tambores pesados, que acaba por acrescentar uma profundidade e permite os rappers moldar os seus fluxos. O jogo de palavras deles é simplista e eficaz, juntamente com o refrão facilmente citável. “No Type” é uma música com algumas letras pesadas que evocam uma paisagem sonora magistralmente trabalhada, mais uma vez, por Mike Will Made It. Sem dúvida alguma foi uma adição muito bem-vinda para o álbum e catálogo da dupla. O encerramento do registro ficou por conta de uma ode sobre curtir a vida intitulado, não tão sutilmente, “Safe Sex Pay Checks”. Produzida por Honorable C.N.O.T.E, essa faixa tem uma sensação pop e faz referências a festas, bebidas e sexo, algo clichê que poderia ser encontrada em qualquer outro álbum. Os rapazes tentam abraçar uma filosofia de vida, mas tropeçam em seu próprio fluxo durante essa canção.

Como um pacote global, em pouco mais de 45 minutos, “SremmLife” definitivamente fez jus ao hype que adquiriu com os singles. É um álbum mais focado para o mercado jovem atual, sendo altamente referencial a essa cultura por toda a parte. Slim Jimmy e Swae Lee pode soar vagamente parecidos em seu fluxo, mas ao mesmo tempo também são distintos o suficiente. Swae possui uma grande versatilidade como rapper, enquanto Slim consegue permanecer ligeiramente fundamentado e confiável como um complemento para os ganchos do seu irmão. Como um duo, eles conseguem compreender totalmente um ao outro e fazem durante todo o álbum uma excelente interação. Esse disco é repleto de boas melodias e batidas hipnóticas, percebemos que o duo aproveitou a oportunidade para provar e mostrar, com esse trabalho de estreia, que podem ter um futuro brilhante dentro do cenário musical.

78

Favorite Tracks: “No Flex Zone”, “This Could Be Us” e “No Type”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.