Resenha: Rachel Platten – Wildfire

Lançamento: 01/01/2016
Gênero: Pop, Indie Pop
Gravadora: Columbia Records / RCA Records
Produtores: Ben Singer, Brian West e Jon Levine.

Rachel Platten é uma cantora americana nascida em Nova York, que ganhou notoridade internacional em 2015 com o lançamento do single “Fight Song”. Em 2016, ela lançou o seu terceiro álbum de estúdio, o primeiro por uma grande gravadora, sob o título “Wildfire”. Lançado no primeiro dia do ano, o álbum foi divulgado sob a expectativa do buzz criado pelo hit “Fight Song”. Composto por 12 canções, é um disco cheio de apostas seguras, tais como refrões pegajosos, letras acessíveis e uma sonoridade bem radio-friendly. Sua música tem tudo para atrair um público mais jovem, visto que oferece temas simples como amor e amizade. Todo o disco é preenchido por canções pop cativantes e letras relacionáveis, co-escritas pela própria cantora ao lado de nomes como Jack Antonoff e Andy Grammer. É inegável que Platten possui uma boa voz, o seu principal instrumento dentro do álbum. Em certos momentos, ela consegue oferecer uma grande carga de honestidade e crueza, enquanto algumas músicas possuem uma beleza edificante e um conteúdo inspirador.

Mas, por outro lado, grande parte do álbum peca pela produção previsível e superficial. O disco abre com “Stand by You”, faixa que possui a mesma estrutura e batida de “Fight Song”, e acaba não oferecendo nada de novo. Além disso, possui uma introdução semelhante e um refrão no mesmo naipe. Os dois instrumentos que você ouve mais claramente, durante a música, são a bateria e o piano, exatamente os mesmos da outra canção. Portanto, se você gostou da inspiradora “Fight Song”, provavelmente, vai agradar-se de “Stand By You”, uma fatia pop mid-tempo que tentou repetir o sucesso da citada. Outro ponto muito perceptível nesta canção é a sua enorme semelhança com “Roar” de Katy Perry. A instrumentação, exalada pelo forte tambor e as teclas de piano, é praticamente uma reminiscência de “Roar”. Se você ouvir as duas músicas em sequência, notará com facilidade a enorme similaridade de ambas. Honestamente, parece até uma homenagem à batida de “Roar”. A faixa foi co-escrita por Jack Antonoff, guitarrista/vocalista das bandas Fun e Bleachers, e produzida por Jon Levine.

Aqui, Platten canta sobre sempre estar lá para ajudar seu amado em tempos difíceis. “Mesmo se não conseguirmos encontrar o paraíso / Mãos / Coloque suas mãos vazias nas minhas / E cicatrizes / Mostre-me todas as cicatrizes que você esconde / E ei, se suas asas estiverem quebradas / Por favor, pegue as minhas para que as suas / Possam abrir também / Pois eu vou ficar ao seu lado”, ela murmura no verso de abertura. “Standy By You” começa devagar com os vocais sendo jogadas suavemente ao fundo, antes de pegar um forte ritmo e agitar com o poderoso refrão. Ela conta uma história de esperança, enquanto seu vocal continua marcadamente confiante, firme e sem restrições. Como esperado, “Stand By You” é uma canção de amor muito cativante, com uma melodia agradável e um grande apelo radio-friendly. “Hey Hey Hallelujah”, com Andy Grammer, mostra um pouco mais do lado divertido e descontraído de Rachel Platten. Ela mantém as boas vibrações encontradas na faixa anterior e é beneficiada por alguns ganchos infecciosos. É uma canção que consegue emitir uma atitude atrevida, algo que não está presente nas outras faixas do álbum.

Rachel Platten

Co-escrita por Platten, é uma música liricamente sedutora e sensual. A adição de Andy Grammer, cujo verso destemido se encaixa facilmente à música, faz uma boa mistura com as interjeições ousadas de Platten. Os seus vocais conseguiram trazer um novo sentimento, tão auto-confiantes quanto os da cantora. Com um leve toque de jazz, “Hey Hey Hallelujah” começa com um som que lembra o crepitar de um LP de vinil. A instrumentação, trabalhada a base de metais e uma boa percussão, com certeza fará o ouvinte bater os pés junto com o ritmo. Um pouco mais down-tempo e menos otimista, “Speechless” chega para oferecer emoções mais pesadas e honestas. Em contraste com a segunda faixa, é uma música em favor de um pop tipicamente previsível, porém, muito atrativo. Sua letra é inspiradora, pessoal e reconfortante, enquanto o refrão consegue soar intacto e interessante. Pode não ser uma música tão empolgante quanto os singles do álbum, mas não deixa de ser uma faixa atraente. Em sua letra encontramos versos destinados a falar sobre a sensação de estar apaixonado: “Apenas me toque, eu quero / Pare de falar tanto, eu estou pronta / Pare de mover os lábios e me beije / Continue a tomar o meu fôlego”.

Mais rápida e volumosa, “Beating Me Up” traz o disco de volta para a agitação. Soa como qualquer outra canção pop encontrada nas rádios, mas, agradavelmente, possui uma envolvente percussão. Seus fortes tambores amplificam o nível de intensidade da música e os investidos vocais de Platten. Liricamente, fala sobre a luta para sair de um relacionamento que não lhe faz bem. “Você seguiu em frente, eu sei que eu deveria também / Meus cortes se foram, a minha dor se sente renovada”, ela canta aqui. Curiosamente, cada uma das quatro primeiras canções parecem ser construídas usando versos e refrão padronizados, que soam muito semelhante em suas colocações e dinamismo. A quinta faixa é “Fight Song”, o já conhecido hit que abriu as portas para a cantora lançar o disco “Wildfire”. Segundo a cantora, a inspiração partiu de uma série de experiências que estavam machucando-a e que a fizeram sentir-se como se talvez não tivesse uma chance dentro da indústria musical. É uma linda balada de auto-capacitação, musicalmente complexa que, sem dúvida, foi uma boa introdução para uma artista que há um tempo lutava para ter seu lugar na indústria.

A performance vocal dessa canção é bastante inspiradora e emocional, enquanto sua letra é vulnerável e poderosa. A música já começa com ela cantando: “Como um pequeno barco no oceano, enviando grandes ondas / Em movimento / Como uma única palavra, pode fazer um coração abrir”. Rachel canta com uma voz angelical e ainda entrega uma escrita relacionável, que consegue causar um impacto imediato sobre o ouvinte. O refrão, por sua vez, é bastante explosivo e onde ela entrega vocais ainda mais potentes: “Esta é a minha canção de luta / Leve de volta a minha canção de vida / Vou provar que esta canção é certa”. Cheia de emoção, Rachel se joga completamente no refrão e faz o ouvinte realmente acreditar nas palavras que está cantando. O instrumental de “Fight Song” também é agradável. Os versos e a ponte, por exemplo, são auxiliados por um singelo piano, enquanto o restante da música é impulsionada por uma batida poderosa. Ela ainda termina com alguns acordes de guitarra acústica que finaliza tudo da melhor maneira possível. “Better Place” oferece um pouco de mudança sonora, ao mostrar a voz de Platten de uma maneira mais crua. Isso acontece devido a instrumentação mínima que compõe a música.

Basicamente, apenas um simples e tranquilo piano auxilia a cantora nesta singela canção. Rachel escreveu “Better Place” quando estava vivendo em Los Angeles e a descreve como uma ode ao otimismo e esperança. Sua letra explica como a vida muda quando estamos apaixonados. “Vou dizer ao mundo, eu vou cantar uma canção / É um lugar melhor desde que você veio junto / Desde que você veio / Seu toque é a luz solar através das árvores / Seus beijos são a brisa do oceano / Tudo está bem quando você está comigo”, ela canta no verso de abertura. Indo no sentido contrário, “Lone Ranger” oferece um ritmo acelerado e um refrão bastante cativante. É uma música chiclete que pode, facilmente, ficar presa na sua cabeça desde a primeira audição. Enquanto abre com uma guitarra acústica e é guiada por fortes batidas, a música apresenta um lirismo que expressa o seu desejo pela liberdade. O refrão é a melhor parte da música, pois é envolvente, dinâmico e muito contagiante. Além disso, faz um uso adequado de alguns “na, na, na, na, na” muito contagiosos. Com um ritmo progressivo e atraente, “You Don’t Know My Heart” consegue manter todos os ouvintes conectados.

Rachel Platten

É um número que proporciona a inclusão de novos ingredientes sonoros ao álbum. Em sua composição encontramos uma pitada de R&B e elementos urbanos extremamente infecciosos. Suas batidas são muito convidativas, os instrumentos de metais atraentes e o refrão arrebatador. Já adianto que esta canção está entre minhas favoritas do álbum. A delicada “Angels in Chelsea”, nona faixa do registro, é uma verdadeira homenagem de Rachel Platten a cidade de Boston. É uma música extremamente positiva que mantém a natureza comumente otimista do “Wildfire”. Ela apresenta algumas das melhores letras encontradas por aqui, enquanto descreve os cenários de Chelsea, bairro urbano de Boston, Massachusetts. A cantora apresenta palavras sobre as pessoas na rua que influenciam seu ambiente de uma forma benéfica. “E todo lugar que olho, esta noite, eu vejo anjos em torno de mim / E todo lugar que olho, esta noite, eu vejo anjos em Chelsea”, ela canta gentilmente no refrão, enquanto é apoiada por belas harmonias e fortes tambores. “Astronauts”, por sua vez, é forte ritmicamente e ostenta alguns vibrações oitentistas. É uma canção alegre que apresenta boas melodias e outra letra otimista.

É apropriadamente intitulada, visto que tem uma estrutura sonora que soa futurista. Foi uma das primeiras faixas escritas para o álbum e fala sobre um casal que, de alguma maneira, sentem seguros mesmo que o mundo ao seu redor esteja desmoronando (“Eu vou ser o que quiser, quando tudo se for / Deixe o mundo desaparecer / Há lugares aqui onde podemos nos esconder / Estaremos de maneira segura no alto / Um lugar que só nós podemos encontrar”). “Congratulations” explora o mesmo território contemporâneo de influência R&B encontrado na oitava faixa. É uma música bastante pessoal, embora possua um ritmo forte, potente e constante. As contundentes e poderosas batidas são um dos principais charmes da música. Seu tom é ligeiramente sarcástico, porém, emite um conteúdo lírico desolador. Na letra encontramos uma Rachel Platten triste e machucada, por causa das atitudes grosseiras de outra pessoa. “Eu sou estúpida e confusa / O meu ego está cru e moído / Suas palavras eram armas e / Elas me derrubaram novamente / Jogou nossa conversa / Você jogou as acusações / Eu sou sempre tão complacente, nunca mudo a estação”, ela canta inicialmente.

A faixa de encerramento, “Superman”, fecha o registro de uma forma bem apropriada. Ela traz de volta a positividade, abordando sentimentos de esperança e superação. Aparentemente, é uma sincera canção escrita para o marido de Rachel. Na letra, ela dá alguns bons conselhos a ele: “Você não precisa ser o Super-homem / Você não precisa segurar o mundo em suas mãos / Você já me mostrou que é capaz / Não precisa ser o Super-Homem”. Apoiada principalmente por um piano, “Superman” é uma canção onde os vocais trêmulos de Platten trabalham em favor de mostrar um pouco mais de sua vulnerabilidade como artista. Por fim, “Wildfire” é uma coleção de canções pop pegajosas, com melodias cativantes e refrões contagiantes. Com uma duração de pouco menos de quarenta e um minutos, ele ainda inclui canções radio-friendly com conteúdos bem motivadores. Não é um material memorável ou artisticamente arriscado, pelo contrário, sua produção global é bem previsível, comum e simplista. Sem dúvida, vale algumas escutas, mas não possui nada de inovador ou diferente do que estamos acostumados a escutar na música pop atual.

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Favorite Tracks: “Stand by You”, “Fight Song”, “Lone Ranger”, “You Don’t Know My Heart” e “Congratulations”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.